‘Gostava (…) / de cair como uma folha amarela na terra / que o vento sopra sem tragédia’

Gostava de morrer em Setembro

Gostava de morrer em Setembro

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Gostava de morrer em Setembro.

No deste ano

ou num Setembro vindouro,

mas não no início do mês

porque é ainda Verão

e no Verão há demasiada folia

para (se) morrer com alguma poesia.

 

Gostava de morrer com a chegada

do Outono,

cair como uma folha amarela na terra

que o vento sopra sem tragédia

para a noite desconhecida,

 

um homem inacabado

que aceita nos lábios o sorriso

dos primeiros frios.

 

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Categorias: Literatura, Poesia

Acerca do Autor

José Alberto Postiga

José Alberto Postiga nasceu na Póvoa de Varzim, em 1977. Oriundo de uma família de humildes pescadores, com apenas onze anos de idade, por motivos relacionados com costumes familiares e uma exígua noção da real importância do ensino escolar, abandonou prematuramente a escola e iniciou a sua vida laboral na arte da pesca. Não querendo abusar da sorte, exerceu a profissão de pescador até aos 22 anos, afastando-se depois de o mar lhe ter tentado roubar a vida em algumas ocasiões. O ano de 2005 levou-o até à Suíça central onde reside e trabalha até hoje, exercendo o cargo de líder de grupo na área da construção modular, para a qual se formou. Mais tarde, nos anos de 2011 e 2012 regressou à escola e concluiu com aproveitamento o ensino secundário. Considera-se um metamorfoseado, um autodidata, um proativo. Publicou o seu primeiro livro em 2014, ao que se seguiram publicações regulares em poesia: O Inventário do Sal (Insubmisso Rumor, 2016), A Litania da Cinza (Modocromia, 2018) Fevereiros Doutrinários (Exclamação, 2020). A escrita, confessa, deixou de ser para ele um gozo e passou a ser uma necessidade incontornável. Autor registado no IGAC – 753/2018 Beneficiário da SPA – 30327 Sócio do PEN Clube Português - 291

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