Júlio Sá

Poesia | Singular construção: Haja RAIAS durante muitos anos

Poesia | Singular construção: Haja RAIAS durante muitos anos

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Mais uma vez, como seria de esperar, as Raias Poéticas 2019 registaram um êxito assinalável. Na senda do que tem vindo a acontecer nos últimos sete anos, as Raias continuaram a promover a criatividade, o pensamento como experiência dançante, a sismologia das sensações, as mutabilidades, as correntezas transfronteiriças das línguas poéticas ibero-afro-americanas, os movimentos giratórios da interrogação estética.

Tanto este como os encontros anteriores têm registado um sucesso bem visível, resultante da singularidade de cada comunicação e da voz poética de cada um dos intervenientes. Também nesta edição, todos apresentam a sua forma peculiar de fazer e de sentir a poesia, perspetivando-a no futuro. Assistiu-se a uma vontade indómita de construir sensibilidades e caminhos alternativos, em direção a uma poesia menos convencional e, sobretudo, menos académica. Foi opinião unânime de que a poesia deve brotar do interior de cada um e apresentar-se, genuína, original, autêntica, simples, única!

Estes encontros têm tido momentos que primam pela originalidade, pela irreverência, pela provocação e, até, pelo sensacionalismo. Temos assistido a excelentes momentos de divulgação da poesia e, sobretudo, tomamos consciência da dificuldade de definir a poesia, face ao sentido de mistério que envolve a inspiração poética. Através da poesia, os poetas procuraram descobrir o significado oculto do Mundo e a justificação da presença do Homem na Terra. Cada poeta, à sua maneira, transmitiu as suas descobertas, criando, através da linguagem, estados psíquicos de emoção estética. Cada um deles explorou, de forma diversa, todas as possibilidades expressivas da linguagem: socorrendo-se de material sonoro, de imagens, de associação de ideias, de construções frásicas, de ritmos, da harmonia imitativa, rimas, aliterações, figuras de estilo e de pensamento, entre outros artifícios da linguagem. Em suma, todos eles, para além de apresentarem uma poesia mais ou menos convencional, conseguiram-nos surpreender e provocar emoções.

A Raias Poéticas permitem projetar o concelho e a cidade de Famalicão como rota do pensamento e da arte ibero-afro-americano. Do mesmo modo permitem ainda aproximar a diversidade, as forças das resistências vivas, as geografias do nomadismo, as intensidades migratórias, as heterogeneidades dos fluxos cortantes. Nestes encontros poéticos assiste-se ao ecoar das multiplicidades, das redobras, da profusão das diferenças, dos espelhos dos entrecruzamentos, criando uma zona de vozes singulares, de vozes devires.

Quase todos “negam” os ditos “clássicos” e esforçam-se por desconstruir a poesia tradicional. Aliás, considero que uma das palavras-chave das diversas comunicações tem sido o verbo “desconstruir”, desconstruir modelos passadistas, desconstruir lugares comuns e desconstruir uma forma de fazer poesia que imita e replica os poetas “clássicos” e mais conhecidos do grande público. Assiste-se a uma vontade de construir sensibilidades e caminhos alternativos, em direção a uma poesia menos convencional e, sobretudo, menos académica. Repito, a poesia deve brotar do interior de cada um e apresentar-se, genuína, original, autêntica, única!

Haja RAIAS durante muitos mais anos!

 

Imagens: (0) Raias Poéticas, (2) Alberto Pereira

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Categorias: Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Júlio Sá

Professor do 3º ciclo e ensino secundário; formador e dirigente associativo.

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