Obras do artista colecionador possuem um sugestivo poder de associação que, transpondo o visual, alcança dimensão metafórica

Artes Plásticas | Serralves expõe Cabrita Reis em Caminha

Artes Plásticas | Serralves expõe Cabrita Reis em Caminha

Pub

 

 

Cabrita: Obras na Coleção de Serralves‘ é uma exposição a ser apresentada no Museu Municipal de Caminha, pelas 18h00 de 7 de agosto, no âmbito da parceria estabelecida entre ambas as instituições. A exposição permanecerá patente ao público entre o dia seguinte e 29 de outubro.

Esta iniciativa integra-se num programa de exposições e apresentação de obras da Coleção de Serralves, especificamente selecionadas para vários espaços, com o objetivo de tornar este acervo acessível a públicos diversificados de todas as regiões do País. Serralves cumpre, assim, a sua missão ao promover o alargamento da rede de acesso e de aproximação de públicos variados à arte e à cultura em mais de 30 municípios.

A exposição reúne um conjunto de obras de Pedro Cabrita Reis (Lisboa, 1956) pertencentes à Coleção de Serralves, oferecendo uma perspetiva sobre a evolução formal e conceptual da obra do artista ao longo das décadas de 1980 e 1990.

Com reconhecimento internacional consolidado, o trabalho de Cabrita tornou-se crucial para o entendimento da escultura a partir de meados da década de 1980. A sua complexa obra, caracterizada por um idiossincrático discurso filosófico e poético, engloba uma grande variedade de meios: pintura, escultura, fotografia, desenho e instalações compostas de materiais encontrados e de objetos manufaturados. Utilizando materiais simples e submetendo-os a processos construtivos, Cabrita recicla reminiscências de gestos, ações, objetos e espaços primordiais do quotidiano. Centradas em questões relativas à condição humana e a conceitos paradigmáticos como o sagrado, a morte, a casa e a memória, as suas obras adquirem um sugestivo poder de associação que, transpondo o visual, alcança uma dimensão metafórica.

Sobre a obra de Pedro Cabrita Reis, nascido em Lisboa, em 1956, que surgiu na década de oitenta e atravessa a pintura e a escultura, a historiadora de arte e curadora Marta Moreira de Almeida assinala que se define “por uma linguagem poética muito própria, de forte pendor antropológico, as suas criações começaram a desenvolver uma particular sensibilidade para a ocupação do espaço, aproximando-se frequentemente do conceito de instalação, onde fragmentos domésticos irrompem em estruturas mais ou menos abstractas”.

“A utilização de um leque muito variado de materiais de grande simplicidade (madeira, vidro, plástico, acrílico, borracha, gesso, metal, linho, tela e feltro) e a combinação de memórias de gestos e acções da vida de todos os dias, acentuam o forte ímpeto metafórico que as suas criações sempre evidenciam. Acresce que o uso recorrente de jogos de luz e sombra ou de opacidade e transparência transportam consigo o peso de meditações densas sobre a existência, isto é, sobre a vida e a morte. Aliás, o próprio artista já afirmou que a melhor definição do seu estatuto é a de um “produtor de memória”, o que reitera a asserção de que as suas obras podem ser vistas como momentos de recolhimento essencial à transitoriedade inevitável da vida.

As suas obras bidimensionais revelam uma tensão primordial estruturada a partir de uma geometrização racional do espaço pictórico e uma informalidade mais próxima de uma subjectividade penetrante. Se algumas das pinturas exploram as composições abstractas e a cor enquanto veículos de comunicação estética, noutros casos, nomeadamente nos auto-retratos, predomina uma gestualidade que sublinha a relação mais vitalista que o artista mantém com o acto de desenhar. Trata-se, no fundo, de um diálogo que o artista mantém com as grandes tradições da história da arte moderna, como se estas servissem de terreno fecundo para uma criatividade que não se quer ver espartilhada por preceitos de ordem meramente estilística”.

A cerimónia de inauguração contará com as presenças dos Vice- Presidentes da Fundação de Serralves, Isabel Pires de Lima e Manuel Ferreira da Silva e do Presidente da Câmara Municipal de Caminha, Luis Miguel Alves.

Imagens: (0) Cabrita, Celebratio, 1989 (detalhe). Col. Privada em depósito na Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Depósito em 1991. Foto: João Ferrand / JFF, © Fundação de Serralves, Porto (1, 2) Serralves

**

*

Se chegou até aqui é porque provavelmente aprecia o trabaVer artigolho que estamos a desenvolver; e não pagou por isso.

Vila Nova é cidadania e serviço público: diário digital generalista de âmbito regional, independente e pluralé gratuito para os leitores. Acreditamos que a informação de qualidade, que ajuda a pensar e a decidir, é um direito de todos numa sociedade que se pretende democrática.

Como deve calcular, a Vila Nova praticamente não tem receitas publicitárias. Mais importante do que isso, não tem o apoio nem depende de nenhum grupo económico ou político.

Você sabe que pode contar connosco. Estamos por isso a pedir aos leitores como você, que têm disponibilidade para o fazer, um pequeno contributo.

A Vila Nova tem custos de funcionamento, entre eles, ainda que de forma não exclusiva, a manutenção e renovação de equipamento, despesas de representação, transportes e telecomunicações, alojamento de páginas na rede, taxas específicas da atividade.

Para lá disso, a Vila Nova pretende produzir e distribuir cada vez mais e melhor informação, com independência e com a diversidade de opiniões própria de uma sociedade aberta e plural.

Se considera válido o trabalho realizado, não deixe de efetuar o seu simbólico contributo – a partir de 1,00 euro – sob a forma de donativo através de netbanking ou multibanco. Se é uma empresa ou instituição, poderá receber publicidade como forma de retribuição.

Se quiser fazer uma assinatura com a periodicidade que entender adequada, programe as suas contribuições. Estabeleça esse compromisso connosco.

Contamos consigo.

*

NiB: 0065 0922 00017890002 91

IBAN: PT 50 0065 0922 00017890002 91

BIC/SWIFT: BESZ PT PL

Obs: Envie-nos o comprovativo da transferência e o seu número de contribuinte caso pretenda receber o comprovativo de pagamento, para efeitos fiscais.

*

Pub

Categories: Agenda, Arte

About Author

Write a Comment

Only registered users can comment.