Estreia: 18 e 19 de setembro

Estorias de Villa | Cinema famalicense. AECCB transforma sonho de João Pedro Castro em realidade

Estorias de Villa | Cinema famalicense. AECCB transforma sonho de João Pedro Castro em realidade

 

18 e 19 de setembro próximos são as datas já conhecidas para apresentação ao público do Projeto “Estórias de Villa”. O local não poderia deixar de ser o mais adequado para o efeito em Famalicão: o Grande Auditório da Casa das Artes.

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‘Estórias de Villa’ vai ficar para a história famalicense como a primeira longa-metragem dirigida e realizada na cidade. E longa também no tempo de preparação, uma vez que a rodagem e todo o trabalho técnico de preparação do filme demorou(a) precisamente cerca de 1 ano. Além disso, será uma filmagem verdadeiramente famalicense, pois Vila Nova de Famalicão, para além de local de rodagem, é o verdadeiro pano de fundo destas Estórias. O filme é também rodado em exclusivo com a participação de famalicenses quer na qualidade de atores quer na qualidade de técnicos; e é sabido como o cinema chega a movimentar milhares de pessoas nas mais diversas funções. Pelo caminho ficam horas e horas de filmagem, mas também de divertido convívio entre os mais diversos intervenientes.

Da “Estória” deste filme, no entanto, pouco se sabe e se quer divulgar; o seu guião encontra-se fechado com muitas chaves e no segredo dos deuses até à sua estreia. Apesar disso, pode adiantar-se que se trata de um conteúdo atual, narrado em registo de tragicomédia. “Há um homem que sonha…” – adiantou o realizador João Pedro Castro. Não houve nenhuma preocupação em seguir nenhum estilo em particular, tão pouco houve obsessão pela originalidade. Foi apenas escolhido o estilo que melhor se adaptou às circunstâncias.

João Pedro Castro, o mentor de toda esta história, incluindo, naturalmente, o argumento, é um homem conhecido na cidade pela sua bonomia e forma de estar  descontraída, mas também pela sua dinâmica e capacidade de iniciativa, o que sempre fez com que as pessoas que o rodeiam aderissem às suas propostas, mesmo quando menos fáceis ou simples de concretizar. Como refere na página oficial do filme: “A verdadeira Arte está na essência de cada um”. A arte de João Pedro encontra-se também aí: na capacidade de extrair de cada um dos que o rodeiam o que de melhor têm para dar.

Desta feita, em 2017, há cerca de um ano atrás, João Pedro Castro, de forma um tanto anódina, lançou o repto a um grupo de amigos para participarem na feitura de um filme sobre a vida na cidade. Estes seriam – são -, os homens e mulheres que dão a cara por algo em que jamais haveriam pensado participar. De homens e mulheres comuns viram-se, de um momento para o outro, transformados em estrelas da sétima arte.

Maria José Carneiro referiu que “a ESCCB foi um parceiro fundamental na realização deste ambicioso projeto, ao integrá-lo no seu Plano Anual de Atividades para 2017/2018 do Curso Profissional de Audiovisuais.” No mesmo documento relembrou, àqueles que tantas vezes colocam em dúvida os bons serviços da Escola Pública, que”uma instituição vale pelas pessoas que a representam, de tal forma que a excelência do trabalho apresentado, traduz a competência, empenho e compromisso de diretores e professores que resultam, no imediato, na formação de alunos capazes e cidadãos aptos a dar o seu contributo social.”

Na mesma ordem de valores, a professora do AECCB, salientou que “o projeto ‘Estórias de Villa‘ serviu para demonstrar que em cada um de nós há sempre uma dádiva disponível para o bem social, uma valência existente que nos torna únicos e especiais”, deste modo se referindo ao contributo dado pelos atores que compõem o elenco, gente de outras paragens, que não se poupou a esforços na prossecução desta nobre tarefa de vitalidade cultural.”

Setenta anos depois de Manoel de Oliveira e do seu filme ‘Famalicão‘, eis que surge novamente uma obra pensada e executada por uma improvável parceria, composta por uma instituição pública e por ilustres anónimos da sociedade civil.

Como atrás ficou dito, o filme não poderia ter sido feito apenas com eles. Agora que as filmagens terminaram, é necessário que pelo menos os famalicenses fiquem a conhecer também alguns daqueles que estiveram por detrás deste grande projeto, mas não aparecem a público.

 

Como não podia deixar de ser, falamos com Maria José Carneiro, diretora do curso profissional técnico de audiovisuais da Escola Secundária Camilo Castelo Branco – ESCCB, escola sede do Agrupamento de Escolas com o mesmo nome, de Famalicão, e ouvimos também alguns dos jovens estudantes que estiveram envolvidos em toda a produção.

 

Pedro Costa: Maria José, como e quando se deu o envolvimento da ESCCB no projeto do João Pedro Castro, Estórias de Villa? O que a fez acreditar neste projeto e na sua exequibilidade?

VN Online | Estorias de VillaMaria José Carneiro: Fui contactada na qualidade de diretora do curso de audiovisuais da ESCCB, pelo João Pedro Castro, que formulou o convite para produzirmos um filme do seu original “Estórias de Villa”. De imediato, tive a perceção de que seria um projeto bastante audacioso e uma experiência única para os nossos alunos, razão pela qual, após efetuar as diligências necessárias junto da direção da escola, aderimos sem pestanejar a este projeto, que tanto prazer e realização pessoal e profissional, tem proporcionado, julgo poder dizer, a todos os que nele participam. Perante um projeto destes, só vejo uma atitude possível, acreditar. Acreditar, na essência do projeto em si, no empenho e no rigor do nosso trabalho. A exequibilidade do projeto é uma consequência direta dos aspetos atrás referidos, mas também, e em que medida, da equipa de pessoas, estamos a falar dos atores que voluntariamente e sem qualquer contrapartida deram durante um ano do seu tempo para contribuir para um bem maior e, por último, do grande dinamismo do João Pedro Castro, que sendo a alma deste projeto, mantém as partes a funcionar numa lógica que a todos envolve, com um fim comum.

Pedro Costa: Que meios foram afinal disponibilizados pela Escola para a concretização deste projeto, Maria José?

Maria José Carneiro: A ESCCB disponibilizou todos os meios técnicos, quer seja em termos de equipamento quer seja em termos de recursos humanos. A equipa de produção é constituída por 6 alunos técnicos de audiovisual que fazem a captação de áudio e vídeo e, posteriormente, todo o trabalho de edição e pós-produção; por mim mesma como chefe de produção e pelo realizador, João Pedro Castro. Contámos nesta matéria com a especial colaboração dos professores de audiovisuais, Carlos Gomes, António Pinto e Alexandre Sousa que colaboraram na gravação de 2 cenas, bem como na cedência de equipamento, de que a escola não dispõe, como sejam sistema de gravação de som, drone e sistema de estabilização da câmara.

Contámos ainda com a preciosa colaboração do professor Rui Mesquita e da sua equipa, que aderiu com grande entusiasmo ao repto por nós lançado, para tocar e gravar os temas musicais do filme. De destacar, a participação do professor Fernando Silvestre em vários momentos e da professora de canto da Gulbenkian, Inês Sofia, que muito amavelmente aceitou gravar um dos temas.

Os alunos do curso profissional de restauração da ESCCB, tiveram também participação ativa na rodagem do filme, numa cena gravada na escola, nomeadamente na preparação e no serviço do jantar, sob a orientação dos professores Andreia Oliveira e Ricardo Lanção. Na preparação desta cena, contámos com a inestimável ajuda das professoras Cláudia Duque, Lurdes Oliveira e Fernanda Pinto.

A publicidade ao filme, no que diz respeito à preparação de material gráfico, como a elaboração de cartazes, etc, está a cargo do curso profissional de design gráfico, com a colaboração do seu responsável, professor Nuno Antunes.

Como facilmente transparece do exposto, a ESCCB disponibilizou e continua a disponibilizar todos os recursos ao seu alcance e como tal, este projeto foi crescendo em termos de abrangência da comunidade escolar, assumindo-se assim como agregador de toda a comunidade e mais ainda, com a sociedade em que se encontra inserida.

Pedro Costa: Qual foi a reação e como foi a receção dos seus alunos ao desafio lançado pelo João Pedro Castro? Quais foram os critérios adotados para a seleção dos alunos que participaram neste trabalho? Como conseguiram gerir e conciliar a estrutura curricular com o trabalho, tantas vezes fora de horas, que um filme desta natureza exige?

Maria José Carneiro: A ideia de que poderiam integrar um projeto maior foi recebida pelos alunos em geral com grande entusiasmo. Tendo o desafio sido lançado a todos os alunos do curso profissional de audiovisuais, haveria que ter obviamente preocupação com as competências evidenciadas por cada um deles, mas mais ainda, com a disponibilidade e espírito de compromisso, fatores fundamentais, quando se trata de trabalho continuado, exclusivamente extra-aula, desenvolvido aos fins-de-semana e feriados, durante um ano de gravações. Portanto, a seleção acabou por se fazer de forma natural e claro nestas circunstâncias, os alunos com melhor desempenho são aqueles que também revelam maior disponibilidade. Acaba por ser uma questão de atitude que traduz uma certa forma de estar na vida.

 

Os alunos do Curso Profissional de Audiovisuais do AECCB, quando confrontados com a possibilidade de realizarem uma longa-metragem, receberam o projeto ‘Estorias de Villa’ com expectativa, mas também com entusiasmo. Afinal, de modo algum surgem todos os dias oportunidades como esta numa escola. As impressões colhidas deixam esse registo bem claro.

As filmagens foram feitas ao longo do ano, em alturas de disponibilidade dos formandos, em horário extra-aula, e de atores, sempre em ambiente de grande confraternização e de sã convivência entre todos, o que evidencia em algumas das declarações que os alunos efetuaram sobre a experiência que acabaram de viver.

Paulo Loureiro, operador de câmara, som e luz, de início, quando recebeu “o convite para fazer parte da equipa técnica do projeto ‘Estórias de Villa’, sentiu-se “um pouco dividido”. Diz ele: “Por um lado sabia o quão demorado e complexo este trabalho seria, mas por outro lado sabia que havia uma grande vontade, por parte de todos, de realizar este filme. Foi isto, sem dúvida, o que mais me motivou a contribuir para este projeto.”

Também editor do filme na sua fase de pós-produção, acrescenta Paulo Loureiro, com muita satisfação: “Havia uma grande necessidade de darmos muito de nós, muito do nosso tempo e muito do nosso conhecimento prático, ainda que o considere limitado. Foram muitos fins-de-semana em que estivemos a rodar, muitas semanas de pós-produção, entre outras coisas, tudo dedicado a este projeto.”

Agora que as ‘Estorias de Villa” se encontram praticamente concluídas, podemos afirmar que “foi sendo possível ver um crescimento exponencial quer dos atores quer da equipa técnica, Algo que também tem sido bastante compensador é o feedback que vamos recebendo das pessoas que acompanham este projeto.”

“O mercado de trabalho procura cada vez mais jovens que consigam pôr em prática os conhecimentos adquiridos nas escolas.” Por essa razão, Paulo Loureiro acredita que a sua gratificante participação no filme ‘Estórias de Villa’, como “exemplo de profissionalismo, empenho e símbolo de grande trabalho de equipa”, será um dos seus cartões de visita para o mercado de trabalho na área do audiovisual.

Nuno Loureiro, técnico de luz, vídeo e som, tal como o irmão, por seu lado considera que este foi, sem dúvida, um desafio que desde o início o motivou. Em mente, “não tive apenas razões profissionais, mas o intuito de deixar um bom produto audiovisual na história de Vila Nova de Famalicão.”

Nuno relembra o esforço desenvolvido ao longo dos últimos meses: “Quando se decide fazer parte de um projeto desta dimensão, com um número de intervenientes de suporte técnico tão reduzido, temos naturalmente que dar muito de nós próprios – tempo familiar, tempo de lazer e até tempo de descanso. Mas foi bastante compensador, até pela relação que existe e se prolonga entre atores e equipa técnica.”

Nuno Loureiro considera a experiência de desenvolver este projeto também muito gratificante. “Hoje, ao visitar a página de facebook do filme ‘Estórias de Villa’ e ver o trabalho de mais de um ano de filmagens, tenho uma sensação indescritível.”

Contudo, tem dúvidas no que se refere às potenciais vantagens em termos de trabalho futuro uma vez que “cada empregador tem um método de recrutamento específico.” Mas acredita que sai “deste projeto com mais competências a nível técnico e de comunicação, sem dúvida nenhuma.” Pelo que “partindo desse pressuposto, poderei vir a ter vantagens no mercado de trabalho. Espero que sim até porque acredito que aquilo que fui aprendendo ao longo desta jornada é impossível aprender em contexto de sala de aula.”

Margarida Pires Alves teve também uma experiência diversificada ao longo da construção das ‘Estorias’ de Villa. Filmou, gravou áudio e preparou a iluminação em várias cenas. Desde o início, sentiu-se “bastante entusiasmada pois ia ter uma experiência diferente do que estava habituada a fazer.” Esse entusiasmo refletiu-se na “dedicação e responsabilidade” com que se dedicou ao projeto.

Considerando ter aprendido “bastante” tomar contacto com aquilo que considera ser “o verdadeiro trabalho”, Margarida crê que “a experiência ganha é o fundamental” para lhe proporcionar eventuais saídas profissionais.

Outro dos jovens junto de quem recolhemos opiniões sobre a experiência em ‘Estorias de Villa’ foi Márcio André Araújo. Márcio recorda, desde logo, que a sua “primeira reação em relação ao desafio lançado foi muito boa, pois vi que ao participar na realização deste filme ficaria com muito mais experiência e melhor preparado para o mercado de trabalho.”

Sempre “com muito empenho e interesse”, Márcio gravou os planos no filme, interagiu com os atores e deu apoio em tarefas diversas relacionadas com a preparação do equipamento.

Márcio Araújo salientou dois pontos como relevantes na sua participação: as “experiências muito boas que vou levar para a vida e as novas amizades.”

No âmbito profissional, considera também que a experiência será vantajosa porque “quando for procurar emprego, se a empresa vir que participei na gravação dum filme será mais fácil ficar lá a trabalhar.”

Por fim, ouvimos ainda Diogo Oliveira, outro jovem aluno do Curso Profissional de Audiovisuais do Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco. Diogo tomou conhecimento do projeto numa palestra na escola. “Soube que estavam a decorrer as gravações do filme e voluntariei-me imediatamente para fazer parte destas.”

“Quando me falaram acerca deste projeto, fiquei logo com um interesse enorme pelo mesmo. Seria uma maneira de eu conseguir aprender e melhorar as minhas capacidades com pessoas que entendem da área na qual eu estou a estudar.”

Diogo Oliveira é um dos operadores de câmara do filme. Diogo considera este trabalho um dos mais gratificantes que pode haver no cinema. “Podemos ver constantemente o nosso trabalho em todo o tempo que dedicamos a este projeto. Diogo vê mesmo esta experiência como “uma das mais gratificantes que já tive desde que cheguei ao secundário. Abriu-me muitos caminhos e deu-me a conhecer imensas pessoas. Tenho a certeza que se algum dia necessitar delas, a nível profissional, poderei contactá-las, pois sei que farão um excelente trabalho.” Acrescenta ainda: “Penso que este projeto irá abrir-me imensas oportunidades no futuro e ajudar-me-á a conseguir uma boa entrada no mercado de trabalho, pois é um projeto grande e com muito nome.”

 

Em jeito de conclusão, Maria José Carneiro quis deixar ainda “uma nota especial de agradecimento a todo o elenco e, muito em particular, ao realizador do filme, João Pedro Castro, pelo tratamento ‘vip’ proporcionado aos alunos envolvidos nas filmagens, tendo-lhes facultado transporte e alimentação a expensas próprias, mas também aquilo que é mais importante para uma escola, formação privilegiada em contexto real.”

A Diretora do Curso de Audiovisuais recorda que “as limitações logísticas e/ou técnicas nunca foram um entrave para a materialização do objetivo final, isto é, produzir uma obra cinematográfica original, em Famalicão, com atores de Famalicão. Com base nestas premissas, foram também preocupações da produção rodar algumas das cenas mais importantes em locais emblemáticos do nosso concelho, tais como a Casa de Camilo, o Museu do Automóvel Antigo e o Parque da Devesa, entre muitos outros locais, precisamente com o intuito de promover a nossa terra.”

Maria José Carneiro considera que este “é um projeto que a todos valoriza. Em primeiro lugar, a escola pública, que acrescenta um “Plus” ao curriculum dos alunos envolvidos no projeto e, em simultâneo, valoriza todos os que quiseram dar o seu generoso contributo nesta audaciosa empreitada. Por último, porque enaltece toda uma comunidade.”

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Ligações:

Entrevista | João Pedro Castro – Estorias de uma Villa, em Vila Nova Online (19/01/2018)

Estorias de Villa: Página Oficial – facebook

João Pedro Castro: página pessoal – facebook

Maria José Carneiro: página pessoal – facebook

Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco: Homepage

Agrupamento de Escolas Camilo Castelo Branco: Página Oficial – facebook

Escola Secundária Camilo Castelo Branco:  Página Oficial – facebook

 

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Categorias: Cultura, Sociedade

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Pedro Costa

Diretor e editor.

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