José Macedo

Eventos | ‘Avante’ 2020: edição Covid-19

Eventos | ‘Avante’ 2020: edição Covid-19

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Uma “grande realização político-cultural”, segundo descrição do deputado Jerónimo de Sousa.  Falo da tão conhecida “Festa do Avante!”, propriedade intelectual do Partido Comunista Português – PCP.  Para muitos, é, ao mesmo tempo,  uma Festa, um Festival de Música, um Comício Político.

A realização deste evento, neste ano de 2020, encontra-se pendente da disposição legal que possa vir a ser assumida pelo Governo. O  mesmo Governo que esteve menos bem desde a 1ª comunicação em relação a esta medida. No 1º comunicado, o Governo  referia-se a “Festivais de Música”, no 2º comunicado emitiu uma retificação, substituindo “festivais de música” por “festivais e espetáculos de natureza análoga”. Não é percetível se a Festa do Avante! se encontra abrangida ou não por esta medida, mas deixando já em burburinho os amigos “geringoncianos” do PCP.

Recordando a autorização excecional e especial  da celebração do 1º de Maio, assume-se de uma forma natural  que o líder do Partido Comunista, se sinta no direito de requerer estatuto especial para a designada “Festa do Avante!”, alegando que não se trate de um “simples” festival de música. Sabendo que se realiza desde 1976, a Festa do Avante! não pode ser exceção neste momento tão especial da vida dos portugueses. Recordo que a celebração da Páscoa se realiza há 2020 anos, e a sua celebração, este ano, foi cancelada. Inclusive, o líder da Igreja Católica, o Santo Padre, realizou uma missa sozinho em plena Praça de São Pedro em Roma. Dá que pensar!

No entanto, parece-me que ainda existem mentes que não entenderam que o cerne da questão para proibição e cancelamento destes festivais ou celebrações não tem a ver com o teor do seu conteúdo, quer se trate de música, quer se trate de outra arte qualquer, ou se trate de um  comício. Prende-se, sim, com o ajuntamento de pessoas em número elevado que estes eventos promovem, colocando em causa a saúde pública, com o consequente possível aumento de propagação do vírus.

Estamos numa fase de mitigação da estirpe, em que, se não tivermos cuidado, corremos o risco de crescer consideravelmente em número de infetados. Reduzindo as medidas de contenção, e abrindo a economia como está acontecer neste momento, é natural que se assista a um aumento do volume de circulação de pessoas, aumentando o risco de contágio.  Mas maior perigo será quando as escolas reabrirem, pois embora as crianças e os jovens sejam o grupo de menor risco, e possam até nem sentir os efeitos da Covid-19, podem-se tornar portadores do vírus sem saber, contribuindo para a sua propagação pelo estado de serenidade e ausência camuflada da infeção.

A decisão de cancelar todos os eventos até 30 de setembro de 2020, além de sensata, é uma medida proativa de prevenção. O período de férias que se avizinha, em conjunto com a sensação de prisão causado pelo confinamento a que o Estado de Emergência obrigou, poderá provocar, entre a população, um efeito de procura por ambientes de diversão onde os ajuntamentos acontecem de forma natural. O seu cancelamento é uma medida de inteligência.

Respeito a realização da Festa do Avante!, mas que se alterem as datas da mesma, para quando for seguro. Se o Governo cair no erro de mais uma vez ceder nesta questão, espero que não aconteça como no 1º de Maio, cuja celebração teve o apoio até do Presidente da República e, passado uns dias, este veio a público lamentar a forma como a mesma tinha decorrido.

Além disso, enquanto dirigentes partidários, estes líderes devem saber dar o exemplo quanto à sua conduta e princípios defendidos. Ser político não é só um cargo, é muito mais do que isso; custa é entendê-lo. Ao não perceberem que se agem contra este princípio, fazem com que a descredibilização política aumente de dia para dia.

Caso, hipoteticamente, se autorize, de forma ridícula, a realização da mesma, espero ver nos seus cartazes nomes como Graça Freitas, Marta Temido e António Costa, nomes em voga no panorama político atual.

Está na altura de extinguir os “favores made in Geringonça”, senão torna-se impossível haver coerência política em Portugal.

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Categories: Crónica, Sociedade

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Economista.

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