‘Mais importante que qualquer brinquedo é a relação e a partilha que a criança estabelece com o outro’

Os brinquedos e o Natal

Os brinquedos e o Natal

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Escolher brinquedos de Natal: pais e outros educadores encontram dificuldades na aquisição de brinquedos de Natal. Apontam-se algumas orientações no sentido da sua escolha.


 

 

“O brincar cooperativo é muito mais rico e promotor de um saudável desenvolvimento da criança. Assim sendo, aproveite os momentos em que os seus filhos lhe pedem para brincar e envolva-se ativamente na brincadeira.”

 

 

Avizinha-se a altura do ano em que mais brinquedos se compram…

O Natal é das crianças, já o diz a sabedoria popular, mas… Será que nesta época de consumismo sabemos o que estamos a comprar para as nossas crianças?

Longe vão os tempos em que apenas no Natal se recebiam prendas. Entre essas viria o tão aguardado brinquedo pelo qual se esperou o ano inteiro. Hoje em dia, o acesso a atividades, a brinquedos e a presentes chega em qualquer altura do ano, pelo que os adultos são muitas vezes questionados sobre o que comprar para as crianças nesta altura. Questões como: “O que lhe hei-de dar?”, “Ele(a) já tem tudo?”, “De que será que gosta?”, assolam-nos a mente e fazem-nos muitas vezes protelar as compras.

Será que podemos simplificar um pouco este processo? Existem vários critérios a ter em conta quando se adquire um brinquedo para uma criança. O gosto pessoal da criança deve ser um dos principais critérios, mas, a par disso, a idade da criança, qual o objectivo do brinquedo e que áreas do desenvolvimento pretendemos ver mais estimuladas são outros fatores a ter em conta.

Nos primeiros meses de vida, o melhor brinquedo que a criança pode ter são os pais, as expressões faciais, o colo e o som da sua voz. À medida que a criança começa a adquirir algum controlo de movimentos, pode brincar com brinquedos com som e luz, brinquedos moles que lhe permitam agarrar e manipular. A partir dos 9 meses, devem privilegiar-se brinquedos que estimulem as aquisições motoras e promovam o gatinhar e o andar (exceto aranhas – voadores). Após os 12 meses devem introduzir-se brinquedos que imitem as ações dos adultos, pequenos livros, construções de grande tamanho, jogos de encaixe e brinquedos sensoriais como plasticinas e digitintas. Pelos 2-3 anos, brinquedos como triciclos, trotinetes, bolas, casas e carrinhos de bonecas e instrumentos musicais são escolhas acertadas. Dos 3 aos 5-6 anos, construções mais complexas, brinquedos que imitam profissões e livros cada vez mais complexos são pertinentes. A partir da idade escolar, surgem brincadeiras e gostos mais específicos, mas puzzles, legos e jogos de tabuleiro continuam a ser brinquedos promotores do desenvolvimento.

Para que a criança se envolva na brincadeira de forma eficaz não necessita de muitos brinquedos; pelo contrário, a existência de muitos focos de atenção não raras vezes a faz dispersar-se e não se envolver efetivamente no ato de brincar.

A criança aprende a brincar e brincar é um trabalho muito sério! A escolha de um brinquedo deve ter em conta que brincar é a principal área de ocupação da criança, pelo menos até à entrada na escola, e deverá continuar a ser uma das áreas mais importantes ainda por alguns anos após isso. É a brincar que a criança tem a oportunidade de experienciar diferentes papéis sociais, conhecendo-se melhor a ela própria e aos outros, como por exemplo, quando brinca ao “faz de conta” e imita o papel da mãe, do(a) professor(a) e de diversas profissões do seu quotidiano. Com essas atividades aprende a colocar-se no papel do outro, estimula a empatia e o reconhecimento emocional, estimula o raciocínio e competências sociais e cognitivas.

Enquanto brinca, a criança muitas vezes procura o adulto, nomeadamente os pais e, embora também seja saudável a existência de brincadeiras solitárias, o brincar cooperativo é muito mais rico e promotor de um saudável desenvolvimento da criança. Assim sendo, aproveite os momentos em que os seus filhos lhe pedem para brincar e envolva-se ativamente na brincadeira, não se esquecendo de: colocar-se ao nível da criança, seguir a sua iniciativa, permitir que esta erre e que resolve os seus próprios problemas e frustrações. Ensiná-la a perder e a ganhar, a jogar à vez e a cumprir as regras são questões fundamentais que a auxiliam a gerir as suas emoções e a prepará-la para aprendizagens futuras.

Por último, lembre-se que, mais importante que qualquer brinquedo que a criança possa ter, a relação e a partilha que estabelece com o outro são fundamentais para o seu desenvolvimento.

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Imagem de destaque: Brincar ao faz de conta (Paula Costa; ilustração).

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Categorias: Infância, Sociedade

About Author

Sílvia Oliveira

Terapeuta Ocupacional, licenciada pela Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Porto - IPP. Doutoranda em Gerontologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar - Universidade do Porto, investigando na área da Gerontologia Ambiental e intervenção comunitária na zona norte de Portugal. Pós-graduada em Gestão das Organizações Sociais. Parte curricular do Mestrado Em Terapia Ocupacional - Especialização em Saúde Mental, pela ESTSP Formação em Neurofeedback na Medibrain. Formação em Intervenção nas Perturbações do Espectro do Autismo na Academia UFP. Exerce a sua actividade profissional na área da docência e intervenção terapêutica nas áreas da deficiência, Necessidades Educativas Especiais e Gerontologia e Geriatria. Co-autora no livro "Decisão Percursos e Contextos", com o capítulo "O Processo de Decisão na Terapia Ocupacional em Gerontologia" e no livro "Alzheimer e suas implicações", com o capitulo "Estimulação Multissensorial na Doença de Alzheimer".

Comentários

  1. Cristina
    Cristina 1 Dezembro, 2017, 20:00

    Sugestão: em vez de “… Crianças deficientes” seria mais correcto ” … Crianças com deficiência”

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