Turismo | Turismo e emprego (des)qualificado

Turismo | Turismo e emprego (des)qualificado

O ano 2018 começou e consigo trouxe a confirmação daquilo que era já previsível: Portugal é o melhor destino turístico do mundo, distinguido com o World Travel Award 2017. Confirmou também que a atividade turística é cada vez mais importante para a nossa economia, representando 7% do PIB.

A indústria está a passar pela melhor fase de sempre. O número de visitantes aumenta a cada ano e a oferta de serviços de alojamento, restauração e similares é cada vez mais abundante. Como resultado, o número de ofertas de emprego nesta área aumentou, de tal forma, que é claramente superior à procura de emprego, fazendo com que as empresas sintam dificuldades no momento de contratar novos colaboradores. Foi disso mesmo que a AHRESP veio dar conta nos últimos dias, noticiando-se assim a falta de mão-de-obra qualificada, transparecendo uma imagem um pouco distorcida daquilo que é a realidade do setor, onde se deixou a ideia de que não existiriam motivos para esta quebra de procura de emprego.

Por experiência própria, posso afirmar que, se atualmente muita gente não quer trabalhar na hotelaria e restauração, algumas delas, pessoas formadas e qualificadas na área, é por culpa dos excessos cometidos por grande parte das empresas do setor. A elevada carga horária, as folgas rotativas e pouco flexíveis, o trabalho por turnos rotativos e “365 dias por ano”, a precariedade contratual, tudo isto aliado a salários pouco atrativos e muito abaixo do que a lei prevê para profissionais qualificados e licenciados, afasta desde logo grande parte dos potenciais colaboradores.

Por outro lado, a elevada carga fiscal a que as empresas do setor estão sujeitas, as “taxas turísticas” que as autarquias insistem em aplicar à entrada de visitantes que, na verdade, estão a ser suportadas pelas empresas sendo que a maioria dos turistas nem se apercebem da sua existência e, a sazonalidade, embora menos notória que no passado, mas ainda sentida, fazem com que muitos dos empresários baixem os ordenados e as regalias financeiras dos colaboradores, atuais e futuros, de forma a manterem as suas margens e conseguirem fazer face às suas despesas.

Neste caso, é de todo importante o Estado intervir, legislar e estimular as empresas do setor dando benefícios económicos e sociais, tal como o faz em outros setores de atividade, tendo em vista a contratação de recém-licenciados e outros profissionais devidamente qualificados a um preço justo e motivador para que possamos prolongar este estado de graça turístico que vivemos.

Se somos os melhores do mundo do turismo, sejamos com rigor e justiça, e valorizemos cada vez mais os elos mais importantes em todo o processo turístico, os seus profissionais.

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Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Hélder Ricardo Martins

Natural de Vale S. Martinho. Colaborador da empresa “A Super 2000 – Máquinas Automáticas de Bebidas, SA”. Licenciado em Turismo pela Universidade de Évora. Técnico de Turismo/Profissional de Informação Turística pela E. P. Cisave de Guimarães. Enquanto estudante: Colaborador no setor de Apoio ao Estudante da AAUÉ (Associação Académica da Universidade de Évora); Representante dos estudantes no Conselho Consultivo do GPSA (Gabinete para a Promoção do Sucesso Académico); Representante dos estudantes no Conselho Pedagógico da Escola das Ciências Sociais, Humanas, Económicas e Politicas da Universidade de Évora; Presidente do NETUDUÉ (Núcleo de Estudantes de Turismo e Desenvolvimento da Universidade de Évora); Coordenação do setor de Apoio aos Núcleos de Estudantes da AAUÉ. Interesses: viagens e turismo, artesanato, gastronomia, vinhos, política e desporto.

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