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Gastronomia | “Doçaria no Convento” adoça Guimarães

Gastronomia | “Doçaria no Convento” adoça Guimarães

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Com o intuito de animar a cidade, o Município de Guimarães leva a efeito mais uma edição do programa “Doçaria no Convento”, com entrada livre, no próximo fim-de-semana, entre 12 e 14 de abril. Esta iniciativa pretende reavivar a memória de outros tempos na gastronomia doceira, mantendo viva a tradição da doçaria conventual, em terras vimaranenses. A edição deste ano, para lá da mostra “Doçaria no Convento” que será o centro das atenções mais geral, apresenta um programa mais alargado do que o habitual, propondo uma Mostra Documental, um Workshop, uma Oficina Sénior, uma Oficina para Famílias e uma Conferência.

 

 

Este certame, que se desenvolve no âmbito do programa da Páscoa, pretende ir ainda um pouco mais além de modo a não só reavivar a tradição da doçaria tradicional conventual vimaranense, mas também dar a conhecer o que de melhor se faz no que à doçaria conventual portuguesa se refere.

A doçaria conventual portuguesa tem a sua origem nos conventos e mosteiros portugueses. Como o próprio nome indica – Conventual , deve-se ao facto desta categoria gastronómica ter sido criada e produzida pelas freiras que viviam nos conventos portugueses. Em Guimarães, estas ocuparam durante muito tempo o Mosteiro de Stª. Clara, local onde atualmente funciona a Câmara Municipal.

Como ingredientes de eleição, a doçaria conventual conta três elementos: o açúcar, as gemas de ovos e a amêndoa. Em Guimarães, as famosas Tortas e o Toucinho do Céu são duas das especialidades que toda a gente reconhece à cidade e que, com toda a certeza, se poderão encontrar na mostra “Doçaria no Convento”.

Curiosidades da História

Sabe-se que os doces conventuais sempre fizeram parte das refeições servidas nos conventos, mas apenas a partir do século XV, com a divulgação e a expansão do açúcar na Europa, atingiram notoriedade. De acordo com o Arte Conventual, refira-se que “o açúcar possibilitava obter vários pontos de calda pelas mãos sábias que o trabalhavam vezes sem conta. Essencialmente por mulheres que naquela época não tinham optado por ir para os Conventos, mas sim por imposição social. Como passatempo elas começaram a aprimorar estas preciosas receitas amadurecidas com o passar dos séculos.

Entre os séculos XVIII e XIX, Portugal era o maior produtor de ovos da Europa. Curioso que as claras dos ovos eram exportadas e usadas como elemento purificador na produção de vinho branco e para engomar roupas elegantes de homens ricos por toda a Europa Ocidental. A quantidade excedentária de gemas era inicialmente colocada no lixo ou dada a animais como alimento. Até que com a chegada em larga escala de açúcar das colónias portuguesas, um novo destino foi dado às gemas: a inspiração mandou juntá-las com o açúcar e iniciar aquilo que hoje se denomina de Doçaria Conventual. Os nomes dos Doces Conventuais derivam da fé católica e da vida no interior dos Conventos.

A partir de meados do século XVIII, quando foi decretada a extinção das Ordens Religiosas em Portugal, as freiras e monges foram confrontados com a necessidade de angariar dinheiro para seu sustento. A venda de Doces Conventuais foi uma das formas encontradas para minimizar a sua situação financeira. Por isso, transmitiam, já fora dos conventos receitas as mulheres que as acolhiam. Passando de geração em geração, as deliciosas receitas de doces conventuais portugueses permanecem vivas até os dias atuais”, em que “cada doce desperta o paladar, resgatando o valor dos tempos”. 

“Doçaria no Convento” com programa alargado em 2019

Atendendo a um desejo de alargamento e atingir maior participação do público da “Doçaria no Convento”, o programa da edição deste ano é mais alargado do que habitualmente, contando com uma Mostra Documental na Biblioteca Municipal Raul Brandão que irá decorrer até ao próximo dia 13.

Saliente-se ainda que entre 12 de abril e 3 de maio, no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, estará também patente a Mostra Documental “A confeção dos doces no Convento de Santa Clara de Guimarães”.

De entre os diversos elementos que constam do menu 2019, a organização dá destaque à realização de um workshop, na quinta-feira, 11 abril, com início às 18h30, na Casa da Memória, sob o tema “(A)massa tenra e quebrada pelo doce”.

Na sexta-feira, 12 de abril, a partir das 14h45, decorre uma Oficina Sénior – “Passarinhas e Sardões” – destinada ao público com mais de 60 anos, na Biblioteca. Na noite desse mesmo dia, pelas 21h30, está agendada uma conferência – “A confeção dos doces no Convento de Santa Clara de Guimarães” -, no Salão Nobre da Câmara Municipal.

Já no sábado, 13 de abril, decorrerá a Oficina para Famílias, às 10h30, sob o tema “Na descoberta da doçaria conventual: as cavacas de manteiga”.

Para ver, mas também para comer

A mostra “Doçaria no Convento” será realizada nos claustros da Câmara Municipal vimaranense nos seguintes horários: sexta-feira (21h00 às 23h00); sábado (10h30 às 23h30) e domingo (10h30 às 19h00).

O programa conta ainda com a animação do Grupo de Fado Filius, Osmusiké Teatro, Conservatório de Guimarães, Sociedade Musical de Pevim, Associação Guimarães Fado, Sociedade Musical de Guimarães e a fadista Ana Pinhal.

Recorde-se que há alguns anos, o Município de Guimarães editou o livro Doçaria Tradicional vimarense, com coordenação de Isabel Maria Fernandes, como um esforço para a preservação e defesa da memória do património de Guimarães.

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Categorias: Agenda, Política, Sociedade

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