BD | ‘O Primeiro Homem’ de Albert Camus mantém zonas de mistério na adaptação de Jacques Ferrandez

BD | ‘O Primeiro Homem’ de Albert Camus mantém zonas de mistério na adaptação de Jacques Ferrandez

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Publicada pela primeira vez mais de trinta anos depois da morte de Albert CamusO Primeiro Homem rapidamente se tornou um bestseller mundial, sendo considerada a mais autobiográfica obra do autor. A 24 de abril, a Porto Editora lançou a público a adaptação a banda desenhada deste romance marcante da literatura francesa pela mão de Jacques Ferrandez. Na sua origem fragmentado e inacabado, o manuscrito de Camus ganha uma nova leitura através das imagens de Ferrandez, que preenchem com delicadeza espaços que haviam ficado vazios.

 

 

Albert Camus (1913-1960) deixou uma marca indelével no Século XX que deverá permanecer muito para além dele, tal o impacto da sua visão sobre o homem na sua relação com o mundo, mas também pela sua forma de estar que tantas vezes lhe granjeou inimigos pelas causas sociais e políticas em que se envolveu. Aos olhos dos nossos dias, surge envolto uma áurea romântica de herói injustiçado pela vida.

Sem liberdade, nada pode existir

Ao longo da sua curta vida de filósofo, escritor, jornalista, Albert Camus foi também militante envolvido na Resistência Francesa. Testemunha do seu tempo, viveu de forma intransigente e recusou qualquer filiação ideológica. Libertário, opôs-se às ideologias e abstrações que deturpavam a natureza humana. Na sua obra, desenvolveu um humanismo com base na consciência do absurdo da condição humana e na revolta como uma resposta a esse absurdo. Para Camus, é essa revolta que conduz à ação e fornece sentido ao mundo e à existência.

Albert Camus nasceu na Argélia, em 1913. Licenciado em Filosofia, participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foi então um dos fundadores do jornal de esquerda Combat. A 4 de janeiro de 1960, Camus morreu num acidente de viação perto de Sens, embora investigações independentes também apontem para um possível assassinato. Na sua mala levava inacabado o manuscrito de O Primeiro Homem, o texto autobiográfico que viria a ser publicado apenas em em 1994.

Em 1957 foi consagrado com o Prémio Nobel da Literatura pelo conjunto de uma obra que o afirmou como um dos grandes pensadores do século XX.  Autor de diversas obras de referência, destacam-se, entre os ensaios, O Mito de SísifoO Homem Revoltado e, na ficção, O Estrangeiro, A Peste e A Queda. O Estrangeiro foi considerado, entre os seus compatriotas franceses, o “livro do século”, isto é, aquele que mais marcou os leitores durante o século passado.

Em Portugal, a sua obra tem vindo a ser publicada pela Livros do Brasil (Grupo Porto Editora).

O manuscrito incompleto de O Primeiro Homem foi descoberto nos destroços do acidente de automóvel que vitimou Albert Camus, em 1960. Embora tenha permanecido inédito durante mais de trinta anos, tornou-se um bestseller imediato quando finalmente foi publicado em 1994, inclusive em Portugal, onde se encontra editado pela Livros do Brasil. Por ironia, Camus terá registado mesmo por escrito que esta sua obra deveria ficar incompleta.

O primeiro homem

‘O primeiro homem’ é Jacques Cormery, um rapaz que vive uma vida sem igual. O escritor, Nobel da Literatura em 1957, convoca o panorama, os sons e as texturas de uma infância circunscrita pela pobreza e pela morte de um pai, mas redimida pela beleza austera de Argel, pelo amor que Jacques tem à mãe e à avó, e por um professor que transformará a sua visão do mundo.

Considerado o mais autobiográfico de todos os romances de Camus – que lhe chamou o seu Guerra e Paz e é ele próprio Jacques Cormery – oferece ao leitor um olhar singular sobre a vida do autor e sobre os temas poderosos transversais a toda a sua escrita: a consumação brilhante da vida e obra de um dos maiores romancistas do Século XX. É esta a obra que agora a Porto Editora lança a público sob a forma de novela gráfica.

Jacques Ferrandez, o autor da versão ora editada em Portugal pela Porto Editora, nasceu, em 1955, em Argel. Depois de ter frequentado a Escola de Artes Decorativas de Nice, voltou-se para a ilustração e a banda desenhada. Em 1987 inicia Carnets d’Orient, um fresco sobre a história da presença francesa na Argélia, obra que acabará 20 anos mais tarde. Especialista incontestado na questão algeriana, adapta, em 2009, a novela O Hóspede, de Camus. Os seus livros são objeto de inúmeras exposições, nomeadamente em França e na Argélia. Em 2012, e para a obra Carnets d’Orient, recebeu o prémio especial do júri Historia 2012.

No prefácio a esta edição, Alice Kaplan – professora doutorada em Literatura Francesa – defende que neste livro se sente o dom da improvisação, aliado à fidelidade ao romance: «Para Jacques Ferrandez, o grande desafio era transmitir o essencial da obra, preservando as suas zonas de mistério.»

A Porto Editora tem vindo a publicar outras novelas gráficas, adaptadas a partir de livros famosos: O Diário de Anne Frank, A Viagem do Elefante, de José Saramago e O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.

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