15/12 a 28/4 Vila Nova de Famalicão

Camilo | ‘Evocar Maria Moisés’ em S. Miguel de Seide

Camilo | ‘Evocar Maria Moisés’ em S. Miguel de Seide

 

 

 

No seu Centro de Estudos Camilianos, a Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, vai inaugurar no próximo sábado, 15 de dezembro, pelas 16h00, a exposição “Evocar Maria Moisés”. Trata-se de uma mostra coletiva em que os artistas foram convidados a realizar uma obra inspirada na novela Maria Moisés de Camilo Castelo Branco. Cada um utiliza a técnica da sua preferência, através de pintura, escultura e fotografia. A sessão contará com a representação do teatro de marionetas ‘Maria Moisés’, pelo Serviço Educativo da Casa de Camilo.

 

 

“Filha de Josefa de Santo Aleixo e de António de Queirós e Meneses, Maria é a heroína da segunda parte do conto epónimo. Conhecemos a sua história ab initio, desde que Francisco Bragadas ouviu o choro de uma criança, na noite de 27 de agosto de 1813, nas margens do Tâmega, onde pescava. O caseiro de Santa Eulália recolheu o recém-nascido do berço de junco e entregou-o a Isabel, a mãe dos seus onze filhos, para que o amamentasse, enquanto ia comunicar aos fidalgos o episódio”, assim começa por apresentar Maria Eduarda Borges dos Santos a personagem camiliana Maria Moisés na sua entrada no Dicionário de Personagens da Ficção Portuguesa. E acrescenta: “A escolha de um sobrenome para a enjeitada é um dos fatores que mais contribui para o relevo diegético da personagem e, por conseguinte, para a sua figuração. (…) Por outro lado, o nome e o sobrenome, ambos de conotação religiosa, prenunciam o nobre objetivo que a personagem delineia para a sua vida”. Em relação ao conto, Maria Eduarda Borges dos Santos considera que este “evidencia, ainda, uma íntima relação com teorias filosóficas e literárias da época, bem como com episódios políticos dos séculos XVIII e XIX”.

Adias Machado, um dos artistas plásticos convidados a participar nesta evocação de Maria Moisés, relembra o que fez de si um leitor apaixonado pelos romances de Camilo Castelo Branco. “A partir de um determinado momento da minha vida, ainda jovem, comecei a ter contacto com a obra camiliana, assim como pela sua vida. Camilo foi um homem fora da sua época, nas atitudes audaciosas, persistentes e perseverantes para com os seus infortúnios amorosos. O malogrado de Seide caminhou comigo na alma entre a luz e a sombra. Jovem pintor, fervilhava-me no sangue a personagem que inspirou muitas das telas da minha obra. Aquando das comemorações do centenário da sua morte, realizadas em Vila Nova de Famalicão, acabariam por culminar numa exposição dedicada a Camilo, assim como com uma obra selecionada para uma exposição nacional dedicada ao autor de S. Miguel de Seide”.

O pintor de Riba d’Ave recorda também que, “por proposta da Casa de Camilo, pelo então seu diretor Dr. Manuel Simões, foram adquiridas pela Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão parte dessas obras que hoje não sei onde se encontram. Com uma dessas obras – o retrato “Camilo Castelo Branco” – , fui mesmo vencedor do prémio Padre Benjamim Salgado”.

Desta feita, ADias Machado também não poderia recusar o convite inicialmente efetuado pela Galeria Matriz-Arte para pintar sobre o romance de Camilo ‘Maria Moisés‘. Assim, expôs previamente o seu trabalho juntamente com alguns dos artistas presentes nesta exposição, na Galeria Matriz Arte, na cidade de Famalicão, em setembro deste ano. aquando da realização do mural ‘Maria Moisés’, da autoria do grafiteiro muralista Frederico Draw na praceta anexa à Igreja Matriz velha de Vila Nova de Famalicão. “Nada me era desconhecido. A obra camiliana acompanhou-me sempre ao longo do meu percurso. Foi com muita paixão que executei esta obra, até porque o lado social e humano que ela representa apaixona qualquer leitor pelos contrastes sociais e pela dedicação apaixonada de “Maria Moisés” a uma causa – a dos enjeitados – que ainda hoje está bem viva na nossa sociedade. Camilo, nesta obra, apesar de várias vicissitudes, deu-lhe um final feliz”.

Para esta exposição, foram 20 os artistas convidados aos quais se pediu para fazerem acompanhar a obra de uma memória descritiva que permita aos visitantes a relação desta com o livro do escritor.

A exposição ficará patente na sala de exposições do Centro de Estudos Camilianos até 28 abril 2019. Enquanto isso, a  mostra pode ser visitada de segunda-feira a sexta-feira das 9h00 às 17h30, aos sábados e domingos das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30.

Os artistas convidados são: ADias Machado, Adelaide Morgado, Alexandre Carvalho, Angelina Silva, David Lopes, Encarna de Bejar, Fernando Barbosa, Filomena Fonseca, Georgina Ifigénio, Helena Romão, João Araújo, Joaquim Pimenta, Jorge Braga, José M. Filgueiras Moure, José António Passos, Juan Coruxo, Julie Passos, Lianor Gaspar, Paulo Renato Vieira, Rui Rodrigues Sousa.

 

Fontes: Município de Famalicão e Dicionários de Personagens da Ficção Portuguesa

Imagens: Município de Famalicão

 

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