Sandra Pimenta

Paradigma | Nós e o Planeta: 2. a parte sustentável de ser vegetariano

Paradigma | Nós e o Planeta: 2. a parte sustentável de ser vegetariano

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9 mil milhões! Esta é a previsão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) relativa ao número de seres humanos que irão habitar o mundo em 2050. E a pergunta que se impõe é: como se alimentam 9 mil milhões de pessoas?

Um artigo do projeto de investigação Our World in Data publicado no início deste ano confirma o que já vem sendo discutido: os alimentos respondem por mais de um quarto (26%) das emissões globais de gases com efeito estufa; metade da terra habitável do mundo (sem gelo e sem deserto) é usada para a agricultura, sendo que a mesma utiliza 70% do uso global da água doce e é responsável por 78% da
eutrofização global dos oceanos e da água doce!

E numa rápida análise se verifica a quantidade de terra usada por cada quilograma de alimento produzido, sendo que nos lugares do topo encontramos a carne com um total de quase 370 m2.

Dá que pensar, certo? Não podemos negar as evidências, os relatórios e alertas das várias comunidades científicas. Os nossos hábitos alimentares são os principais responsáveis pelo impacto nefasto que o ambiente tem sofrido.

Repensar as nossas escolhas alimentares, assim como questionar de onde vem a nossa comida poderá ser o início da mudança que urge ser feita. De facto, termos acesso, como consumidores, à informação do produto que escolhemos no supermercado, poderia, em última análise, refletir-se em escolhas ambientais mais conscientes.

Esta medida foi já apresentada e discutida no nosso Parlamento, através de um Projeto de Lei
do PAN, que estabelecia a obrigatoriedade de informação ao consumidor dos custos dos impactes ambientais da produção dos géneros alimentícios. Medida que foi, lamentavelmente, chumbada pelo PSD, PS, PCP, CDS e IL.

Questiono-me sobre a verdadeira preocupação ambiental e qual o peso da mesma em comparação com as políticas que continuam a subsidiar indústrias como as da agropecuária intensiva, altamente poluentes a nível do ar e dos solos, assim como grandes utilizadoras de recursos hídricos. Famalicão é bem exemplo disso. Um concelho com grande representação a nível da indústria agroalimentar, carne e derivados, que tem reforçado, quer seja por isenção de IMI ou apoios financeiros diretos, esta mesma, ao invés de canalizar fundos para alternativas mais sustentáveis e fomentar a aposta nas mesmas.

Paradigma | Nós e os Outros: 1. a parte ética de ser vegetariano

A questão das consequências das nossas escolhas alimentares deve ser encarada de frente e sem medos. Cada Governo (cada Autarquia!) deve priorizar a mitigação das mesmas, sabendo que está em causa o futuro do planeta.

Este, que é a nossa casa comum!

Se chegou até aqui é porque provavelmente aprecia o trabalho que estamos a desenvolver.

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Categories: Crónica, Sociedade

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