5 e 19 / 5 | Vila Nova de Famalicão

Close Up | Seguir caminho… A Viagem (episódio 2.3)

Close Up | Seguir caminho… A Viagem (episódio 2.3)

Nos dias 5 e 19 de maio, o Close-Up – Observatório de Cinema de Vila Nova de Famalicãoapresenta a sua terceira réplica de A Viagem. Desta feita, e como sempre na Casa das Artes, serão apresentadas quatro sessões. As primeiras duas ocorrem hoje, dia 5, e são destinadas a um público geral; já as duas sessões seguintes apresentarão apenas um filme, na sua versão dobrada em português e na versão original, a serem exibidas no próximo dia 19, serão destinadas a um público familiar.

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A secção Fantasia Lusitana, dedicada à produção portuguesa, destaca neste segundo episódio, que arrancou em outubro passado e se estendeu até esta terceira réplica do Close Up, as mulheres-cineastas. Aí encontramos Rita Azevedo Gomes e Teresa Villaverde, com o seu particular cinema no feminino. Estas realizadoras, com largo e consistente percurso, mas também com filmes recentemente estreados em sala, como é o caso, respetivamente, de Correspondências e Colo.

Correspondências expõe um fulgurante diálogo de imagens, invocando cartas trocadas ao longo de 20 anos entre Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, escritores maiores do tempo do Estado Novo, numa encenação que alterna entre o Portugal salazarista e o exílio no Brasil. A primeira manteve-se no país em que tudo se lia nas entrelinhas, o segundo autoexilou-se no Brasil, mais tarde nos EUA, mas não deixaria nunca de sentir que essa busca de uma liberdade acabaria à mesma por escapar-lhe entre as mãos.

O filme-ensaio estreou no Festival de Locarno, e depois ganhou o prémio José Saramago no Doclisboa. Recusando a simples ilustração visual, este filme coloca atores, amigos, artistas e figuras públicas a lerem excertos de cartas ou de poemas de Sophia e Jorge de Sena, intercalados com planos de lugares com evocações das suas vidas. Apesar das distâncias, a amizade é um lugar eternamente presente.
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Por outro lado, Colo projeta uma reflexão atual sobre as dinâmicas familiares em períodos de graves convulsões sociais. O cenário desenrola-se em tempos de crise económica e a ficção envolve pais e filhos numa complexa queda lenta, mas constante, da qual parece não existir saída. Carlos Natálio, no blogue À Pala de Walsh, refere-se-lhe do seguinte modo: “O que [Teresa]Villaverde parece ter querido filmar, mais do que uma tomada sociológica de posição, foi a queda de uma família. E o que a mise-en-scène vai suportar (…) é essa depressão. Em Colo, as palavras, as dores, as reações, também estão em crise e começam, uma a uma, a submergir nesta dolente crónica de um afundamento.”

Em Colo, uma lisboeta trabalha em dois empregos enquanto o seu marido está desempregado. Têm uma filha adolescente. Como as dificuldades se vão acumulando, gradualmente o afastamento de uns e outros surge e cresce uma tensão entre eles a que não é alheio quer o silêncio quer a culpa. Vitor Ribeiro, na página fb do evento, refere que “o filme é uma reflexão muito atual, e quase serena, sobre o nosso caminho comum, como sociedades europeias de hoje, sobre o nosso isolamento, a nossa perplexidade perante as dificuldades que nos vão surgindo, sobre a nossa vida nas cidades e dentro das nossas famílias. É um filme em tensão crescente, mas que nunca chega a explodir.”

Colo esteve em competição no Festival de Cinema de Berlim. O filme foi escrito, realizado e produzido por Teresa Villaverde (Três Irmãos, Os Mutantes, Transe) e é encenado tendo em linha de conta a dura desintegração de muitas famílias afetadas pela crise económica de 2008 da qual ainda agora começamos a sair. No elenco, destacam-se, entre os demais, os atores João Pedro Vaz, Beatriz Batarda, Alice Albergaria Borges, Tomás Gomes, Rita Blanco, Simone de Oliveira e Clara Jost.

VN Online | Close Up - A Viagem - Episódio 2.3 Prosseguir o caminho

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Para além dos filmes mais dirigidos a um público adulto e crítico do cinema, o Close-up tem tido também a ambição de construir um diálogo com a comunidade promotor do encontro entre gerações. Assim, na secção Sessões para Famílias, que fechará este episódio, será exibida a animação A Idade da Pedra, realizado por Nick Park, uma produção dos Estúdios Aardman que já nos brindaram com peças incontornáveis da animação, como Wallace & Gromit e A Fuga das Galinhas.

Há milhares de anos, durante o período Neolítico, uma tribo de homens das cavernas levava uma existência pacífica e em total sintonia com a Mãe Natureza. Até que, um dia, foi expulso das suas terras por um exército liderado pelo ganancioso Lord Nooth, com o argumento de que terminara a Idade da Pedra e se dava início à Idade do Bronze. É então que Dug, um corajoso rapaz das cavernas, decide unir o seu clã contra o poderoso exército inimigo numa batalha de futebol. A partida, apesar de difícil, acaba por se tornar épica e por salvar a pequena tribo do jugo do adversário.

A Idade da Pedra mostra-nos como aquele que é aparentemente mais forte nem sempre o mais forte é vencedor. Ao longo da sua duração, revela-se um filme em que a boa disposição está sempre presente, ideal para ser visto, de facto, em família, especialmente entre pais e filhos de pequena idade. Hugo Gomes, em C7NEMA, conta-nos que “é a arte rupestre, os mistérios ou os simples devaneios artísticos dos nossos antepassados” que são, possivelmente, “a primeira tendência antecipadora do Cinema, o veículo pré-histórico de narrar ou apresentar uma mensagem pronta a ser encriptada”, acrescentando ainda que “são essas gravuras, no qual se concentra o núcleo de toda a intriga “futebolesca” deste Early Man, mais do que os evidentes “chutes na bola”, que um grupo de homens das cavernas, no intuito de reaver as suas terras, terão que executar em frente à chamada “civilização”. E novamente, são esses testemunhos pictóricos que arrancam e desfiam todo este enredo contaminado pela astúcia dos gags e pela proeza de o fazer sem ridicularizar qualquer faixa etária, sob a batuta de Nick Park.”

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5 de maio, 15h00 (PA)

Correspondências, de Rita Azevedo Gomes (com a presença da realizadora) – trailer

5 de maio, 18h00 (PA)

Colo, de Teresa Villaverde (comentado por Carla Cerqueira, professora universitária e investigadora na área da Comunicação, cujos estudos têm incidido sobre os média, estudos de género, tecnologias e movimentos sociais) – trailer

19 de maio, 15h00 + 17h30 (PA)

A Idade da pedra, de Nick Park (versão portuguesa) – trailer

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Bilheteira Sessões:

Geral: 2 euros

Cartão quadrilátero: 1 euro

Entrada livre: estudantes, seniores, associados de cineclubes.

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Categorias: Agenda, Cultura

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Pedro Costa

Diretor e editor.

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