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Muros de irresponsabilidade

 

 

 

O muro ‘da vergonha’ – muro da irresponsabilidade política e social doentia de uma corrente da opinião política conservadora mais retrógrada de que há memória nos últimos tempos no panorama político internacional -, a erguer na fronteira dos Estados Unidos com o México, não foi avante; o México tem um novo Presidente; o Brasil também; falta desferir o golpe letal, já em andamento na Venezuela e, na sua fase embrionária, na Nicarágua.

A teoria da conspiração ganha, assim, contorno perigoso quando constata que um País a desfalecer de fome tem todos os seus recursos económicos, de reservas em ouro inclusive, prisioneiros de uma conspiração articulada com projeção planetária cujos contornos e tentáculos começam a ser, agora, conhecidos. Os recursos naturais e outros de garantia da moeda em circulação sobre pressão de um embargo internacional que visa claramente derrubar um poder para o substituir por outro poder sem olhar a meios para atingir os fins. Sendo que nos meios que usa está a vida das pessoas e a sua estabilidade social. Em paz e harmonia.

A Venezuela deve ser submetida a eleições livres como qualquer outro País onde os indícios de irregularidades processuais tenham sido por demais evidentes como tem acontecido em alguns Países em que a metodologia usada com acesso aos novos recursos tecnológicos tem suscitado dúvidas sobre a sua veracidade.

Assim sendo, Nicolás Maduro terá, dizem, viciado o ato. Simplesmente, outros houve que também, se presume, o fizeram, e ninguém vê a comunidade internacional, minada por políticos de conduta suspeita, a tomar posição sobre aqueles que indevidamente usurpam o poder nos quatro cantos do mundo.

As sociedades atravessam atualmente uma deriva perigosa em que o poder político e outros poderes menores que lhe dão estrutura e consistência se encontram prisioneiro de interesses não confessos, mas que se movimentam à vista de todos. Despudoradamente. Sem escrúpulos.

O futuro está por isso condicionado a fatores externos ao seu normal desenvolvimento.

O Parlamento Europeu, onde o grupo político PPE (centro-direita) detém a maioria dos eleitos, votou o reconhecimento de um autoproclamado Presidente Interino, feito numa praça em ambiente de manifestação contra o recém-eleito Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em que Juan Gaidó, Presidente da Assembleia Nacional se, como é referido, autoproclamou, Presidente interino do Estado da Venezuela.

É caso para pensar que, se a moda pega, a Democracia corre o risco de subversão unilateral ao aceitar a sublevação como forma de imposição política reconhecida.

No entanto, em Espanha, não há muitos meses, aconteceu uma situação de declaração de independência de uma das suas Regiões, a Catalunha, sem que o mesmo Parlamento Europeu se tenha pronunciado: Declaração de Independência anunciada por Carles Puigdemont presidente da Generalidade da Catalunha.

Estamos, assim, perante uma situação de duplicidade de critério que levanta dúvidas fundadas sobre os interesses envolvidos e sobre o controlo político e económico de um Continente, a América, onde os Estados Unidos não abdicam da hegemonia continental e, intercontinental, de domínio económico e financeiro que sentem estar a perder.

A correlação de forças internacional está:

  • em crise profunda de valores;
  • sem rumo definido;
  • sobre uma linha demasiado ténue entre o racional e o irracional.

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