Ir ao encontro de si mesmo na relação com a natureza e as comunidades locais em Viana do Castelo

Caminhar | ‘Passos de Memória’ vão de Lanheses a Montaria na Serra de Arga

Caminhar | ‘Passos de Memória’ vão de Lanheses a Montaria na Serra de Arga

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No próximo dia 28 de setembro realiza-se mais um percurso “Passos de Memória” – o PEQ 2 – Percurso Equestre Lanheses – Montaria (Serra de Arga), integrado na Rede Municipal de Percursos Pedestres de Viana do Castelo. A Rede Municipal de Percursos Pedestres do Município de Viana do Castelo é mais do que uma ementa de trilhos de mar, rio e de montanha. Pé ante pé, leva o caminhante ao encontro de si mesmo, através da relação com a natureza e com as idiossincrasias das comunidades locais.

 

 

Partindo desde a margem direita do rio Lima, junto ao cais onde outrora acostavam as embarcações vindas do “lugar da passagem”, estabelecendo a ligação entre Moreira de Geraz do Lima e Lanheses, este percurso equestre realiza a subida da vertente meridional da Serra de Arga, em direção à aldeia serrana da Montaria.

A paisagem agrária tradicional da extensa veiga de Lanheses altera-se à medida que penetramos através do vale do Ribeiro de rio Tinto e da depressão agricultada onde se encontra encaixado o rio Seixo, atravessando as freguesias de Meixedo e Vilar de Murteda.

As extensas parcelas de culturas de regadio bordejadas pela vinha que dominam visualmente a planície aluvionar do rio Lima dão gradualmente lugar a uma paisagem agro-silvo-pastoril mais compartimentada e diversa.

Este trilho aproveita um corredor natural de travessia da Serra de Arga, que pode ser considerado uma portela, coincidente com um alinhamento tectónico de orientação ENE-SSW.

Ao longo desta pequena rota, com aproximadamente 13 km, os contrastes paisagísticos são notórios, refletindo a adaptação humana a condições ambientais díspares. Se as áreas aplanadas de fundo de vale acolhem um modelo de povoamento disperso, onde apenas sobressaem núcleos de maior importância histórica, como é o caso de Lanheses, à medida que ascendemos em altitude, modifica-se o movimento do relevo, influenciando a aglomeração dos núcleos rurais e os sistemas produtivos.

Embora muitos dos vestígios arqueológicos documentados na proximidade deste percurso não se encontrem visíveis ou visitáveis in loco, encontramo-nos num território densamente ocupado desde a proto-história, em virtude da relevância dos recursos minerais aqui existentes.

Em Lanheses, Vila Mou e Meixedo foram identificados indícios de atividade mineira que remontam à Idade do Ferro e diversas minas romanas das quais citamos pela sua importância Bouça do Moisés, Cobalta (topónimo que a população local designa por Cova Alta), Rasas e Olas.

Os vestígios do povoado romano do sítio das Olas, onde foram encontrados fragmentos de cerâmica romana tardia, estão muito provavelmente relacionados com a grande exploração de minério de estanho que aí se desenvolveu. Ola seria então a “cidade dos mouros” referida na tradição oral local.

Em Vila Mou encontra-se documentada a existência de um povoado proto-histórico de baixa altitude, implantado numa pequena elevação com pouco mais de 50 metros de altitude, na margem direita do Ribeiro de Rio Tinto. Este povoado da Idade do Ferro foi ocupado durante o Alto Império, dando lugar a uma cividade de grande importância regional, cuja continuidade na época suevo-visigótica e medieval se encontra comprovada. Na proximidade da atual Igreja Paroquial foram ainda identificados vestígios que indiciam a existência de uma villa romana. De Vila Mou até ao Rio Lima existem vestígios de uma calçada do mesmo período.

No sector terminal dos rios Seixo e ribeiro de Rio Tinto surge o importante Campo Mineiro de Meixedo e Vila Mou, ondem foram concessionadas mais de três dezenas de minas com exploração aluvionar, em laboração por diferentes períodos ao longo do século XX, até à década de 80, onde eram explorados principalmente tungsténio, estanho e ferro.

É provável que nos locais onde entre os anos 20 e 50 do século XX existiram jazidas que exploraram filões aplito-pegmatíticos graníticos, mineralizados principalmente pela cassiterite, tenham existido explorações romanas, tanto a céu aberto como subterrâneas como nos indicia alguma da toponímia local, especificamente em Meixedo, onde os lugares “Mata das Cortas” e “Vale Covas”, que evidenciam a antiguidade das explorações primitivas. No entanto, os vestígios mais antigos terão sido mobilizados e danificados pela intensa atividade extrativa do século passado.

Progredindo para montante, a meia vertente da margem direita do rio de Areeiro, afluente do rio Seixo, no lugar de Balteiro, em 1877, foi encontrada uma coleção apreciável de moedas romanas, constituído por 102 moedas em excelente estado de conservação, adquiridas e transacionadas por privados. Este achado terá necessariamente de ser explicado pelo desenvolvimento da indústria mineira na área envolvente, a única capaz de proporcionar nesta altura uma tão avultada concentração de riqueza. A cronologia das moedas está de acordo com a tese mais corrente de que a mineração romana do NW de Portugal começou nos finais do século I a.C. e se prolongou até ao início da época da decadência de Roma.

Pontos de interesse do Trilho:Cais/ Embarcadouro Lanheses, Ponte de Linhares, Paço de Lanheses, Ribeiro de Rio Tinto, Vale/Depressão agricultada do Rio Seixo, Quinta da Ferreira, Igreja Paroquial de Vilar de Murteda, Cascata do Pereiro e Engenho de Serrar, Bosque misto de caducifólias autóctones, Estrutura de Socalcos Tradicionais da Montaria, Moinhos da Costa, Calvário e Igreja Paroquial da Montaria.

Informações adicionais sobre o Trilho:

Nome do Percurso: PEQ 2 – Percurso Equestre Lanheses-Montaria (Serra de Arga)

Data de realização: 28 de setembro 2019
Tipo de Percurso: Pequena Rota
Localização: Lanheses, Meixedo, Vilar de Murteda e Montaria
Distância: 13 Km
Partida: 9h00 (a duração do percurso poderá sofrer alterações em função do ritmo de andamento do grupo e eventuais paragens)
Cota Inicial: 5m
Cota Máxima Atingida: 290m
Cota Mínima Atingida: 5m
Duração: 4h00
Grau de Dificuldade: Fácil
Âmbito do Percurso: Paisagístico/Ecológico/Cultural
Ponto de Partida: Parque Verde de Lanheses
Ponto de Chegada: Largo do Souto
Entidade Promotora: Câmara Municipal de Viana do Castelo
Colaboração: Live Out Life, Lda

A participação na caminhada é gratuita, mas sujeita a inscrição através do preenchimento de um formulário disponível online e que se encontra disponível a partir do dia 19 de setembro 2019 (quinta-feira), às 13h00.

Fonte e Imagens: Município de Viana do Castelo

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Categorias: Agenda, Cultura, Local

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