Património | Braga para Todos e Nós Cidadãos: Comprar a Confiança foi um erro, o importante é manter a sua memória

Património | Braga para Todos e Nós Cidadãos: Comprar a Confiança foi um erro, o importante é manter a sua memória

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O partido Nós Cidadãos, que concorreu às ultimas autárquicas, em Braga, e está a preparar a constituição da sua comissão política no distrito, e o movimento Braga para Todos defendem  a alienação do património imobiliário da Fábrica Confiança, alinhando com a posição de Ricardo Rio e do executivo municipal da cidade de Braga em relação ao mesmo.

 

 

Tomando uma posição pública sobre este assunto que tem sido bastante controverso na sociedade bracarense, Elda Fernandes, a sua porta-voz, critica ainda a oposição de esquerda pelo que é considerado “desespero de campanha para as legislativas e oportunismo puro” em relação a algo que se encontrava “clarificado no programa eleitoral da Coligação Juntos por Braga”. Este movimento político e o referido partido, que agora atuam de forma concertada, vão mais além e consideram mesmo que “este nunca devia ter sido adquirido pelo edil”, tal como tem defendido a Juventude Popular desta cidade.

O Nós Cidadãos e o movimento cívico Braga para Todos defendem a venda da Fábrica Confiança:  “Queremos confiar em Ricardo Rio, não porque defendemos  as suas políticas, mas porque a sua proposta prevê o mais importante: manter  a memória da Confiança, um dos maiores edifícios industriais da cidade, ao incluir nos cadernos de encargos a manutenção da fachada, o legado fabril e ainda um museu. Acreditamos que o espaço gerido por privados será menos uma fatura a sobrecarregar o edil, criará postos de empregos e valorizará o espaço”, aproveitando para citar o exemplo de uma parte do antigo hospital de Braga que é agora um hotel, facto que “valoriza o espaço, criou emprego e trouxe camas à cidade. Faz todo o sentido vender a privados quando não há forma de sustentar os edifícios de forma pública, sem esquecer que Braga já possui diversas infraestruturas culturais, como o Altice Fórum Braga, o GNRation, o Theatro Circo e vários outros espaços, como os museus,  com reduzida atração por parte dos bracarenses.”

Defendendo que o Executivo Municipal não deve atuar alheado das populações para as quais governa e que “Ricardo Rio procedeu mal ao anunciar, de modo autocrático, a venda do património da Fábrica Confiança”, o partido e o movimento indicam que “o presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, Ricardo Silva,  deveria ter sido ouvido de forma a fomentar a transparência do caderno de encargos”. No entanto, o Nós Cidadãos e o Braga para Todos criticam abertamente a oposição de esquerda por agir, neste caso, “com um populismo sem igual”. Elda Fernandes acrescenta: “A oposição deveria tomar consciência política do encargo para os bracarenses [que tal manutenção e posterior investimento acarretariam] e que impede acorrer a outras prioridades relacionadas com a dignidade humana”.

Elda Fernandes relembra o essencial das regras do jogo democrático: “Quer se  concorde ou não, Ricardo Rio tem maioria; e isso tem significado. A oposição deve focar-se em pilares para melhorar a cidade”. E atira forte “vinte vozes, não são comparáveis à quantidade de pessoas que confiaram a cidade a Ricardo Rio”. Relativizando a questão cultural como uma “não questão”, estes movimentos políticos recordam que “Braga tem vários espaços, na cidade, que estão mal aproveitados. Mais um, daquela dimensão, seria um erro”.

O uso da memória é estimulada: “Ricardo Rio cometeu um erro ao alugar o  S. Geraldo. Esperamos que  o corrija. Não pode ouvir apenas algumas vozes, mas as vozes dos bracarenses, de todos, ou da maioria possível. Não queremos  mais erros como a Confiança.”

As interrogações ficam no ar: “Quem vai para lá? Associações? Grupos de pessoas sem compromisso nenhum efetivo? A programação é escassa, os vários espaços culturais na cidade estão quase sempre vazios e os que estão com associações independentes da alçada da câmara vazios estão.” E acrescenta: “Se a defesa da manuetenção da Confiança na esfera pública é o facto de Braga precisar de mais cultura, talvez seja melhor entender que cultura não são edifícios a defender o que uma minoria gosta, a cultura é uma das capacidades que afastam o humano do não humano, é o que Aristóteles dizia na Política. ‘O homem é um animal político’ porque é um ser social, constituído por manifestações linguísticas, comportamentos que variam na história, a cultura é a invenção do fogo, literatura, alimentação, organização social, o pensamento,  a cultura é o que nos define a todos, não pode ser reduzida a espaços físicos para alguns porque essa exclusão  diminuiu aquilo que ela é, e que todos somos, sujeitos culturais”.

O Nós Cidadãos e o Braga para Todos  resumem esta estratégia de desespero da oposição como um barómetro para as legislativas, considerando que “os bracarenses devem analisá-la com olho clínico:” É notório que não há liderança no PS, o BE não tem ideias, e a CDU, apesar de ter um vereador, está sem capacidade de se reinventar. Pegam neste tema, porque haverá eleições já em 2019, mas na verdade não dizem nada, não olham para as despesas do edil, para os problemas da feira de Braga, para o mercado, locais em que é urgente intervir e com reflexos no sustento de pessoas.”

Elda Fernandes e o Braga para Todos e o Nós Cidadãos referem que “estes partidos querem aparecer sem trabalhar, sem ouvir os bracarenses, sem entender que a cultura também é trabalhar,  ter comida na mesa. Braga tem muitos palcos culturais, físicos. É muito mais urgente fomentar o espírito crítico dos mais jovens, atuar nas escolas, preparar as novas gerações do que ter mais edifícios a degradarem-se e a endividar o erário público.”

Por essa razão, “a Confiança deve manter a alma do edifício, ser algo economicamente viável e de forma alguma cedido sem custos, porque isso seria beneficiar uma minoria e prejudicar a comunidade, que suportou esta compra com impostos. Quem quer ficar com o edifício que o compre, respeite as salvaguardas do mesmo, para gerir emprego  e certezas que não irá continuar a degradar-se, mas também a dar uma nova vida à Rua Nova de Santa Cruz”.

Em jeito de conclusão da nota enviada à imprensa, o partido e o movimento políticos realçam, em tom de um certo desafio, que “Ricardo Rio tem maioria e Braga precisa de um líder que pense o melhor para a cidade, mas oiça mais os bracarenses e seja um presidente mais próximo.”

 

Fontes: Braga para Todos e Nós Cidadãos

Imagens: (0) Braga para Todos, (1) Junta de Freguesia de S. Victor) e (2) Observador

 

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Categorias: Política

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