Gays, lésbicas e o direito à diferença e liberdade individual

Gays, lésbicas e o direito à diferença e liberdade individual

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O mundo sempre controverso dos gays e das lésbicas lança-nos um desafio todos os dias. Tendo sempre em conta a realidade social observável que nos entra pela casa e pelos olhos dentro, devemos, ao refletir, não nos esqueceros de tomar em linha de conta o direito à liberdade individual.

Há uma grande diferença entre ser gay ou lésbica numa classe privilegiada, com poder mediático, com força política e força cultural ou pertencer e ser membro daquilo a que se convencionou chamar a “classe trabalhadora”. No primeiro caso, é pacificamente aceite que um homem ou uma mulher sejam gay ou lésbica, mas no segundo isso constitui um anátema, um opróbrio, uma “pouca vergonha”! No primeiro caso, as pessoas são carinhosamente apelidadas de gays ou lésbicas, mas no segundo caso são simplesmente “panelei…” ou “panelei…” que merecem o desprezo, o escárnio e a perseguição dos restantes membros da sua rua, da sua cidade, da sua comunidade ou da sua aldeia.

Tolerância para com gays e lésbicas com poder

Os gays e as lésbicas com o poder que advém das profissões que exercem até podem casar e ter filhos e o outro ou a outra serem o marido e a mulher. Na mesma situação, com os pobres e os trabalhadores, todos são vistos como marginais, como atentados permanentes e públicos ao bem-estar dos outros, perseguidos por todos que deles escarnecem como pessoas que não podem partilhar os mesmos espaços ou participar nas mesmas festas.

É assim o mundo e a realidade em que vivemos: tolerante e afetuoso para os gays e lésbicas com dinheiro, influência e poder; desumano, cruel e aniquilador para os pobres que não têm dinheiro, nem influência, nem poder.

Nem todos têm direito a assumir a diferença

Inconscientemente ou talvez não, e independentemente da posição ou classe social, todos fazemos a mesma leitura, considerando que, nuns casos, eles têm o direito de ser diferentes e de “casar com quem bem entenderem”, mas somos também inconscientemente travados para não alargar o conceito a quem não é poderoso, nem influente.

Um ator minimamente famoso ou uma atriz minimamente famosa, homem e mulher que partilham a mesma casa com outro homem ou com outra mulher, que andam de braço dado e se beijam com amor, que vão a sessões públicas e participam em atividades culturais são vistos “naturalmente” pelos outros nos seus comportamentos e nas suas atitudes. O mesmo se passa com os políticos ou as políticas e os apresentadores ou apresentadoras de televisão!

A liberdade na escolha do amor pertence apenas a cada um

O problema da liberdade de escolha da orientação sexual de gays e lésbicas surge quando se começa a descer na escada da importância social, cultural ou política. Não somos capazes de interiorizar que o trolha, o mecânico ou a empregada doméstica têm os mesmos direitos que os ricos e os famosos, e isto é que é abominável.

A uns, dizemos “p’ ra lá”, “fica longe de mim”! A outros, desejamos as boas-vindas, com carinho, amizade e tolerância. Os outros, que têm noriedade pública e poder, vivem num mundo à parte.

Na verdade, em minha opinião, cada um ou cada uma escolhe livremente a sua orientação amorosa ou sexual; e é assim que deve ser.

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Imagem: Denis Hume / Unsplash (ed VN)

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Categorias: Crónica, Igualdade, Liberdade

Acerca do Autor

Mário Martins

Nasci na casa dos meus pais, em 1951, em Arnoso Santa Eulália, e por lá me fiz adolescente, jovem e homem. Da minha infância, guardo na memória as longas jornadas da escola primária, para onde íamos muitas vezes descalços e com frio, a professora Beatriz, tirana e hostil para as crianças que nunca fomos, os dias sem fim a guardar ovelhas que pastavam nos montes… No fim da “instrução primária”, fui para o seminário, a “via de recurso” para quem não tinha “posses” para estudar no ensino oficial. Por lá andei cinco anos, dois em Viana do Castelo e três em Braga, nos seminários da Congregação do Espírito Santo. Foram tempos felizes: rezava-se muito, estudava-se muito, jogava-se muito “à bola” e havia boa comida! Com muitos sacrifícios dos meus pais, “fiz” o 7º ano (hoje 12º), no Liceu Sá de Miranda, em Braga. No fim deste “ciclo” fui operário na Grundig, em Ferreiros, também do Concelho de Braga, durante um ano. Entretanto, com uma bolsa de estudo da Fundação Gulbenkian, entrei na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ao fim de três anos, em janeiro de 74, fui para a “tropa”, primeiro em Mafra, depois em Lamego, nos “comandos”. Eu era pequenino e franzino, mas os campos e os montes de Arnoso Santa Eulália, tinham-me feito forte, ágil e robusto! Depois fui professor, a minha profissão, carreira que foi acontecendo, enquanto completava a licenciatura, interrompida pela “tropa”. Fui Chefe de Divisão da Educação e Ação Social e Diretor de Serviços (adjunto do presidente), na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, na Presidência de Agostinho Fernandes, “no tempo em que tudo aconteceu”. Fui também Diretor do Centro de Emprego, num tempo difícil, em que a “casa” estava sempre cheia de desempregados, e vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, primeiro eleito pelo MAF (Movimento Agostinho Fernandes) e depois pelo PS. Hoje sou bom marido, pai e avô. A vida já vai longa, mas continua a trazer com ela a necessidade de construir, pensar e fazer…

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