Vila Nova de Famalicão

9/4 | Município de Famalicão assinala Centenário de La Lys: Lápide, exposição e Dicionário dos Expedicionários

9/4 | Município de Famalicão assinala Centenário de La Lys: Lápide, exposição e Dicionário dos Expedicionários

♦Na próxima segunda-feira, dia 9, a partir das 15h00, na Praça 9 de Abril (junto à Igreja Matriz Antiga), a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, assinala o centenário da Batalha de La Lys, deste modo homenageando, de forma póstuma, os expedicionários  famalicenses.

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A Batalha de La Lys foi um dos maiores desastres militares da história de Portugal. Embora anteriormente fossem referidos milhares de mortos e prisioneiros, hoje em dia pensa-se que os números dos mortos estariam bastante inflacionados, calculando-se que tenham perecido algumas centenas de militares, ainda que as prisões tenham sido aos milhares. Daquilo que não restam dúvidas é que o exército português, na altura, não conseguiu conter um avassalador exército alemão.

Cem anos volvidos, a autarquia famalicense vai homenagear os mais de quinhentos soldados, cabos, sargentos e oficiais famalicenses que participaram neste combate, que ocorreu a 9 de abril de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial.

Em Famalicão, as comemorações da próxima segunda-feira iniciar-se-ão com o descerramento de uma lápide comemorativa no monumento “Aos Mortos da Grande Guerra”, localizado na Praça 9 de Abril.

De seguida, no Museu Bernardino Machado. será inaugurada a exposição documental “A I Grande Guerra e a sua repercussão em Vila Nova de Famalicão’, coordenaada. por Amadeu Gonçalves. Desta exposição fotográfica, constarão diversos painéis, conforme segue:

i) A Intervenção de Portugal; i.i) Colónias: Angola e Moçambique; i.II) Famalicenses em África; ii) 1916: Declaração de Guerra; ii.i) Mobilização. Famalicenses; iii) Viagem Presidencial; iv) Armentières / La Lys; v) O Armísticio; v.i) O Regresso. Famalicenses; vi) Repercussões em V. N. de Famalicão; vii) O Soldado Desconhecido. O Monumento aos Mortos da Grande Guerra em V. N. de Famalicão. Cemitério Richebourg L`Avoué – Famalicenses.

Por último, será ainda efetuada a sessão de lançamento do livro “Dicionário dos expedicionários famalicenses (1914-1918)”, da autoria de Amadeu Gonçalves, de quem apresentamos um depoimento-entrevista, dicionário este que permitirá aos interessados conhecer dados biográficos dos famalicenses que combateram em La Lys e encontrar respostas a perguntas como: “Quem eram os soldados famalicenses que participaram em la Lys?”, “O que lhes aconteceu?”,  “Quem sobreviveu?”, “Quem morreu?” ou “Quem foi feito prisioneiro e onde?”.

Vila Nova Online | Famalicão assinala Centenário da Batalha de la Lys

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Amadeu Gonçalves, o autor do “Dicionário dos expedicionários famalicenses (1914-1918)” começou por realizar a sua investigação no espólio de Vasco de Carvalho, patente na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, o que desde logo permitiu um levantamento de quatro dezenas de expedicionários, já realizado nos anos cinquenta do século passado. Refere o autor que “apesar de [este ser ] um inventário ainda muito incompleto, mas já com algumas preciosas informações,” a sua investigação passaria depois pelo “Memorial aos Mortos da Grande Guerra“e, posteriormente, através do Arquivo Histórico Militar.

Toda esta informação acabou por ser completada por Amadeu Gonçalves mediante o recurso à “imprensa famalicense, nomeadamente “Estrela do Minho”, “O Porvir”, “A Paz” e a “Gazeta de Famalicão”, todos os títulos existentes na Biblioteca Municipal Castelo Branco, encontrando-se a colecção de “A Paz” incompleta. Amadeu Gonçalves considera que, “de qualquer modo, neste momento, a lista dos Expedicionários famalicenses, que nunca será definitiva, ascende, atualmente, a mais de cinco centenas” de militares. Assim, dado em relação a alguns dos militares presentes em la Lys, o autor optou por complementar este “Dicionário” com um quadro, na medida em que a informação de alguns Expedicionários era mínima, resolvendo retirar o nome do mesmo.

No entanto, o autor deste inventário, ressalta ainda: “Não deixa de ser curioso que a imprensa da época, particularmente o “Estrela do Minho”, faz referência à existência de mais de oito centenas, outras vezes [apenas] a mais de três centenas, informação esta que “na altura da inauguração da colocação das placas de mármore no Monumento aos Mortos da Grande Guerra em V. N. de Famalicão, na Praça 9 de Abril, o Presidente da Direcção da Delegação de V. N. de Famalicão da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, Joaquim Alves Correia de Araújo” confirmaria ao exprimir que “no concelho de V. N. de Famalicão existiam mais de três centenas de Expedicionários, estando inscritos na Liga 87,” e salientando, na altura, o facto de ter sido a própria Liga “que conseguiu a inscrição dos nomes dos mortos na Grande Guerra, pertencentes ao nosso concelho.” conforme se encontra registado no jornal Correio do Minho, de Braga, em 10 de Abril de 1936. [Nessa lápide] foram inscritos os seguintes Expedicionários: 1) “Mortos em França” – Luís Moreira, Manuel Veloso de Araújo, Joaquim Ribeiro, Augusto Bento Pereira, Camilo Dias, Francisco Ferreira Barbosa, Augusto Pinto, Miguel Rodrigues Afonso, António da Silva Marinho Pinto, António Ferreira de Azevedo, Daniel Gomes Barbosa, Domingos José de Campos, José de Sousa Soares, Zeferino Ribeiro, António Luís, Jerónimo Ferreira de Carvalho, Alfredo Pereira, Aníbal Carneiro de Oliveira, António Ferreira de Sousa, Joaquim Alves Carneiro, João Ferreira, António Carvalho da Silva, António Joaquim Lopes, Joaquim de Aguiar Pimenta Carneiro, Leandro Ferreira, José de Oliveira e Silva, Augusto Gonçalves Pinto e José Martins; 2) “Mortos em África” – Alfredo de Freitas, António Costa, Aurélio Passos, Manuel Gomes Pinto e José António Martins.

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.Amadeu Gonçalves acrescenta ainda, em relação à desgraça que se abateu sobre o Regimento de Infantaria n.º 29 na Batalha de la Lys, citando o historiador Norman Stone: “Os Portugueses eram usados como carne para canhão em troca do apoio britânico à manutenção do império português em África. Não eram soldados entusiastas. Cederam.” Cita também Martin Gilbert: “Na Frente ocidental, a 9 de Abril, depois de um bombardeamento que durou vinte e quatro horas, iniciou-se a Batalha de La Lys. (…) Os britânicos foram obrigados a recuar. E o mesmo sucedeu a uma divisão portuguesa, contra a qual os alemães enviaram quatro divisões, fazendo 6000 prisioneiros portugueses e conseguindo abrir uma brecha de sete quilómetros na linha britânica. O bombardeamento inicial da artilharia dos alemães foi de tal forma feroz, que um batalhão de portugueses se recusou a entrar nas suas trincheiras.”

“De facto, a Batalha de la Lys provocou uma torrente de prisioneiros. Dos quatro (!) prisioneiros famalicenses apontados por Maria José Oliveira (“Prisioneiros Portugueses da Primeira Grande Guerra Mundial: Frente Europeia – 1917-1918”, 2017”), a recente investigação realizada permitiu alcançar um total de 112, divididos da seguinte forma pelos respetivos campos de internamento: Campo de Milden (1), Campo de Kessel (2), Campo de Uchtermoor Fucheborg (1), Campo de Stendal (1), Campo de Langensalza (1) Campo de Dulmen (11), Campo de Friedrischfeld (17), Campo de Munster II (37) e dos prisioneiros famalicenses com campos desconhecidos contam-se [ainda] 41.

No campo da “solidariedade moral” (Raul Rego, “Portugal a Guerra”, In História da República-III, 1987), Amadeu Gonçalves relembra ainda a intervenção relevante das “Madrinhas de Guerra.” “Uma madrinha de guerra era a “Protetora de um militar em campanha.” Este termo aplicava-se “à criança, senhorinha ou senhora que assistia moralmente ou protegia um soldado em operações, às vezes sem conhecê-lo pessoalmente, escrevendo-lhe, enviando-lhe livros, tabaco, doces, víveres ou presentes”, concluindo: “Durante a nossa permanência na Flandres, senhoras de Portugal e do Brasil, francesas e inglesas, apadrinharam soldados nossos e tomaram a iniciativa de ofertas em comum para serem distribuídas pelos combatentes. A madrinha de guerra foi muitas vezes noiva ou esposa do afilhado.” Desta forma, os Expedicionários famalicenses solicitaram madrinhas de guerra, sendo o veículo mais formal, a imprensa, e, alguns casos, como se poderá, ler [neste Dicionário], foram correspondidos.”

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Imagem de destaque: Monumento aos Mortos da Grande Guerra na Praça 9 de Abril, em Vila Nova de Famalicão (FotoHumberto; fotografia).

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Outras imagens:

Cartaz das Comemorações do Centenário da Batalha de la Lys (Município de Famalicão; divulgação).

Monumento aos Mortos da Grande Guerra na Praça 9 de Abril, em Vila Nova de Famalicão (Postal; arquivo de Amadeu Gonçalves, em “A I Grande Guerra e as suas repercussões em Vila Nova de Famalicão. O Monumento aos Mortos da Grande Guerra”, in Boletim Cultural. V. N. de Famalicão, 4.ª série, n.º 1 (2014-2015), pp. 139-227.

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Pedro Costa

Diretor e editor.

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