Projecto Homem, 25 anos em prol do bem-estar e da comunidade

Projecto Homem, 25 anos em prol do bem-estar e da comunidade

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Alexandra Esteves, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica, revela-nos o que é o Projecto Homem, entidade parceira do Município famalicense, concelho onde atua através do Projeto Mais Vale Prevenir, como nasceu em Portugal e os seus projetos para o futuro. Este texto foi produzido na sequência da Conferência Ecologia das Dependências. Entre a Utopia e a Limitação, organizada por aquela entidade nos passados dias 4 e 5 do corrente mês de dezembro.

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Em parceria com outras entidades, nomeadamente com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o Centro de Solidariedade de Braga/Projecto Homem está empenhado em programas de sensibilização e prevenção do uso indevido de substâncias psicoativas (lícitas e ilícitas) e comportamentos aditivos, dirigidos, nomeadamente, a escolas e empresas.

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O Projecto Homem, um programa terapêutico-educativo que pretende dar resposta ao problema da toxicodependência, nasceu em Itália, em 1979.

Em dezembro de 1991, Braga passa a ter o primeiro centro, denominado Centro de Solidariedade de Braga/Projeto Homem, uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS). A sua atuação é orientada para a prevenção e tratamento da dependência química, alcoolismo e outras dependências.

A primeira direção tomou posse em 1993, tendo como presidente o Cónego Fernando Monteiro e como vice-presidente o Pe. Anselmo Sousa, duas personalidades que deram um contributo decisivo para a materialização do projeto.

Para levar a cabo a sua missão, o Projecto Homem precisava de três espaços com finalidades distintas, se bem que complementares: acolhimento, comunidade terapêutica e reinserção social.

A casa de acolhimento começou a funcionar na Oficina de São José, após terem sido efetuadas as necessárias adaptações. Mais tarde, graças ao apoio das forças vivas da cidade, em particular da Câmara Municipal, foi possível a construção de edifício próprio no Monte Picoto.

Para instalar a comunidade terapêutica, recorreu-se, de início, a uma solução provisória, que resultou da boa vontade de Arlindo Jerónimo, que disponibilizou uma quinta perto de Braga, em Amares. Entretanto, a confraria da Falperra ofereceu um terreno no monte da Falperra para nele ser edificada a Comunidade Terapêutica do Centro de Solidariedade de Braga/Projeto Homem, que abriu portas, em 1995, com 20 utentes. Destina-se a jovens, homens e mulheres com problemas relacionados com o consumo de substâncias psicoativas líticas e ilícitas, e apresenta programas destinados a toxicodependentes menores e adolescentes, a toxicodependentes maiores de dezoito anos, a duplo diagnóstico e a alcoólicos.

Para a reinserção social, com a colaboração da Câmara Municipal de Braga e da Junta da Freguesia da Sé, foram utilizadas, inicialmente, instalações pertencentes aos escuteiros, situadas no centro da cidade. Assim, quando os utentes estavam prontos para sair da comunidade terapêutica, já havia um espaço para os receber.

Em parceria com outras entidades, nomeadamente com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, o Centro de Solidariedade de Braga/Projecto Homem está empenhado em programas de sensibilização e prevenção do uso indevido de substâncias psicoativas (lícitas e ilícitas) e comportamentos aditivos, dirigidos, nomeadamente, a escolas e empresas. Importa ainda a assinalar o trabalho de acompanhamento junto dos reclusos que queiram aderir ao programa terapêutico, que decorre no Estabelecimento Prisional de Braga. O Projecto Homem chegou mesmo a receber alguns condenados a prisão ou pessoas que escolheram esta instituição em alternativa à pena de prisão.

No âmbito das celebrações dos 25 anos do Centro de Solidariedade de Braga/Projeto Homem, foi assinado um protocolo com a Universidade Católica Portuguesa e a Arquidiocese de Braga, que visa a criação de uma espécie de cluster especializado na área das dependências, de âmbito europeu, e com sede em Braga.

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Imagem de destaque: Resultado final de trabalho realizado no âmbito de uma sensibilização para os perigos da toxicodepência e sida. O Projecto Mais Vale Prevenir assinalou, também com o mural Não deixes que te marque(m), o Dia Mundial da Luta contra a Sida, na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em 30 de novembro passado (autor: Isabel Maria Costa / Mais Vale Prevenir).

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Categorias: Sociedade

Acerca do(a) Autor(a) do artigo

Alexandra Esteves

É doutorada em História Contemporânea pela Universidade do Minho, com a tese Entre o crime e a cadeia: violência e marginalidade no Alto Minho (1732-1870). Licenciada em História, ramo científico pela mesma universidade, atualmente, é professora auxiliar convidada da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa e investigadora do Centro de Investigação Trandisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM), na Universidade do Minho. Desenvolve presentemente um projeto de pós-doutoramento intitulado Saúde pública e assistência no Norte de Portugal: o distrito de Viana do Castelo (1834-1926). A sua investigação insere-se no campo da História Social, muito particularmente nos domínios da história da marginalidade, violência e prisões nos séculos XVIII e XIX, e da saúde nos séculos XIX e XX. Autora de vários trabalhos científicos, tem apresentado os resultados da sua investigação em vários congressos e em revistas da especialidade nacionais e estrangeiras.

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