Miguel Alves, João Costa e os futuros concursos de professores

Miguel Alves, João Costa e os futuros concursos de professores

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Estamos piores em corrupção.

E o que faz o ministro da educação?

Tenta criar um processo de seleção de professores mais aberto a oportunidades de corrupção e compadrio, em que, o que era objetivo e transparente, passa a subjetivo e opaco.

Miguel Alves, o administrador com uma mão cheia de nada

De Miguel Alves, também me diziam que era um craque na administração e gestão e caiu por andar a fazer negócios que tinham um ar de burla de rua.

Eu dizia que era um bem falante com poder, que dizia em Lisboa que era importante em Caminha e, em Caminha, que era amigo de Costa PM e importante em Lisboa.

E com tantas importâncias, não adminstrava bem, tão preocupado estava em aparecer na televisão (o processo em que foi acusado tem a ver com isso, pagar para aparecer).

O raciocínio era circular: era um craque, porque tirava maiorias absolutas e tirava maiorias absolutas, porque era um craque.

Mas ninguém verificou bem.

A verdade é que, até lhe porem a Câmara nas mãos, porque a autarca anterior era pior, não tinha administrado nada.

João Costa, o administrador com uma mão cheia de coisa nenhuma

Que sabe, por seu lado, de transparência na administração pública um estudioso de advérbios, pouco dado a estatísticas rigorosas, teimoso nas suas opções de política, mesmo quando 90 % das vítimas se queixam e lhe explicam o erro, mas que passa por bem falante, que não falhava uma festa escolar, no caminho para ministro e que parecia melhor, no contraste com o anterior, que era uma desgraça grave?

Na verdade, pouco. Mas como tem poder, muita gente vai concordar com a asneira.

É ministro porque “é craque” e “conhece as escolas” e “conhece as escolas porque é craque”.

Não conhece nada. A visitar e ouvir a Cohen e sessões maiatas não se aprende nada.

O nosso ministro passa por sabedor em educação e conhecedor das escolas. Um mito.

Pavilhão do CET em Caminha – um negócio fantasioso

O anjo caído destes dias também conseguiu, porque falava bem e sabia muito, aprovar o negócio fantasioso do pavilhão numa assembleia municipal de dezenas de pessoas, muitas bem instruídas, com até o PSD e PCP a absterem-se por medo que a população se desiludisse por fazerem o exercício crítico contra o disparate.

O problema não vem só dos políticos, vem do povo. É esse o rei que tantas vezes se despe da racionalidade e espírito crítico que as boas políticas precisam.

Tenho muito orgulho de ter sido dos poucos, por esses lados do Alto Minho, que disse que o rei ia pelado e o pavilhão era mirabolante…

E houve quem agora grita “Escândalo!” que me gozava por não ver a genialidade da obra e do empresário associado.

Ao ver a entrevista ao Expresso, agradeci muito à minha mãe que me mergulhou em pensamento científico na infância. Aquela molusca figura é o empresário que passou por mago da finança…

Às vezes, o pensamento científico entranhado dói, mas evita a vergonha dos que agora têm de dizer que foram burlados por aquele PhD fajuto.

Com os futuros concursos de professores o rei (também) vai nu

No caso dos professores, é a mesma coisa.

É preciso que os professores não aceitem ser enganados e tenham a coragem de reencenar o meu conto popular preferido. O rei vai nu, mesmo que todos à volta o vejam bem paramentado.

João Costa não percebe de escolas. É só um bem falante com poder.

O concurso local é um erro gravíssimo e o Senhor Ministro não sabe o suficiente do tema para tantas certezas.

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Obs: texto publicado originalmente na página facebook de Luís Sottomaior Braga, tendo sofrido ligeiras adequações editoriais.

Imagem: Visão

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