‘Um território que recebe um visitante e não age com desejo mercantil de vender um bem de consumo único é uma oportunidade fracassada de promoção’

Estratégia e desenvolvimento turístico do território

Estratégia e desenvolvimento turístico do território

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O setor turístico é especialmente importante na dinamização da economia sempre que garanta o sustento da qualidade de vida das comunidades residentes. Desde logo, a valorização dos recursos endógenos dos territórios – produzindo para consumir local – na hora de favorecer sinergias entre o sector de atividade primário, no estabelecimento de atividades agropecuárias, por exemplo, o secundário, na transformação dos produtos, e o terciário/turístico na “venda” de produtos e serviços, por fim.

É importante, pois, listar e estimular os ofícios, os produtos da terra, o sabor que permanece e, acima de tudo, afirmar um não aos souvenirs que em nada promovem o tecido económico local e desvirtuam da realidade a quem os consome, suplantando-os. Nesta ótica, devem ser divulgados produtos de excelência turística, acompanhados de estratégias de produção e comunicação, acrescentando ao “onde ficar”, “o que comer”, “o que fazer/visitar”, o “o que comprar”.

Dados recentes de 2017 do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), relativos ao perfil dos turistas que visitam o Porto e Norte de Portugal e que deixam este destino via Aeroporto do Porto (Verão 2017), mostram que as atividades mais praticadas no Porto e Norte de Portugal são as experiências gastronómicas (81%) e as compras (42%) – dois segmentos essenciais onde se podem idealizar ações que encontrem sustento na valorização e qualificação dos produtos locais.

Aproveitar janelas de oportunidade de divulgação turística

Um território que recebe um visitante e não age com desejo mercantil de vender um bem de consumo único (seja durável, mas especialmente semidurável e não durável) é uma oportunidade fracassada de promoção. Aqui, o papel crescente dos empreendimentos turísticos, eles próprios embaixadores do que de melhor para conhecer, provar e comprar, existe. São estes, os parceiros de primeira, na hora de (re)divulgar valores turísticos, uma vez que, tendem a ser os alojamentos, o primeiro interlocutor directo do turista – na indicação de dicas turísticas – quer imediatamente à sua chegada, quer nos contactos à distância efetuados no processo de reserva do alojamento. Abre-se assim, uma janela de oportunidades de divulgação turística, associada à tendência cada vez mais periférica dos alojamentos turísticos, essencialmente em municípios de média dimensão, apontando que divulgar periferias concelhia se e não tão-somente os “centros” facilita a criação de novos valores turísticos, descentralizando geograficamente a oferta.

Numa região em que as paisagens são fecundas de encruzilhadas e de histórias não será muito penoso elencar um roteiro que guie os visitantes por entre os seus diversos vales e os seus aglomerados populacionais.

Há necessidade de maior escala territorial, racionalização e lógica regional

Aqui, encerra-se a noção de cooperação territorial, para maiores possibilidades de desenvolvimento turístico. Incrementar o diálogo do sector turístico dos diversos territórios do Porto e Norte de Portugal, da frente atlântica – Gaia, Porto e Matosinhos – com o Alto e Baixo Minho e o “interior” Norte é, claro, um monumental desafio. A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional – Norte (CCDR-N) e o Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) têm assumido bem o desafio ao abrigo regional da NUT 2 – Norte de Portugal, onde os 86 concelhos concentram quase 35% da população residente em Portugal. Por seu turno, nas NUT 3, os agrupamentos voluntários de municípios revelam-se desafiadores. Dos imensos municípios que compõem o Norte, as entidades intermunicipais têm desenvolvido os seus devidos empenhos de promoção, embora, por vezes, pela sua fragmentação, se dificultem os esforços de investimentos futuros e de cooperação em alguns casos entre concelhos do mesmo distrito; em suma, a necessidade de maior escala territorial, racionalização e lógica regional.

‘Um destino é o lugar de partida para um outro’

A crença de que um destino é o lugar de partida para um outro faz encontrar um plano de ação conjunto para a promoção e marketing territorial de uma atuação que se quer colectiva e viva. Dados animadores: a região Norte atingiu um número recorde de turistas em 2017, ultrapassando os sete milhões de turistas, fasquia prevista para 2020.

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Roteiro para um marketing territorial mais inteligente, criativo, sustentável e inclusivo

Imagem: DR

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Categorias: Economia, Ensaio, Território

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