12 a 16/9 Barcelos

Jazz ao Largo 2018 | Pedro Oliveira: A melhor parte destes projetos é usufruir da caminhada mais do que do destino

Jazz ao Largo 2018 | Pedro Oliveira: A melhor parte destes projetos é usufruir da caminhada mais do que do destino

 

 

O Festival Jazz ao Largo vai cumprir a sua 3ª edição entre 12 e 16 de setembro. A programação, que prima pelo habitual selo de qualidade, irá desenrolar-se entre o Largo Dr. Martins Lima e a Frente Ribeirinha da Azenha, em Barcelos. Organizado pelo Município de Barcelos, o Festival Jazz ao Largo é uma ideia da Associação Burgo Divertido.

 

De entrada livre, o evento mantém a fórmula da anterior edição, com os concertos adesenrolarem-se no exterior do Teatro Gil Vicente (Largo Dr. Martins Lima) e as sessões de free jazz na Frente Ribeirinha da Azenha.

Este ano,  o Jazz ao Largo apresenta um cartaz de luxo com alguns dos melhores da atualidade do jazz nacional e europeu, contando com as atuações de Maria João / Ogre – Electric Trio, Jade, Jake McMurchie, Julian Sartorius e Lokomotiv, de Carlos Barretto.

Sobre o Festival, Pedro Oliveira, o seu diretor artístico, também ele músico, recorda que “o objetivo do Jazz ao Largo, desde o seu início em 2016, tem sido o de criar uma oferta cultural e musical em volta da temática do Jazz“, permitindo, deste modo, apresentar “à comunidade barcelense as várias linguagens deste género musical, assim como dar ênfase aos agentes e músicos que mais se têm destacado nesta área.” O festival Jazz ao Largo, nas suas 3 edições, “mostra nomes firmados e novos talentos, envolve a comunidade juntando músicos da cidade em espectáculos únicos e criados de propósito para o festival. O Jazz ao Largo tem também permitido “trabalhar a formação dos músicos locais através de workshops, de maneira a que o festival não se fique apenas por alguns concertos que acontecem durante 4 dias específicos. A ideia é desenvolver e plantar a semente do jazz e da improvisação, tanto nos espectadores como nos músicos da cidade.

Pedro Oliveira crê que tudo isso “tem sido conseguido ao longo das duas primeiras edições. O público adere em força e não há nada que nos deixe mais feliz do que todos os anos e todos os concertos termos a praça cheia de um público educado e que vem com uma disponibilidade invejável para ouvir jazz.”

Quanto aos critérios utilizados para definir a programação do Jazz ao Largo 2018, Pedro Oliveira reforça que se prendem “sempre com os mesmos fatores” desde o início: a apresentação de grandes concertos de jazz e de nomes históricos da panorama jazzistico nacional e internacional, bem como na aposta em novos valores e linguagens mais exploratórias. Pretendemos envolver os músicos e agentes culturais da cidade e por fim formá-los para que no futuro estejam munidos de mais e melhores ferramentas de criação.

Este ano conseguimos ter uma programação variada, que vai desde nomes conceituados como a Maria João – Ogre Electric Trio aos Lokomotiv que são quase uma instituição do jazz nacional. Temos as novas apostas que serão concertos pela primeira vez apresentados em Portugal. A banda inglesa Jade, o saxofonista Jake McMurchie que colaborou com bandas como Portishead e Massive Attack a fazer um concerto a solo a especial pedido do festival, assim como o Julian Sartorius que tem desenvolvido um percurso invejável participando com nomes como Fred Frith entre muitos outros.”

Por fim, que na verdade será no início pois é com ele que o Festival dá o seu pontapé de saída, “teremos também o Núcleo de Improvisação Barcelense, que junta vários improvisadores da cidade a musicar um filme escolhido pelo ZOOM – Cineclube.” No caso em apreço o filme selecionado foi “Sherlock Jr.”, de Buster Keaton. “Este espectáculo foi uma proposta lançada pelo festival a ambos os coletivos. Como sempre teremos um workshop de improvisação que, este ano, será conduzido pelo super experiente Jake McMurchie que, em 2008, ganhou o prémio de melhor disco de jazz da BBC com uma das suas bandas.”

O Jazz ao Largo conta, nesta edição, com um apoio financeiro reforçado. Confirma Pedro Oliveira que tal se deve “ao sucesso das edições anteriores. Efetivamente tivemos um ligeiro acréscimo no orçamento disponibilizado este ano pela Câmara Municipal de Barcelos, o que nos permite fazer mais e melhor no que toca à oferta que temos para o festival. Em termos de público, desde a primeira edição que não nos podemos queixar. Temos sempre casa cheia, o que nos faz pensar que este ano conseguiremos manter e até subir a fasquia. Embora a tarefa seja quase impossível dado o tamanho da praça – Largo Dr. Martins Lima -, que por vezes já se torna pequena para a quantidade de público que temos tido. Mais do que a quantidade, o que esperamos ainda assim é um público disponível e curioso em matérias de jazz e música exploratória, pois só assim conseguimos manter o sucesso do festival.

A propósito de música exploratória e, em particular, sobre o filme-concerto com que abre o Festival, cuja música resultará de um improviso de um improviso fica a ideia que o risco que os músicos, e a organização, correm pode ser grande. Mas Pedro Oliveira considera que no que toca à qualidade dos seus músicos, “a cidade de Barcelos está e sempre esteve muito bem servida. Não nos podemos esquecer da quantidade de bandas pelas quais a cidade ficou conhecida, um número que nem parece verdade para uma cidade tão pequena”, reforça o diretor artístico do Jazz ao Largo. “O Núcleo de Improvisação Barcelense, embora recente, é composto por músicos experientes e quase todos com mais de duas décadas de carreira. Como “pais” da ideia, sentimos que temos de dar aos nossos “filhos” toda a liberdade para nos apresentarem o melhor que sabem fazer, sem restrições nem muros castradores. Muitas vezes a melhor parte destes projetos está no processo assim como no facto de juntarmos dois agentes culturais da cidade para um projeto único, isso sim é importante. Criar um caminho e usufruir da caminhada mais do que do destino”.

Em jeito de conclusão, Pedro Oliveira agradece “à Câmara Municipal todo o apoio que tem dado ao Burgo Divertido esperando que esta parceria se mantenha por muitos e bons anos” e lança ainda um desafio aos amantes do género musical a que o Jazz ao Largo se dedica: “Apelo a todos os interessados pelo jazz e pela música exploratória que venham. Todas as atividades são de entrada gratuita, incluindo o workshop com o Jake McMurchie que é um dos músicos mais experientes e criativos com quem tive o prazer de conviver. Esperamos por vocês no festival.”

 

As músicas em jogo e os seus intérpretes

A Frente Ribeirinha da Azenha volta a ser palco de sessões de free jazz, durante a tarde, com início às 17h00, por onde irão passar Jake McMurchie, no dia 15, e Julian Sartorius, no dia 16, que encerra o evento.

À semelhança dos anos anteriores, o Jazz ao Largo inclui o referido workshop de improvisação, liderado por Jake McMurchie, que conta no seu curriculum com nomes como Portishead, Massive Attack e a National Youth Jazz Orchestra, dos quais foi músico de sessão. O workshop está marcado para dia 15, às 15h00, sendo que os interessados se podem inscrever através do e-mail  jazzaolargo@gmail.com.

12/9 – NIB plays Buster Keaton

O Núcleo de Improvisação Barcelense vai protagonizar um espetáculo único juntando-se nesta noite à ZOOM Cineclube, para apresentar um projeto inédito para o festival Jazz ao Largo. O NIB propõe-se criar música improvisada em tempo real para o filme “Sherlock Jr.” de Buster Keaton. Ricardino Lomba (sintetizadores), José Moutinho (guitarra), Filipe Coelho (esculturas sónicas) e Helena Silva (violino) serão os intervenientes sonoros deste momento singular que vai abrir a terceira edição do Jazz ao Largo, no dia 12, pelas 21h30, no Largo Dr. Martins Lima.

13/9 – Lokomotiv

No dia seguinte, a programação prossegue com os concertos no exterior do Teatro Gil Vicente de Lokomotiv.

Com 20 anos de existência, os Lokomotiv são um dos mais históricos grupos de jazz portugueses. Carlos Barretto (contrabaixo), José Salgueiro (bateria) e Mário Delgado (guitarra) irão apresentar o seu mais recente disco, “Gnosis”. Entre melodias melancólicas e distorções dissonantes, os Lokomotiv prometem apresentar-se como uma máquina possante, elástica e bem oleada.

14/9 – Jade

O projecto do Inglês Nick Malcolm apresenta-se em Portugal pela primeira vez, para um concerto de estreia de Jade. A banda de Bristol conta, nos seus integrantes, com nomes como Will Harris (Contrabaixo), Ric Yarborough (Bateria e Samples) e Jake McMurchie (Saxofones). Jade junta a improvisação contemporânea, diluída numa electrónica experimental. Com o seu tema de apresentação,”1916″, conquistaram os amantes de jazz pelo mundo fora.

15/9 Jake McMurchie Solo

O Saxofonista Jake McMurchie chega ao Jazz ao Largo para apresentar uma performance única no seu percurso – um concerto a solo. Jake é conhecido pelas suas participações com as bandas de Bristol, Portishead e Get the Blessing, tendo sido, ao longo da sua vida, músico de sessão de variados nomes internacionais. Com os Get the Blessing, ganhou o prémio de álbum do ano pela BBC Jazz Awards. Para além do concerto, Jake McMurchie estará em Barcelos para um workshop sobre improvisação, com entrada livre.

16/9 Maria João  –  Ogre Electric Trio

Os OGRE cruzam o jazz com a música eletrónica. Este projeto da cantora Maria João inclui ainda a participação de João Farinha (fender rhodes e sintetizadores) e André Nascimento (electrónica e teclados). A banda possui uma instrumentação invulgar e uma abordagem artística singular, o que leva o público numa travessia pelo mundo dos sons, saltando fronteiras entre o digital e o analógico.

16/9 – Julian Sartorius

Nascido na Suíça, Julian Sartorius iniciou as suas lições de bateria com apenas 5 anos de idade, tendo o ritmo como elemento distintivo do seu percurso.

Revelando um infindável mundo de possibilidades sonoras a partir da sua bateria preparada, o músico estende as fronteiras do hip-hop e da música contemporânea conseguindo-o mediante uma forma única de sonoridade eletrónica abstrata.

Colaborador de Mathew Herbert, Shahzad Ismaily, Fred Frith e muitos outros, tem corrido mundo em tours a solo ou como músico convidado.

 

 

Fontes: Burgo Divertido e Município de Barcelos

 

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Categorias: Agenda, Arte, LifeStyle

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Pedro Costa

Diretor e editor.

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