Viver | Políticas Sociais Intergeracionais

Viver | Políticas Sociais Intergeracionais

 

 

A Política social é vista como uma ação governamental desenvolvida por meio de programas que visa proporcionar condições dignas de vida ao cidadão e a todos os cidadãos de forma justa. Uma sociedade é construída com pessoas e tem de haver uma responsabilidade com as suas gentes, com toda a população desde a infância até a terceira idade.

Neste artigo, vou centrar-me em duas temáticas, bastante abrangentes, de grande premência e atualidade: Educação Especial e as Dificuldades do quotidiano dos nossos idosos.

1- A Educação Especial tem por objetivo faciltar a aprendizagem através de meios técnicos e humanos de modo a compensar as limitações de que sofrem determinados alunos.

Na teoria, tudo é muito assertivo e parece fácil de aplicar, mas quando estamos no terreno a realidade é totalmente diferente, começando logo pela falta de recursos, sejam eles técnicos ou humanos. Entre muitas outras falhas, sabemos de inúmeros casos de muitas escolas deste país onde existe apenas uma única sala de Educação Especial, pouco apetrechada com recursos educativos adequados (um simples pc, falta de muitos cd ou até mesmo de software e jogos educativos), o mais das vezes sobrelotada, com pelo menos vinte alunos portadores de diferentes patologias, faixas etárias distintas e até mesmo níveis de aprendizagem diferenciados.

Especificamente sobre os recursos humanos, a situação ainda é muito mais grave. As equipas multidisciplinares, estipuladas em decreto de lei, são compostas por professores da Educação Especial, técnicos especializados (terapeutas da fala, fisioterapeutas, entre outros) e assistentes operacionais, integrados no, ou em cooperação, com o CRI – Centro de Recursos para a Inclusão – de uma determinada área de atuação, são em número muito diminuto para as reais necessidades dos estabelecimentos de ensino.

No intuito de colmatar estas dificuldades, muitas famílias vêem-se obrigadas a recorrer a terapias e terapeutas fora da escola porque o que esta é capaz de  na realidade oferecer fica muito aquém do estipulado por lei.

Falemos de casos reais: um aluno autista tem de ser acompanhado por diversos técnicos que utilizam uma diversidade de terapias. Eventualmente será integrado numa turma onde terá o acompanhamento do professor da Educação Especial, do psicólogo escolar – que tem muitos casos para acompanhar -, e um ou outro terapeuta, como por exemplo, o da fala. Mas como qualquer professor e técnicos especializados sabem, este aluno tem de frequentar outras terapias (por exemplo, musicoterapia, aromaterapia, equoterapia, cromoterapia, entre outras), as quais ficam ao encargo das famílias. Estas últimas, bastas vezes com dificuldades financeiras, muitas vezes restringem o consumo de bens essenciais, para pagarem estas terapias (há sessões a custarem 40 euros e que para terem efeitos devem ter uma frequência semanal).

Após o decreto de lei 3/2008 de 7 de janeiro, surgiu o 54/2018 de 6 de julho o que nos leva a uma conclusão: leis não faltam, o que escasseiam são os recursos técnico – financeiros e humanos.

Também gostava de colocar outra questão: após a escolaridade obrigatória que encaminhamento podemos dar a estes alunos?

Outro tema muito importante na área social reporta-se ao modo de vida dos nossos idosos, tanto mais que, segundo um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde), Portugal é o quinto de cinquenta e três países que tratam pior os idosos.

Trata-se de uma fase muito difícil devido à transição da vida profissional para a aposentação, ou seja, passar de uma vida bastante ativa para um estilo de vida mais inativa e sedentária. Este choque mexe muito com a autoestima dos idosos e, no meu entender, devia ser acompanhado por psicólogo especializado em geriatria. Para além disso, os nossos idosos deveriam ser acompanhados por técnicos que implementassem estratégias inerentes ao desenvolvimento das suas capacidades motoras, mas também deviam ser estimulados a desenvolver a parte neuropsicológica com atividades cognitivas. Os idosos ativos são mais saudáveis, pois têm tendência a se isolarem menos e não caírem tanto na solidão e depressão.

Outro problema tem a ver com as reduzidas pensões que os idosos auferem (algumas delas mais ou menos de 255 euros). Os idosos, para além de terem as despesas normais de renda, água e luz ainda têm mais encargos com a sua alimentação, que deveria ser especial, bem como com a sua medicação. Quantos vão à farmácia e só levam metade dos medicamentos… e outros tantos andam malnutridos! E mesmo se a maioria recebe entre 400 a 500 euros mensais, este valor fica muito aquém das necessidades para uma vida digna.

Ainda segundo o mesmo estudo da OMS, refira-se que 39 por cento de idosos são vítimas de violência doméstica. Por outro lado, acrescente-se, segundo os hospitais públicos portugueses, entre cinco a dez por cento das cerca 20 mil camas existentes nos hospitais estão ocupadas por idosos abandonados pelos próprios familiares. Estes números deixam boas indicações do muito que há ainda para fazer para melhorar a qualidade de vida destes nossos concidadãos.

 

Pub

Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Cláudia Machado

Licenciada em História via Ensino pela Universidadedo Minho. Lecciona atualmente a disciplina de História e Geografia de Portugal, no 2º ciclo. Apaixonada pela leitura e a natureza.

Escreva um comentário

Apenas utilizadores registados podem comentar.