24/1 Cineclube de Joane, Vila Nova de Famalicão

Cineclube | ‘Ivan, o Terrível’, de Serguei Eisenstein

Cineclube | ‘Ivan, o Terrível’, de Serguei Eisenstein

 

 

 

Serguei Eisenstein é “o” cineasta da revolução soviética. No imaginário coletivo, as imagens dos seus filmes sobrepõem-se às fotografias de arquivo. Amanhã, 24 de janeiro, pelas 21h45, no local habitual, a Casa das Arte de Vila Nova de Famalicão, o Cineclube de Joane apresenta um dos seus clássicos: Ivan, O Terrível.

 

 

Segundo Stéphane Bouquet, ex-redator dos Cahiers du Cinèma, as duas experiências essenciais à formação de Eisenstein foram a sua leitura de Freud e o facto de ter conhecido Meyerhold.

Apaixonado pela arte, Eisenstein enquadra-se nos movimentos de vanguarda, desenha cenários e faz as primeiras encenações teatrais nos anos 20. Depois das artes de palco, envolve-se no cinema. “A sua ambição é educar as massas através do filme, criar a psicologia coletiva do “homem novo”. Daí que a montagem se encontre no âmago da sua escrita cinematográfica. A última sequência do seu primeiro filme, “A Greve”, sobre a revolução fracassada de 1905, mostra, em paralelo, um massacre de bovinos e os operários a serem mortos pela polícia. Um ano depois, em 1906, realiza O Couraçado Potemkin, um enorme êxito internacional que continua a ser um clássico absoluto da sétima arte. Em 1929, parte para os Estados Unidos e filma “Que Viva México!”, uma história do México desde os primeiros deuses de pedra.

O seu regresso à URSS estalinista dos anos 30 é doloroso; só pode exercer a sua arte sob pressão do comando e da censura. Os seus dois últimos filmes são alegorias inspiradas na história da Rússia: do Príncipe Nevsky sobre os cavaleiros teutónicos do século XIII e de Ivan, o Terrível, em que o czar é a metáfora do próprio Estaline. Este último é um hino à nação russa então em guerra e, acima de tudo, ao seu líder.

Poder-se-á, por isso, questionar se Eisenstein terá sido comunista. Talvez mais um marxista sincero, no sentido em que acreditava na infinita vivacidade do povo.”

Por seu turno, João Lopes, no Diário de Notícias, considera que, em Portugal, “o prodigioso Ivan, o Terrível (1945-1958) (…) é uma referência incontornável dos tempos finais da ditadura salazarista, mais especificamente do consulado de Marcello Caetano”, uma vez que “foi durante a chamada “Primavera marcelista”, marcada por alguma abertura do regime à difusão de obras até aí proibidas, que Ivan, o Terrível, chegou às salas portuguesas (outubro 1971), apresentado pela distribuidora Animatógrafo, de António da Cunha Telles.

A identificação de Ivan, o Terrível como um filme de 1945-1958 está longe de ser um preciosismo histórico. Podemos mesmo descrevê-lo como um objeto de inusitada esquizofrenia temática, balizada, precisamente, por aquelas datas. Acontece que a primeira parte, centrada na consagração de Ivan IV (1530-1584) como “Czar de todas as Rússias”, foi aprovada e consagrada pelo ditador Estaline, por certo reconhecendo-se na afirmação de força do protagonista, visto como avatar da “purificação” histórica do próprio comunismo.

A segunda parte, sobre a consolidação do poder de Ivan, enfrentando as conspirações dos boiardos – aristocracia feudal russa -, não teve a mesma sorte: o sistema estalinista viu-a como metáfora do terrorismo de Estado – no que não se enganava – e foi, como tal, banida. Só viria a ser apresentada publicamente em 1958, já na época de Nikita Khrushchev (cerca de dois anos após a denúncia do “culto da personalidade” estalinista, no 20.º Congresso do Partido Comunista da URSS)”.

Sinopse:

Século XVI. Ivan IV, arquiduque de Moscovo, assume o poder na Rússia declarando-se Czar. Casa-se com Anastasia e planeia desde logo ataques para retomar os territórios perdidos. Durante a primeira parte do seu reinado, enfrenta a traição por parte da aristocracia ao mesmo tempo que procura unir o povo russo. Nova colaboração entre Eisenstein e Prokofiev depois de “Alexandre Nevski”. O centro de “Ivan Grozny” é a luta pelo poder – e a sua mais difícil manutenção – por Ivan IV, unificador da Rússia. Prémio Lenine, a primeira parte, a segunda seria proibida, entendida como foi como um retrato de Estaline, o que provocou a queda em desgraça de Eisenstein.

Título original: Ivan Groznyy I (Federação Russa, 1945, 100 min)

Realização, Argumento e Montagem: Serguei Eisenstein

Interpretação: Nikolai Cherkasov, Serafima Birman, Ludmila Tselikovskaya, Mikhail Nazvanov

Produção: Mosfilm

Música: Serguei Prokofiev

Fotografia: Eduard Tissé e Andrei Moskvin

Distribuição: Leopardo Filmes

Classificação: M/12

 

Fonte: Cineclube de Joane e Diário de Notícias

 

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