Miguel Bandeira

Mobilidade | O novo paradigma da mobilidade de Braga está fundamentado no princípio do cidadão peão

Mobilidade | O novo paradigma da mobilidade de Braga está fundamentado no princípio do cidadão peão

 

 

Braga foi convidada para estar presente na terceira edição do Forum Internacional de Veneza (Itália) – “Mil Cidades, Milhões de Cidadãos: uma visão para o futuro” –, este ano dedicada ao tema “Mobilidade Metropolitana: território, identidade e desenvolvimento” e que decorreu no Palácio do Doges, entre 2 e 3 de setembro de 2018. Para além da anfitriã, estiveram representadas, ao mais alto nível, todo um elenco de cidades muito diferenciadas entre si, como: Corfu e Heraklion (Grécia); Kharkiv (Ucrânia), Linz (Áustria); Mónaco (Principado); Moscovo, São Petersburgo e Plyos (Rússia); Nanjing (China); e, Rabat (Marrocos). Realidades tão distintas na dimensão como na natureza das sociedades e culturas que as compõem.

Como Vereador da Câmara Municipal de Braga agradecemos ao responsável pela Comunidade de Veneza o convite que traduz o reconhecimento do intenso ciclo de dinamismo e desenvolvimento que o nosso concelho atravessa e que vem sendo expresso pela política de abertura e internacionalização que o Presidente Ricardo Rio tem vindo a promover. Há que enaltecer o papel de Veneza como centro global de encontros internacionais e da promoção do diálogo entre culturas, uma tradição de séculos que se mantém e garante neste caso a sustentabilidade da afirmação internacional de Braga, e também de Portugal.

O evento consistiu na apresentação e discussão de diferentes casos, desde a magnitude das inovações tecnológicas, ensaiadas nas grandes metrópoles, até à partilha de práticas e projetos sustentáveis, promotores de uma maior qualidade vida, em experiências efetuadas à escala local. Motivos de vivo interesse e conhecimento mutuo dos participantes, num contexto que o Síndaco da Comune di Venezia, Luigi Brugnaro, sintetizou, como um apelo à integração de ideias e práticas.

Pela nossa parte, para além da promoção de Braga, a região e o País, onde ressaltavam diversos atributos mais recentes, como capital ibero-americana da juventude (2016), a cidade criativa da Unesco (2017) e a cidade europeia do desporto (2018), tivemos oportunidade para apresentar a nossa visão de desenvolvimento da mobilidade sustentável que tem por principal finalidade a transformação progressiva e gradual dos hábitos de vida dos cidadãos. Particularmente nos modos como se deslocam, nas mais diversas circunstâncias e finalidades, numa perspetiva que tem por base a busca de um melhor ambiente, mais saúde e consciência crescente da importância do espaço público. Desde logo dispomos de fatores de oportunidade que concorrem para a mudança. Por um lado, uma demografia jovem (46% de população jovem) e, por outro, a centralidade dentro de uma região densamente povoada e dispersa, próxima da fronteira com a Galiza, que nos permite pensar numa escala de afirmação, em sistema de cooperação com os municípios vizinhos, que transcende a condição de pequena cidade à escala europeia, podendo interagir diretamente com uma massa crítica territorial que pode atingir os 1.5 milhões de habitantes. Para suportar esse desafio contamos com vários elementos favoráveis, como o nosso extenso, rico e variado património cultural e ambiental, as universidades e o politécnico, o Instituto Ibérico de Nanotecnologia, o hospital central de investigação, e o tecido empresarial instalado, que incorpora transferência de conhecimento e estimula a inovação e o desenvolvimento.

Assim, o novo paradigma da mobilidade de Braga está fundamentado no princípio do cidadão peão, que tem acessibilidade crescente ao longo da vida e do espaço, seja ela local e/ou global. Da tradição itinerária das vias romanas, dos caminhos de Santiago, e das rotas beneditinas, que atraem aqueles que nos visitam e valorizam a nossa identidade e os hábitos saudáveis de vida, consideramos a intermodalidade na base daquela que é uma das maiores pedonais urbanas do País (c. 140 mil m2). Mas temos de admitir a necessidade de contrariarmos as crescentes taxas elevadas de circulação automóvel, as emissões e a sinistralidade que lhe está associada. Para isso vimos incrementando a utilização dos transportes públicos que, curiosamente, em Braga, têm vindo a crescer em número de passageiros, contrariando a recessão que se verifica nas áreas metropolitanas.

O Forum de Veneza deu-nos oportunidade de apresentar as principais iniciativas que temos em curso no setor da mobilidade, como os projetos financiados no âmbito do quadro comunitário, decorrentes da implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano/Plano de Ação para a Mobilidade Urbana Sustentável e que têm por objetivo a promoção dos modos de deslocação suaves, o melhoramento dos transportes públicos, as medidas de acalmia do trânsito, e a implantação de sistemas inteligentes de controlo de tráfego. Com este objetivo tivemos o ensejo de detalhar os nossos projetos: a curto, médio e longo prazo, de percursos cicláveis e de coexistência de tráfego; o recente projeto vencedor, promovido pelo governo, no plano da inovação urbana, dos Laboratórios Vivos para a Descarbonização (BUILD), numa parceria com a Universidade do Minho, o Centro de Computação Gráfica e o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), os Transportes Urbanos de Braga, e outras entidades públicas e privadas; a valorização dos transportes escolares sobre o transporte individual; e, da instalação das denominadas “zonas 30”, em quatro dos grandes bairros da cidade de Braga.

Por fim, tendo partilhado algumas das iniciativas de divulgação da Comune di Venezia, os participantes foram brindados, no final, pelo Presidente da Câmara de Veneza, Luigi Brugnaro, com um especial agradecimento às cidades presentes, referindo que o fórum se insere na estratégia diplomática de estabelecer relações de amizade com outras cidades, realçando a importância para Veneza de juntar diferentes realidades e retirar aprendizagens que sirvam para melhorar a vida dos seus cidadãos.

 

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Categorias: Política

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Miguel Bandeira

Vereador da Câmara Municipal de Braga dos pelouros Regeneração Urbana, Património, Relação com as Universidades, Urbanismo, Planeamento, Ordenamento e Mobilidade. Docente nas graduações de Geografia e Planeamento, Arquitetura, Sociologia e História; Supervisor de Doutoramento (Geografia, Sociologia e Arquitetura) e Mestrado (Património e Turismo, Engenharia e Sociologia), na Universidade do Minho. Membro da Direção da Associação Portuguesa de Habitação Municipal; da Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico; Presidente da Assembleia Geral da TUB - E.M.; Presidente do Conselho de Administração da Bragahabit - E. M.; Vogal do Conselho de Administração da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva; Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Theatro Circo, E. M. e Vice-Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Bracara Augusta.

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