22/11 Vila Nova de Famalicão

Cinema | ‘As Boas Maneiras’, de Marco Dutra e Juliana Rojas

Cinema | ‘As Boas Maneiras’, de Marco Dutra e Juliana Rojas

 

 

 

O Cineclube de Joane apresenta, no Pequeno Auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão, o filme As Boas Maneiras, uma produção franco-brasileira de Marco Dutra e Juliana Rojas no próximo dia 22 de novembro, pelas 21h45. As Boas Maneiras venceu o Prémio Especial do Júrio d Festival Internacional de Cinema de Locarno e no Festival do Rio de Janeiro os prémios de melhor filme, melhor atriz secundária e fotografia, bem como o Prémio Felix, dedicado às questões LGBTQ.

 

 

Em 2017, este filme, com o seu quê de controverso pelos temas que aborda, foi apresentado no Festival IndieLisboa: “Juliana Rojas e Marco Dutra têm trabalhado juntos em filmes que fundem géneros cinematográficos que antes achávamos impossíveis de combinar. Em As Boas Maneiras o filme de lobisomens junta-se ao musical, tudo coberto com um subtexto político sobre a segregação social no Brasil contemporâneo, onde a homoparentalidade nem sequer é um assunto. Esta é uma história de amor, contada a dois tempos: o amor romântico de Ana por Clara, e depois o amor maternal de Clara por Joel. O filme é protagonizado pela portuguesa, atriz em ascensão meteórica, Isabél Zuaa.

Reza a sinopse do Cinecartaz do Público que, em São Paulo, no Brasil, Ana, uma jovem rica ostracizada pela família, contrata Clara para empregada e ama do seu filho ainda por nascer. À medida que a gravidez avança, Ana começa a revelar um comportamento bizarro, especialmente durante as noites de lua-cheia. Mas, por muito que Clara se aperceba de que há algo de muito errado naquela casa, nada pode antecipar o que vai acontecer no momento do nascimento da criança…

Tiago Dias, no UOL, considera As Boas Maneiras o filme mais surpreendente do ano 2018. Sendo um filme sobre lobisomens, a longa-metragem vai “do clima de mistério e erotismo a uma legítima aventura juvenil, (…) sem deixar de fora o humor e a tensão social. Salientando que este “conto de fadas moderno” em cujo subtexto se encontram presentes de sexualidade e divisões de classe. A esse propósito, a realizadora Juliana Rojas citou como exemplo os filmes de George Romero: “É uma característica muito presente no cinema de horror. Os filmes têm a ver com os momentos em que eles foram feitos, falam de questões sociais e são filmes profundamente políticos”.

O filme alia drama, suspense, terror, romance, comédia e musical. Os atores Marjorie Estiano, Isabél Zuaa e Miguel Lobo dão vida às personagens em filme que “vive de um crescendo feito de mistério e insólito, de uma história de corpos que se transmutam e se devoram. Mas, também sentimos desde cedo, há um filme fantástico a querer sair do ventre”, considera Luís Mendonça em à Pala de Walsh. “É, sem dúvida, uma parábola desconfortável sobre a violência de se ser mãe e o estado selvagem de um “lobijovem” no confronto com o mundo, nomeadamente com a escola. É marcadamente isto, sobretudo a partir da segunda parte, em que o filme, ele próprio, na sua própria pele, sofre uma mutação significativa. Saltamos de um registo mais soturno, e indecifrável, do horror sexual eivado de uma “inquietação de classe”, para uma declarada “fantasia terrena”. (…) O que estava implícito na primeira hora e pouco ganha, a seguir, a densidade de um corpo porventura demasiado explícito, ao passo que quase desaparece do tecido do filme o que era expresso durante essa primeira parte – a inebriante mistura entre lesbianismo, canibalismo e metamorfose animal ensaiada no coração de uma eventual “luta de classes” brasileira.

Marcelo Miller, em Papo de Cinema, referiria que “a delineação do ambiente terrífico é esmerada, com a utilização expressiva de sons e iluminação. Antes do filme deflagrar, de facto, a existência de algo extraordinário e ameaçador na mesma medida, essa atmosfera já cria apreensão. O envolvimento amoroso-sexual entre patroa e contratada é apenas uma etapa antes que o sangue e o perigo inapelavelmente passem a guiar a trama. A lua cheia estilizada no céu de São Paulo é, ao mesmo tempo, elemento potencialmente ligado ao mistério que circunda a gravidez e homenagem franca dos realizadores a obras basilares que, certamente, serviram de inspiração. O sobrenatural insere-se aos poucos, organicamente. Dentro desse itinerário bastante singular, o medo irrompe, tornando-se logo menos implícito”.

Depois de referir as influências de Lynch, Argento e Tourneur, por seu turno, Mário Abbade, no Globo, postula que por meio de uma fábula, a dupla de cineastas coloca um importante comentário político e social a respeito de diversidade e aceitação: Como controlar os desejos, ser diferente e conseguir fazer parte de uma sociedade que ainda se sustenta por códigos conservadores? Atualmente, só seguindo as tais — com ironia no uso da expressão — boas maneiras. ”

As Boas Maneiras, de Marco Dutra e Juliana Rojas – trailer

 

Fontes: À Pala de Walsh, Globo, Papo de Cinema, Público, UOL

 

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