Galardão atribuído a estudo sobre as habitações romanas no noroeste da Península Ibérica

Arqueologia | Fernanda Magalhães da UMinho vence prémio de melhor tese

Arqueologia | Fernanda Magalhães da UMinho vence prémio de melhor tese

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A investigadora Fernanda Magalhães, da Universidade do Minho, venceu há dias o Prémio Eduardo da Cunha Serrão 2020, com uma tese doutoral sobre as casas romanas ibéricas. O galardão anual que distingue a melhor tese nacional de mestrado e de doutoramento em arqueologia foi entregue pelo presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, José Arnaud, em Lisboa. Fernanda Magalhães recebeu o valor monetário de 2.500 euros e deve ver o seu trabalho, “A domus romana no noroeste peninsular: arquitetura, construção e sociabilidades”, publicado em livro até final do ano.

A investigadora da Unidade de Arqueologia da UMinho (UAUM) e do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT) congratulou-se pelo prémio. “Estou muito feliz, porque é atribuído pela primeira vez a um(a) cientista da UMinho e porque trata o período romano, que não tem sido tão destacado”. “Na verdade”, acrescenta, “esta distinção é de uma equipa de investigação e da UMinho, que tem feito muito trabalho na arqueologia desde os anos 70, nomeadamente sobre Bracara Augusta, permitindo a pouco e pouco revelar vestígios de edifícios públicos e privados, ruas, pórticos e outras infraestruturas”.

A investigação laureada analisou a arquitetura doméstica urbana romana, que tem ligações ao estudo das cidades atuais. Em particular, incidiu no tipo de habitações (domus) construídas entre os séculos I e IV, na última região peninsular a ser integrada na malha administrativa romana. O estudo focou os casos de Braga, Tongobriga, Lugo e Astorga, mas contextualizou com as realidades da Galia, Britannia, restante Hispânia e Norte de África. No caso de Braga – aliás, Bracara Augusta –, verificou-se num quarteirão que as casas de elites tanto ocupavam um lote completo como meio lote. A situação foi similar na Galiza. Portanto, a riqueza do proprietário não significava uma área grande de ocupação da sua casa. Ou seja, a eventual expansão habitacional teria que ser na vertical e não na horizontal. “Estas cidades romanas podiam apenas crescer, se necessário, para cima”. O estudo discutiu ainda funções e usos sociais dos espaços domésticos.

Fernanda Magalhães nasceu em 1980 em Ponte de Lima e vive em Braga. É licenciada em História e mestre e doutorada em Arqueologia pela UMinho, na qual é investigadora do Lab2PT e arqueóloga da UAUM. É corresponsável pelo projeto científico Teatro Romano de Bracara Augusta e pelo projeto de musealização da área arqueológica das Carvalheiras e codirige escavações em vários locais de Braga, colaborando no estudo de materiais e tratamento de informação vinda dos trabalhos arqueológicos. A especialista em arquitetura doméstica romana tem três dezenas de artigos científicos e (capítulos de) livros, tendo participado em projetos internacionais como “Le ‘forme’ dell’acqua” e “Landscapes and societies” e sido membro do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória.

 

Fonte e Imagens: UMinho

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