António Fernandes

Território | Braga: uma cidade à procura de mobilidade

Território | Braga: uma cidade à procura de mobilidade

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Ajuíza-se nos círculos em que as forças vivas da cidade se movimentam: desde a arte até à intervenção voluntária de serviço social onde se incluem todos os agentes económicos, políticos, religiosos, sociais e outros. Desde a intervenção cívica e intelectual aos círculos do pensamento individual e coletivo, apresenta-se a “promoção” simplista de um dos segmentos do seu meio académico e científico, nomeadamente a Universidade do Minho, por apresentar soluções para a mobilidade no espaço urbano e periférico, por ser mais fácil conveniente. Trata-se de um erro colossal porque “mata” a mobilização das forças vivas da cidade e de outros meios académicos e sociais como o são: a Universidade Católica; o Instituto de Nanotecnologias; as escolas profissionais; os agrupamentos escolares; a escola no seu todo; a família; o movimento associativo, cerne do pensamento construtivo, em torno de soluções que a sociedade no seu todo anseia, pensa e defende.

Em suma: o cidadão é dispensado desta tarefa que diretamente lhe diz respeito.

O facto de as cidades terem vindo a ser pensadas para os equipamentos sem ter em conta as reais necessidades das pessoas, os seus interesses e os seus gostos é a evidência quotidiana.

Depois, presumem os seus construtores, as pessoas acomodam- se aos equipamentos construídos, uns, e implantados, outros, sem que previamente se tivesse feito qualquer estudo com base científica.

Neste contexto, “empurrar” a solução da mobilidade citadina para um centro académico, é descartar o reconhecimento público da incapacidade técnica, dentro do organismo competente eleito para esse fim – presidente e vereação do Município -, para fazer o que o eleitorado exige que seja feito, porque para isso os elegeu e paga os seus impostos de onde sai a remessa destinada aos salários auferidos pelos responsáveis políticos que ora incumbem terceiros para fazer o que deviam ser os próprios a fazer.

Em bom rigor, a Universidade do Minho reconhece ser demasiado perigoso estar a centrar em si própria a expectativa de que tem soluções para tudo. Assim como ajuíza deverem as forças vivas da Cidade arcar com o ónus do âmbito da sua influência social nos mais diversos meios.

O que, a assim não acontecer, desvirtua a razão de ser associativa ou profissional, seja no exercício de função especializada ou de voluntariado amador.

A Universidade e as forças vivas sabem demasiado bem quais os seus limites e competências num quadro em que  à Universidade cabe cumprir as funções com os requisitos para que foi criada.

Aos movimentos cívicos cabe serem forças organizadas para a salvaguarda da defesa e promoção de propostas conducentes a uma melhor qualidade de vida dos cidadãos tendo em conta especificidades distintas e outros fatores socialmente relevantes.

Ao Senhor Vereador do Urbanismo cabe apresentar soluções para todas as vertentes implícitas ao pelouro que ocupa sendo que a mobilidade está inclusa.

Tudo o resto é manifesta “preguiça” funcional, ou… disfuncional.

Mas… Já agora… Que mobilidade defende o ilustre Senhor Vereador para a cidade:

– Mobilidade na fluidez do tráfego?

– Mobilidade do cidadão?

Ou:

– Mobilidade articulada de cidadãos e do tráfego?

Porque, se o objetivo é a mobilidade articulada de cidadãos e de viaturas automóveis, a que acresce a fluidez funcional dos transportes públicos, em que os interfaces são o eixo central, muito há a fazer. Desde que não estejamos a falar de propaganda e sim de soluções eficazes.

Esta articulação, para ser eficaz, requer a conjugação de todo o esforço técnico de especialistas no setor, coisa que não me parece ser do domínio de um qualquer académico convencional.

Quando, nas atuais circunstâncias, em que o urbanismo desregrado criou dificuldades acrescidas, os interfaces necessários poderão passar por obras de arte no domínio da construção civil.

O desnivelamento ou nivelamento superior pode ser a única alternativa para articular toda a rede de transportes públicos: rodoviários; ferroviários; de acesso a transporte aéreo; e outros, onde o acesso do cidadão/passageiro é o fim a atingir com eficácia.

Depois temos a mobilidade dos cidadãos com dificuldade de locomoção: idosos; grávidas; cidadãos com deficiência; entre outros.

Importa por isso não hastear bandeira em trabalho que não foi sequer delineado.

Importa arregaçar as mangas e fazer o que deve ser feito!

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Categorias: Crónica, Política

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