Rebuliços | Sporting sob a banda sonora da Luciana Abreu e da Faixa de Gaza

Rebuliços | Sporting sob a banda sonora da Luciana Abreu e da Faixa de Gaza

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Falemos do Sporting, da nova música da Luciana Abreu e do último atentado na Faixa de Gaza (este último tema com muito menor relevância, pois já se sabe).

Estou a brincar, vá… ninguém quer saber da Faixa de Gaza – a não ser para o ano, quando for o festival da Eurovisão em Israel.

Quem me conhece saberá que futebol não alimenta nem a minha felicidade nem a minha tristeza. No entanto, todo o ambiente em volta do futebol desperta em mim toda uma atracção equivalente ao de um espectáculo de stand up. Casais que em ambiente de amigos colocam em causa o seu relacionamento por divergências de clube, amuos entre amigos, rebuliços nas apostas e questionar decisões no Placard, o vocabulário dos insultos aumenta e eu confesso que aprendo muito quando alguém me convence a ir a um cafezinho ver a bola! Presidentes bipolares, treinadores de bancada, saladas de fruta e o atentado em Alcochete.

Ao certo eu não entendi muito bem o que levantou toda esta algazarra, mas perguntei àqueles amigos que percebem da bola e disseram-me que foi qualquer coisa como o campeonato não ter corrido bem, o Presidente bipolar que quer suspender o Jesus, uma burridade estratosférica qualquer – perdi o interesse passados dois minutos. E então os meninos do clube betinho resolveram mostrar, recorrendo a uma festa temática sobre a Al-Qaeda, incendiando o balneário e rebentam com o cortiço da equipa.

Vi o vídeo dos catraios a chegar a Alcochete, não fosse esta palhaçada ter dado violência gratuita, pareciam os Backstreet Boys a passear. Esta gente pensou “Ui não ganhamos o campeonato, o que vai mesmo resolver isto é invadirmos o estádio do clube que somos adeptos, furar a cabeça do Bas Dost e de certeza que vamos sair como os heróis do desporto, hein?”. É que eu achei isto tão hilariante que fui ver quem era o rapaz e qual o meu espanto quando abro uma notícia que diz algo como “Terceiro melhor marcador leonino de sempre (…) bla bla bla”. A dada altura ouvi dizer que a culpa é daquele senhor, o Bruno de Carvalho. Pois eu acho que a culpa é do demasiado tempo livre e do aumento daqueles cursos para as pessoas desempregadas que não servem para grande coisa! Qual é o argumento? Engatar miúdas no Urban? Em todo o caso, uma vez feita esta valente bosta, entendo que há todo um conjunto de obrigações que os menininhos Juve Cenas têm. E cá vai:

Enquanto isto, sem que ninguém conseguisse evitar, a Luciana Abreu lançou uma música de apoio à selecção portuguesa no magnífico castelhano de Camões e uma espécie de Inglês. Dos maiores atentados terroristas de todos os tempos e ninguém fez nada para evitar isto. Aquela batidinha de samba e de quizomba que tanto caracterizam Portugal, não é? Mas pronto, eu até dava de barato que a deixassem lá lançar a musiquinha, não fosse ela ex mulher do Djaló e tal e ter aquele vínculo ao futebol, o que eu não acho normal é os Backstreet Boys de Alcochete não terem entrado em acção.

“Ui! Esperem lá. Vamos fazer buracos do ozono na cabeça do Bas Dost, conseguir os pontos que nos faltaram no campeonato e resignarmo-nos à música da Lucy”. Isto sou eu a imaginá-los a pensar… mas é meio parvo porque claramente houve ali um qualquer défice!

Houve uma razão que me levou a juntar estes dois temas: são estúpidos…

Aquilo parecia mesmo uma revolta digna de adeptos… só que não porque andaram à batatada e fizeram dois lanhos na cabeça do Bas Dost!

Aquilo parecia mesmo um hino de apoio à selecção portuguesa… só que não porque ela diz “portxugal” e canta em espanhol e inglês.

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Categorias: Crónica

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Vânia Ferreira

Licenciada em Relações Internacionais com especialidade em género mas com uma paixão assumida pela geoestratégia. Profissionalmente, ligada ao comércio internacional de moda e marketing. Adora música, surrealismo e filosofia. Provocadora de nascença e vive a vida sem medo de brincar. Ambiciona um mundo em que todas as pessoas consigam galhofar com os seus próprios defeitos e com os dos outros sem que isso seja sinonimo de guerra.

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