Grupo construtor bracarense padrinho da cultura distingue obra de escritor angolano

Pepetela vence dstangola/Camões com ‘Sua Excelência, de Corpo Presente’

Pepetela vence dstangola/Camões com ‘Sua Excelência, de Corpo Presente’

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Pepetela é o vencedor da segunda edição do Prémio de Literatura dstangola/Camões, com a obra “Sua Excelência, de Corpo Presente“. O galardão, no valor de 15 mil euros, será entregue ao escritor e sociólogo numa cerimónia virtual que decorrerá a 5 de maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa.

Esta edição, que contou com cerca de 20 candidaturas, consagrou a obra de Pepetela, escritor angolano nascido em Benguela, que apresenta uma narrativa surpreendente. A partir do caixão, um presidente ditatorial morto relata a sua vida enquanto decorrem as cerimónias fúnebres, percorrendo os caminhos tortuosos dos bastidores da política, amores, sentimentos e a sociedade, em geral. Os pontos de vista do falecido são dados a conhecer através de uma escrita pautada pelo humor e pela sátira, a que Pepetela recorre para construir o romance, que também venceu, no ano passado, o Prémio Literário Correntes d’Escritas.

Escrita universal em romance pleno de ironia e crítica à atualidade angolana e africana

De acordo com o júri, presidido por Irene Guerra Marques, linguista e docente na Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, e constituído pelo jornalista e escritor Carlos Ferreira (Cassé) e por Manuel Muanza, Professor Auxiliar no Departamento de Língua Portuguesa no Instituto Superior de Ciências da Educação, que substitui o anunciado escritor José Agualusa, que, por motivos pessoais, teve que abandonar a constituição do júri, “este romance reafirma a condição de Pepetela como escritor de primeira água, angolano, africano e universal.”

Os jurados consideram “fundamental na obra do autor a sua condição de sociólogo para entender o aproveitamento literário que faz do conhecimento que domina para a sua criatividade e para o desenvolvimento e aprofundamento dos seus enredos”. O júri adiantaria também que ‘Sua Excelência, de Corpo Presente‘, de Pepetela, “é um dos seus exemplos mais apurados, se atendermos não apenas à sua atualidade, como também à forma como mantém, jovem e lúcida, a ironia, a crítica sociocultural e uma criatividade intensa que acompanha os avanços e recuos da realidade angolana e até mesmo africana, no que diz respeito à realidade que vivemos ao Sul do Saara”.

Observador atento da história recente de Angola

Em ‘Sua Excelência, de Corpo Presente‘, “o leitor sente que a escrita vai divagando, tal como divagam e se dispersam os pensamentos, aqui representados quase como um monólogo ininterrupto sobre uma vida de aventuras e enganos, que culminou na idolatria ao ditador. Divagações que de início não sabemos onde nos vão fazer chegar, mas que cumprem o propósito da crítica, em jeito de sátira, que é chave da literatura do autor”, referiu a blogger Natacha Cunha em DeusMeLivro, aquando da sua publicação.

E cita: “Roubam uns mais que os anteriores e todos entre si, não dá para mudar, muito menos prometer mudanças radicais, enquanto não houver gente instruída de outra índole formada de outra maneira. Isso dizem os críticos, sempre bons a julgar os outros. No entanto, quem vai para o poder sempre acha ser capaz de fazer diferente. Para, tempos depois, lhe dar um tédio tremendo porque se vê a fazer o que observava no antecedente, sem nunca evitar as asneiras mil vezes repetidas.”

Pepetela, escritor de origens portuguesas e da Angola independente

Pepetela, de seu verdadeiro nome Arthur Pestana, nasceu em Angola, em 1941, e frequentou o Ensino Superior em Lisboa, acabando por licenciar-se em Sociologia, em Argel, durante o exílio. Iniciou a sua atividade literária e política na Casa dos Estudantes do Império. Foi na luta armada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) que adotou o apelido de Pepetela, que na língua Umbundo significa “pestana”. Durante a guerra pela independência angolana conciliou o papel de combatente com o de responsável pelo sector de educação do MPLA. Até que, enfim, integrou a primeira delegação do movimento que chegou à capital Luanda em 1974, assumindo o governo da nova república independente no ano seguinte. A partir de então, participou ativamente na governação de Angola, após o 25 de Abril. A partir de 1984, foi professor na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, e tem sido dirigente de associações culturais, com destaque para a União de Escritores Angolanos e a Associação Cultural Recreativa Chá de Caxinde.

Entre os livros que o autor escreveu contam-se Parábola do Cágado Velho, O Quase Fim do Mundo, e o mais recente O cão e os caluandas.

Candidaturas para edição 2021 do Prémio de Literatura dstangola/Camões

Estão também abertas até 16 de abril as candidaturas para a 3ª edição do Prémio de Literatura dstangola/Camões, uma iniciativa lançada em 2019  pelo dst group e pelo Instituto Camões que visa distinguir, anualmente e de forma alternada, os trabalhos em poesia e prosa de artistas nascidos em Angola, residentes ou não, com obras publicadas no país ou no estrangeiro, nos dois anos anteriores, desde que em língua portuguesa. A edição deste ano é dedicada a obras de poesia, publicadas em 2019 e 2020, sendo aceites títulos editados em suporte tipográfico e em suporte digital, e-book.

Com um valor de 15 mil euros,  o prémio mantém o júri de referência, presidido por Irene Guerra Marques, linguista e docente na  Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto, de Luanda, e constituído pelo jornalista e diretor do Novo Jornal de Angola, Carlos Ferreira e por Manuel Muanza, Professor Auxiliar no Departamento de Língua Portuguesa no Instituto Superior de Ciências da Educação, e, ao qual caberá a análise, escolha e fundamentação da obra premiada em função do Regulamento do Concurso.

dstgroup, um promotor da cultura

O dstgroup exerce a sua principal atividade na área da Engenharia & Construção e tem sido um mecenas cultural por excelência desde os anos 40 do Século XX.

Há quase 25 anos que promove o “Grande Prémio de Literatura dst”, de âmbito nacional, que se junta a outras iniciativas de apoio e de incentivo à leitura no seio do grupo e junto da comunidade, tendo lançado em 2019 a I edição do “Prémio de Literatura dstangola/Camões”.

Literatura | ‘Sua Excelência, de Corpo Presente’ vence Correntes d’Escritas 2020

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Categorias: Braga, Cultura, Literatura, Livros

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