‘Tendo em conta que já não há empregos para a vida, deve a formação ser permanente e durar a vida toda. Assim, as universidades devem preparar-se para receber profissionais mais ou menos entradotes, vindos das empresas. E as empresas dispensam-nos para vir às aulas?’

Vivó Ministro!

Vivó Ministro!

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Não por acaso os paizinhos decidiram batizar a prometedora cria com o nome do valente troiano: Heitor, o ministro, prepara-se para revolucionar o ensino universitário. O «Expresso» foi ouvi-lo, e de caminho aproveitou para dar a conhecer ao grande público o elevado pensamento de alguns dos reitores que levam em ombros o guerreiro Heitor.

As ideias da Pandilha têm a simplicidade e clareza própria do mais elevado pensamento. Espremendo bem, dá mais ou menos isto:

Os alunos do ensino superior têm demasiadas horas de aulas por semana. Reduzam-se as mesmas para metade.
Alguns ciclos de formação têm uma duração que nos rouba competitividade – absurdo os mestrados serem de dois anos; reduzam-se a nove meses.

Deixar a definição das Unidades Curriculares aos docentes ou aos conselhos de curso é um disparate. Devem ser as empresas a definir o que precisam em cada momento, comunicando às universidades o que devem ensinar.

A teoria é uma maçada e uma redundância. Maçada porque aborrece e porque assenta numa distância excessiva entre quem ensina e quem aprende; uma redundância, já que tudo o que o docente pode ensinar está disponível na net. Se, ainda assim, alguns docentes bota-de-elástico acharem importante a teoria, então que gravem as aulas e as disponibilizem; os alunos vê-las-ão quando, e se, tiverem vontade.

Menos massacrados por teorias, de que se vão ocupar os alunos então? De coisas práticas, está bem de ver, coisas úteis, de que se vejam resultados e não lhes cansem o «pensamento». E mais promete a Pandilha reitoral acolitante do ministro: doravante e pró futuro haverá uma aprendizagem transversal a todos os cursos. Será Filosofia? Nã… Aposto que já adivinharam: Empreendedorismo! Ora aí está a cereja no topo do bolo. Cada um que trate de si e que aprenda a empreender. Imagino que haja já um quadro de formadores a contratar, de Berardo a Vara, passando por Vieira e Bava, tudo gente empreendedora de boa cepa!

Tendo em conta que já não há empregos para a vida, deve a formação ser permanente e durar a vida toda. Suponho que a isto chamem a lei dos equilíbrios, ou coisa parecida. Assim, as universidades devem preparar-se para receber profissionais mais ou menos entradotes, vindos das empresas. E as empresas dispensam-nos para vir às aulas? Não é necessário, apressa-se a Pandilha a explicar, vêm em horário pós-laboral, que isso de dedicar apenas oito horas diárias à empresa é coisa do passado.

Fica o quadro traçado e a aviso feito. Quem achar pouco vá ler o «manifesto» e verá que a revolução que se anuncia é ainda maior. A mim custa-me ouvir tantas trombetas em uníssono, confesso. Esperava que de entre o exército reitoral aparecesse um Aquiles para enfrentar o Heitor. Parece que não. Comem pouco e calam muito os que têm (acho que ainda os há) opinião diferente. Quanto aos outros, são farinha bichada a escorrer do saco do hiper-liberalismo; dali não se faz pão que se coma nem se aponta futuro que nos convença.

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Imagens: Alberto Frias/Expresso (ed VN)

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Categorias: Crónica, Ensino

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Luís Cunha

Professor universitário. Braga.

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