Francisco Pimentel Torres

Ideologia | O que é um liberal-conservador?

Ideologia | O que é um liberal-conservador?

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Na rede social Facebook, fundei o FORUM LIBERAL onde hoje milhares de pessoas discutem amiúde o Liberalismo.

No entanto, notei que uma razoável quantidade de membros identificam-se como Liberais-Conservadores. Estas pessoas normalmente afirmam-se liberais na economia e conservadores nos costumes. Neste artigo de opinião, gostaria de dar o meu pequeno contributo para a distinção e esclarecimento destes dois conceitos. Mas esta é só a minha opinião, por conseguinte discutível.

O pensador económico austríaco Friedrich Hayek em 1944, no seu manifesto “Porque Eu Não Sou Um Conservador” idealizou um triângulo, onde colocou em cada um dos três vértices o conservadorismo, o liberalismo e o socialismo.

No fundo, Hayek refutou a ideia que os liberais estariam no meio da linha entre socialismo e conservadorismo, colocando o liberalismo no topo do triângulo e não a meio da sua base.

Óbvio que não existe um liberal puro, nem um conservador puro, nem um socialista puro, nem ninguém puro, podem todos gravitar à volta dos seus vértices e até pousar no meio de um dos lados ou no interior, um socialista pode ser mais ou menos radical, sendo comunista, bloquista ou social-democrata, um conservador ou um liberal, também, contudo nenhuma das correntes se funde com as outras. Ou seja, julgo que não existe uma corrente Liberal-Conservadora, como não existe uma corrente Liberal-Social.

Portanto, se uma pessoa é liberal apenas na parte económica, e conservadora no resto – como muitos adeptos de partidos da direita dizem ser – essa pessoa não é de modo algum um liberal-conservador, mas simplesmente um conservador.  De igual modo, quem defende a liberalização das drogas, da prostituição, da eutanásia, da disciplina de cidadania, entre outras coisas, não é um social-liberal, mas sim, pura e simplesmente, um liberal, porque estas bandeiras não são verdades exclusivas da esquerda (apesar destes quererem fazer pensar que são!).

O facto de muitos se considerarem conservadores porque apenas defendem valores morais rígidos, avessos à prostituição, adeptos de uma religião seguindo rigorosamente os seus princípios morais, ao ponto de eutanásia e aborto serem pecado, não implica que não sejam liberais, bastando apenas não apoiar ou defender o uso de Polícia e controlo estatal impondo aos demais os seus valores e obrigá-los a obedecer e seguir os seus princípios…

Este é o problema que, por exemplo, a direita defende, isto é, aceita e promove que o estado controle a emigração, as fronteiras, as minorias étnicas (ciganos e muçulmanos), não admite p.ex. a simples construção de uma mesquita, aceita mais polícia e mais controlo dos costumes, é contra movimentos LGBT, quer mais estado, mais nacionalismo, etc., etc… Aceitando, todavia, este partido uma liberalização económica, não basta para fazer dele um partido liberal, nem tão pouco um partido que se aproxime do liberalismo.  Convém, pois, colocar os pontos nos is e distinguir, principalmente junto de simpatizantes menos esclarecidos deste partido, que o dito cujo está a anos luz de qualquer Liberalismo.

Ou seja, não são os valores morais que guiam a vida de um dado indivíduo que determinam se é um liberal ou um conservador, mas sim os seus princípios e a sua visão sobre os limites e o poder do estado.

Sobre isto e para finalizar, cito Hayek: Tal e qual o socialista, também o conservador se preocupa menos com o problema de como deveriam ser limitados os poderes do governo do que com o problema de quem irá exercê-los; e, tal como o socialista, também se acha no direito de impor às outras pessoas os valores em que acredita. Quando digo que o conservador carece de princípios, não quero com isso afirmar que ele careça de convicção moral… /… a importância que um liberal atribui a objetivos específicos não lhe serve de justificativa suficiente para obrigar outros a submeter-se a eles.

E isto, é o respeito pela liberdade de cada ser.

 

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Categories: Crónica, Política

About Author

Francisco Pimentel Torres

Francisco J.R. Pimentel Torres, Engenheiro, nasceu no Porto em 1958 e vive desde criança em Braga onde estudou no Liceu Sá de Miranda e posteriormente se licenciou em Engenharia de Produção e Sistemas pela Universidade Minho. Frequentou também uma pós-Graduação em Ciências Multimédia na Universidade Católica do Porto. Começou a sua vida profissional como Systems-Engineer na Sopsi-Bull, passando depois para um agente IBM, onde coordenou equipas de desenvolvimento de software. Posteriormente estabeleceu e geriu a filial de Braga. Estabeleceu-se depois como Empresário e é hoje CEO de duas pequenas empresas e business-angel de uma startup tecnológica. Foi o Criador e Gestor da Rede Alumni “Pioneiros da Universidade do Minho”, e foi mais recentemente Presidente da Associação do Antigos Estudantes da Universidade do Minho (AAEUM); foi também Membro do Conselho Alumni da Reitoria da Universidade do Minho. Escritor amador, autor de dois romances históricos: “1385 o Golpe dos Bastardos” e “1494 Tordesilhas”) e também de um Estudo Genealógico. É Colunista de Opinião em alguns Jornais regionais. É Desportista Veterano de Motociclismo (Enduro e Motocross) e de Golfe e foi enquanto jovem atleta de Andebol do ABC, sendo depois responsável pelas equipas dos escalões infantis. É sócio de diversas associações e membro do Partido Iniciativa Liberal. Gosta de Hard Rock e Blues, especialmente Beth Hart, White Buffalo, Metallica etc.., e tem como principais interesses o “e-government” Autárquico e Regional, a História Medieval, a leitura e viajar de moto.

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