Melhor Romance de 2019, segundo El País, lançado a 13 de fevereiro em Portugal

Livros | Sob a ‘Chuva Miúda’ de Luis Landero expõe drama familiar, mas também de um país

Livros | Sob a ‘Chuva Miúda’ de Luis Landero expõe drama familiar, mas também de um país

 

 

“Agora já sabe que as histórias não são inocentes, não inteiramente. Talvez também não o sejam as conversas quotidianas, os descuidos e lapsos verbais, o falar por falar. Talvez nem sequer o que dizemos em sonhos seja completamente inocente. Há algo nas palavras que, só por si, implica um risco, uma ameaça, e não é verdade que os vento as leve tão facilmente como dizem. Não é verdade.”

O peso das palavras marca indelevelmente o início de Chuva Miúda, o poderoso romance sobre os rancores familiares considerado pela crítica do El País o Melhor Romance de 2019 em Espanha que é agora lançado a público, em Portugal, pela Porto Editora. “Um livro admiravelmente escrito, pelo qual circula uma espiral infernal de segredos.” O livro estará disponível nas livrarias a 13 de fevereiro.

‘O escritor parte de uma notícia real para compor em ‘Chuva Miúda‘ (Lluvia fina no original) a degradação sucessiva de um coletivo humano que é uma família, mas que também pode ser de um país‘, assinala Juan Cruz na introdução a uma entrevista com o autor publicada naquele diário espanhol.

Os segredos e rancores de família são como “enxurradas que inundam e destroem tudo à sua passagem”. Disso nos fala este Chuva Miúda, cuja história nos prova que um único acontecimento pode ter múltiplas memórias, consoante os sonhos e as frustrações dos seus intervenientes. Neste livro, Luis Landero prende-nos numa teia de confissões – as personagens desabafam entre si, mas também com o leitor – entreabrindo lentamente as portas por detrás das quais se escondem escândalos íntimos e familiares, mas também as misérias de um país que não consegue ver-se livre do seu passado tenebroso.

A história abarca seis dias de ação, dominados por descarados jogos psicológicos que nos fazem perceber que “as narrativas nunca são inocentes, não inteiramente, e não é verdade que as palavras sejam assim tão facilmente levadas pelo vento”. Uma comédia de enganos que se adensa a cada página até ao mais tenebroso dos dramas.

Gabriel decide celebrar o octogésimo aniversário da mãe e, para isso, terá de contactar as duas irmãs a fim de reunir a família para a feliz ocasião. Todavia, estes telefonemas entre irmãos despertam rancores antigos, relembram erros do passado e põem em confronto diferentes visões do mesmo episódio. Aurora, a discreta mulher de Gabriel, é a confidente pela qual passam todas as histórias que durante anos estiveram guardadas no mais fundo de cada uma das personagens.

Luis Landero nasceu em Badajoz, em 1948. Licenciado em Filologia Hispânica pela Universidad Complutense, lecionou Literatura na Escuela de Arte Dramática de Madrid e foi professor convidado em Yale. Estreou-se na literatura em 1989, com o romance Jogos da Idade Tardia (Prémio da Crítica e Prémio Nacional de Narrativa 1990), a que se seguiram inúmeros títulos, entre eles Hoy, Júpiter (XV Prémio Arcebispo Juan de San Clemente) e El balcón en invierno (Prémio Libro del Año del Gremio de Libreros de Madrid e Prémio Dulce Chacón 2015). Traduzido para várias línguas, é considerado um dos nomes essenciais da literatura espanhola.

 

Fontes: PE, El País; Imagens: (0, 1) PE, (2) Itziár Guzmán

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