Frente Atlântica une-se para fortalecer apoio aos ucranianos

Frente Atlântica une-se para fortalecer apoio aos ucranianos

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‘Somos Todos Ucrânia’, clamam bem alto o Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos, unindo esforços numa campanha para dar uma resposta concertada e de grande escala à crise de novos refugiados que a invasão da Ucrânia está a desencadear.

“Não pode haver eufemismos nem branqueamento para o que se está a passar. A Rússia invadiu um país livre e independente e está a cometer um hediondo crime internacional”, faz questão de deixar claro Rui Moreira, o presidente da Câmara Municipal do Porto, convicto de que “nós somos livres, mas a Ucrânia também o será”.

Frente Atlântica estabelece protocolos com ordens dos Advogados e dos Psicólogos

Os três municípios fundadores da Frente Atlântica encontraram-se, na manhã deste domingo, na Casa do Roseiral, e firmaram protocolos com o Conselho Regional do Porto – Ordem dos Advogados, para disponibilização, no Gabinete do Munícipe, de serviços de apoio e/ou consulta jurídica, a fornecer pro bono, e com a Ordem dos Psicólogos Portugueses, para a implementação de uma resposta do foro da literacia e saúde psicológica e bem-estar, no âmbito de processos de paz, ao cidadãos de nacionalidade ucraniana.

Para Rui Moreira, “este simples ato, em que todos nós hoje participamos, é por demais simbólico e representativo daquilo que nos define”. “Estamos aqui todos a cumprir democracia e a lutar contra a tirania de um Estado agressor”, afirmou Rui Moreira, acrescentando a vontade de “afirmar o Humanismo e a Solidariedade e repudiar a barbárie e a soberba”.

Agradecimento aos ‘corações sinceros e sensíveis’

Esta resposta humanitária está a ser desenvolvida em cooperação com o Consulado da Ucrânia no Porto e conta também com o facultar de meios e respostas de apoio ao Seminário, que se prontificou a ceder 105 camas para acolhimento de refugiados.

Neste campo, e em articulação com o Alto Comissariado para as Migrações e com o Centro de Apoio ao Migrante do Norte, a autarquia gaiense disponibiliza o hostel do Parque Biológico de Gaia, com capacidade para cerca de 50 pessoas, para acolhimento das famílias ucranianas, enquanto em Matosinhos haverá 24 camas disponíveis no Centro de Apoio à Comunidade, em Leça da Palmeira.

Ao nível do acolhimento das famílias, serão equacionadas soluções para a integração de crianças e jovens refugiados nos jardins-de-infância e nas escolas de primeiro ciclo, assim como prestado todo o apoio educativo, alimentar e psicossocial às famílias e crianças deslocadas.

A Câmara de Vila Nova de Gaia está a elaborar um programa especial que incluirá o ensino da língua portuguesa assim como uma recolha de bens essenciais nas escolas do concelho, que contará com a disponibilização de dois armazéns para depósito das doações.

No portal institucional do Município de Matosinhos foi disponibilizado um formulário para que os ucranianos residentes identifiquem familiares que se encontrem nos países de fronteira, no sentido de que possa ser articulada uma resposta de transporte.

Presente na cerimónia simbólica, a cônsul-chefe da Ucrânia no Porto agradeceu pelo apoio, num momento em que “cada vez mais pessoas precisam de cuidados e ajuda material”, e “pelos vossos corações sinceros e sensíveis”. “Esta cooperação organizada é um apoio significativo da nossa comunidade e das autoridades portuguesas”, garante Alina Ponomarenko, reforçando a certeza de que “o povo ucraniano está a morrer pela liberdade da Ucrânia e da Europa”.

As palavras da cônsul-chefe da Ucrânia no Porto receberam um sentido aplauso por parte das entidades parceiras presentes na cerimónia.

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Coordenar o exemplo de solidariedade da comunidade

Por seu lado, “num tempo em que o individualismo prevalece”, Eduardo Vítor Rodrigues, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, enalteceu a operação concertada que junta os três municípios da Frente Atlântica, “reconhecendo que o tempo que temos pela frente vai ser longo”.

Nesse tempo, acredita Eduardo Vítor Rodrigues, “o voluntariado tem que ser caldeado com organização, com a resiliência e com algum do profissionalismo que os municípios aportam porque têm a capacidade de coordenar as energias que temos no nosso território”. Lembrando a comunidade ucraniana que há muito existe na região, o autarca sublinha que “fazer as coisas bem significa darmos as mãos, dar o exemplo” e trabalhar em rede.

No mesmo sentido, Luísa Salgueiro, a presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, reforçou que “representamos as comunidades destas autarquias que são verdadeiramente exemplares no que toca ao apoio e à solidariedade”. Prontamente deixada de lado “a sensação que poderia dominar, a de impotência”, a presidente da Câmara de Matosinhos, assume que “não é assim que nos posicionamos”.

A autarca matosinhense sublinha a importância de que os refugiados que cheguem à região tenham “uma garantia de integração”, e mencionou “áreas decisivas” de intervenção como a saúde ou a educação. Para Luísa Salgueiro, este Somos Todos Ucrânia “é um exemplo de como as boas vontades são capazes de ultrapassar barreiras administrativas e burocráticas”.

Bens, acolhimento, serviços e emprego para o povo ucraniano

«Somos Todos Ucrânia» prevê a recolha de bens nas juntas e uniões de freguesias, que serão armazenados no Batalhão dos Sapadores Bombeiros do Porto, e transportados para a Polónia, gratuitamente, pela Rangel Logistics Solutions, mas cujo financiamento conta com o apoio de outras empresas, como a Symington. Está equacionada a disponibilização de refeições aos voluntários, junto dos centros logísticos de recolha.

A Câmara do Porto vai colocar ao serviço do Ministério da Administração Interna os meios municipais de Proteção Civil e a sua experiência em apoio humanitário em cenários de catástrofe e de guerra, para fazerem parte de eventuais respostas integradas na área psicossocial, logística e de transporte.

A campanha inclui também a criação de uma bolsa de serviços em diversas áreas – desde advocacia, enfermagem, tradução – para ajuda a uma melhor integração no nosso país; a agregação das ofertas de alojamento e disponibilidade para acolhimento; e, com o apoio de dezenas de associações que representam os profissionais de vários setores de atividade, a criação de uma bolsa para reunir ofertas de emprego que serão encaminhadas para o Instituto de Emprego e Formação Profissional.

A extensão de todo este apoio foi determinada em parceria com as necessidades apontadas pelo Seminário Cristo Rei, em Vila Nova de Gaia, que, desde 26 de fevereiro, e em parceria com a Associação dos Ucranianos em Portugal, tem em andamento uma campanha de recolha de bens essenciais e que já enviou quatro camiões para a frente de combate e para a fronteira.

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Fonte: Município do Porto; Imagem: Miguel Nogueira/MPRT

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