Partido recorda apoios constantes dos contribuintes portugueses e lucros acumulados

PCP solidário com a unidade da luta dos trabalhadores da Continental-Mabor de Lousado

PCP solidário com a unidade da luta dos trabalhadores da Continental-Mabor de Lousado

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Hoje, segunda-feira, 15 de junho, uma delegação do PCP, com a participação do deputado no Parlamento Europeu, João Ferreira, esteve presente na Continental-Mabor, em Lousado, Famalicão, para prestar solidariedade e reforçar o ânimo na luta que os trabalhadores da empresa desenvolvem contra a administração da empresa no sentido de manterem rendimento.

Há cerca de uma semana, a 8 de junho, à entrada da Continental-Mabor, aconteceu um insólito protesto: um grupo de mais de 150 trabalhadores concentraram-se reclamando a manutenção das atuais condições de remuneração que a administração da empresa pretende parcialmente alterar. A administração da empresa mostrou-se surpreendida e manifestou o desejo de entabular negociações.

João Ferreira e o PCP, através de nota emitida pela célula do partido na empresa, consideram “inadmissível a postura da empresa durante esta crise epidémica à boleia de uso de recursos públicos”, facilitada pelas práticas do atual Governo que se traduzem numa Lei de layoff simplificado “de pretensa defesa dos postos de trabalho”.

Que aconteceu afinal?

“Estamos a falar de reduções que podem ir de 480 a 780 euros por mês e que atingem aqueles que trabalham ao fim de semana”, afirmou àquele diário Vítor Sampaio, coordenador da Comissão de Trabalhadores.

Na altura, a empresa pretendia implementar uma redução de 38,5% nos salários de 675 dos 2.400 funcionários da empresa de Lousado, Vila Nova de Famalicão, referiu Manuel Jorge Bento, no Correio da Manhã, citando a Comissão de Trabalhadores.

“Estamos a falar de reduções que podem ir de 480 a 780 euros por mês e que atingem aqueles que trabalham ao fim de semana”, afirmou àquele diário Vítor Sampaio, coordenador da Comissão de Trabalhadores.

Continental-Mabor lembra mesa de negociações

Por outro lado, “não se trabalha ao sábado nem ao domingo, pois não temos encomendas que chegue para este turno trabalhar” da mesma forma, assinala Rui Neves no Jornal de Negócios. A empresa procura chegar a um acordo com a comissão de trabalhadores no sentido de negociar “com a Comissão de Trabalhadores uma nova organização destes turnos”. “Este processo não está fechado”.

De resto, “como é habitual, a Comissão de Trabalhadores faz as reuniões com os trabalhadores e depois volta-se à mesa das negociações”, lembrou a responsável da empresa, adiantando que estas reuniões deverão prosseguir esta terça-feira, tal como é habitual em semelhantes situações.

PCP argumenta em favor dos trabalhadores

João Ferreira e o PCP acham que a empresa não deveria:

  • usar as horas entretanto acumuladas no Banco de Horas, tendo os trabalhadores previamente feito jornadas de trabalho com mais horas do que seria normal com prejuízo do pagamento de horas extraordinárias que constituem valores acima das horas normais, prejudicando a vida pessoal e familiar dos trabalhadores;
  • forçar o gozo de férias antecipadas, desarticulando os momentos que os trabalhadores já tinham previamente planeados para ter a família toda junta nas merecidas férias; e
  • usar o layoff, sendo que, nesta data, obriga a prestação de trabalho de cerca de 90%, tendo usado na fase anterior percentagens de 50% com perda significativa dos rendimentos dos trabalhadores.

Lucros deveriam ser também suporte para crises 

O Partido Comunista Português recorda que, entre outros, que “a Continental-Mabor (…) tem constantemente “recorrido” aos apoios dos contribuintes portugueses através de contratos programa com o estado Português” e que “apresenta lucros acumulados de mais de mil milhões de euros nos últimos 5 anos, sendo em média mais de 200 milhões por ano, com índices de grande qualidade e eficiência e o custo mais baixo por pneu e trabalhador/hora padrão das empresas do grupo.

Aquando do início deste conflito laboral, os trabalhadores manifestaram-se contra o corte das regalias estabelecidas e fizeram saber que “lutaram junto com a empresa pelos avultados lucros de milhões ao longo dos anos”. No caso particular dos trabalhadores de fim de semana, sublinham que se privaram “da sua vida familiar e social em prol da empresa e, como contrapartida de um salário justo que agora ameaça ser retirado”.

Na epidemia ocorreu uma penalização significativa de rendimento dos trabalhadores, pelo que “a Continental-Mabor não deveria “agora, através de alterações a horários de trabalho impor, ainda mais, a perda de salário de muitos trabalhadores”, bem como pretender “cessar o contrato com as empresas de transporte fazendo assim onerar as despesas dos trabalhadores que não têm meios de se deslocar para a empresa, passando estes custos para estes trabalhadores e querendo prejudicar o tempo de descanso dos mesmos porque terão de sair muito mais cedo de casa”.

Em conclusão, “o PCP só pode condenar esta postura da Administração e prestar a sua solidariedade para com o desenvolvimento da luta em unidade de todos os trabalhadores, porque ela é justa e necessária neste tempo em que o grande capital tenta impor e acentuar a exploração de quem trabalha para fazer crescer os seus lucros”.

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Redução de encomendas durante a crise determina redução e suspensão de horários 

Esta unidade industrial famalicense esteve encerrada mais de três semanas, entre 22 de março e 13 de abril, tendo reaberto a 14 de abril, de forma bastante condicionada dada a evolução da Covid-19. A Continental Mabor decidiu implementar a laboração em regime de rotação de equipas, tendo dividido o pessoal afeto à área de produção por três turnos diários, com a primeira equipa a trabalhar 15 dias, enquanto a outra está em casa, mantendo-se suspensa a laboração ao fim de semana.

Para assegurar os pagamentos de remunerações relativos ao período em que os trabalhadores ficassem em casa, a empresa anunciou, aquando do fecho temporário, que iria acionar “os créditos de férias de anos anteriores, débitos de horas extraordinárias existentes, majoração de férias do ano em curso e férias do ano em curso – preferencialmente as programadas para o final do ano (Natal e Ano Novo) -, por essa ordem, e dependendo do tempo em que a empresa estará parada”, para assegurar os pagamentos no tempo em que ficam em casa.

A Continental esteve fechada três semanas, entre 22 de março e 13 de abril. Reabriu a 14 de abril, de forma condicionada por causa do covid-19, com rotação de equipas. O pessoal afeto à produção está dividido por três turnos diários, mantendo-se suspensa a laboração de fim de semana.

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Continental Mabor encerra temporariamente instalações de Lousado

Fontes: CH, CM, JN, PCP; Imagens: DR

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