Braga

Hi-Tech | Centro Nacional para a Criomicroscopia Eletrónica investigará terapias inovadoras para múltiplas doenças. INL – NanoLab, de Braga, reúne políticos, instituições e empresas

Hi-Tech | Centro Nacional para a Criomicroscopia Eletrónica investigará terapias inovadoras para múltiplas doenças. INL – NanoLab, de Braga, reúne políticos, instituições e empresas

O INL – Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, entidade localizada em Braga e que se encontra na vanguarda das novas tecnologias, acolhe esta sexta-feira, dia 20 de abril, uma reunião entre decisores políticos, docentes e investigadores de Universidades e Centros de Investigação, bem assim como representantes de empresas ligadas ao setor da saúde. Na ocasião será dado um primeiro passo para a criação de um Centro Nacional para a Criomicroscopia Eletrónica aplicada às ciências da vida e saúde.

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A criomicroscopia electrónica de partículas isoladas é utilizada para determinar a estrutura tridimensional de biomoléculas e vírus isolados, estudos que abrem caminho ao desenvolvimento de novas terapias para múltiplas doenças.

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Em Portugal, as aplicações de microscopia eletrónica em ciências biológicas e dos materiais encontram-se já amplamente difundidas. No entanto, os desenvolvimentos mais recentes em criomicroscopia eletrónica estão ainda longe do alcance da comunidade científica nacional. Embora existam microscópios eletrónicos utilizados para estudo de amostras biológicas, por exemplo, no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, na Universidade do Porto e na Universidade de Coimbra, estes instrumentos não têm as capacidades dos instrumentos de última geração que têm dado origem a resultados excitantes e revolucionários.

Dado o custo elevado de um aparelho com as capacidades necessárias para que Portugal não fique para trás na investigação científica em relação aos seus congéneres europeus e internacionais, um grupo de cientistas portugueses associou-se numa iniciativa com vista à criação de um Centro Nacional para a Criomicroscopia Eletrónica aplicada às ciências da vida, com o intuito de abranger desde biomoléculas, células e tecidos celulares até novas formulações farmacêuticas.

Esta iniciativa conta com a participação de cientistas de onze Universidades e Institutos nacionais do Norte a Sul de Portugal: Universidade NOVA de Lisboa, Universidade do Porto, Instituto Gulbenkian de Ciência, Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, Universidade do Minho, Universidade do Algarve, Universidade de Coimbra, Universidade de Lisboa, Universidade da Beira Interior, Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e Fundação Champalimaud. Para além destes cientistas, várias empresas manifestaram já o seu apoio e interesse numa futura utilização deste centro.

A localização proposta para o futuro centro nacional é o INL, situado em Braga junto ao campus da Universidade do Minho.

O INL, fundado em 2008, tem um largo historial e experiência na aplicação da microscopia eletrónica às ciências dos materiais, e também em ciências biológicas, dispondo de uma infraestrutura de excelência, não só em termos de espaços adequados para a instalação de pelo menos um microscópio eletrónico de última geração, como de técnicos especializados para a sua instalação e manutenção.

A criação deste centro irá ter um profundo impacto, não só na investigação em ciências biológicas, permitindo a realização de projetos com alto impacto científico, tecnológico e societal, mas também na economia nacional, em particular na região Norte.

A criomicroscopia electrónica é essencial para uma melhor compreensão dos processos fundamentais em Biologia e imprescindível para que as áreas da Saúde e Biomedicina em Portugal possam contribuir para o tratamento de muitas das doenças existentes e para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

Esta tecnologia esteve na origem do prémio Nobel da Química 2017, atribuído a três cientistas pela sua contribuição fundamental para o desenvolvimento da criomicroscopia electrónica aplicada a materiais de origem biológica: Richard Henderson, Jacques Dubochet e Joachim Frank.

As metodologias desenvolvidas por estes cientistas foram acompanhadas de uma revolução tecnológica que está na base do extraordinário desenvolvimento da aplicação da criomicroscopia electrónica a sistemas biológicos. A título de exemplo, a criomicroscopia electrónica de partículas isoladas é utilizada para determinar a estrutura tridimensional de biomoléculas e vírus isolados, estudos que abrem caminho ao desenvolvimento de novas terapias para múltiplas doenças.

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Categorias: Ciência

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