O Festival Kunchi e os laços multisseculares entre Japão e Portugal

O Festival Kunchi e os laços multisseculares entre Japão e Portugal

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Nos últimos anos, devido à pandemia da COVID-19, têm sido canceladas as festividades de uma ancestral tradição japonesa, o Festival Kunchi, uma das festas populares mais conhecidas na cidade de Nagasaki, uma histórica metrópole fundada pelos portugueses na segunda metade do séc. XVI, no Japão, esse país conhecido por Terra do Sol Nascente, e que se realiza anualmente nos dias 7, 8 e 9 de outubro,

A adoção de vocábulos portugueses no Japão

Portugal encerra a particularidade de ser o país europeu com a mais longa história de intercâmbio com o Japão, fruto de ter sido a primeira nação do “Velho Continente” a chegar e a estabelecer contactos com as gentes da Terra do Sol Nascente. Foi durante a expansão marítima quinhentista que se estabeleceu o início das trocas comerciais entre o Japão e os portugueses, à época chamados pelos japoneses “Nanban-jin”, isto é, “bárbaros do sul”, expressão que era nessa altura usada para identificar os povos ibéricos.

O intercâmbio comercial de há mais de quatrocentos anos acarretava que os portugueses levassem para o território insular da Ásia Oriental espingardas, pólvora, seda crua da China, entre outras mercadorias, e o Japão enviasse para a zona ocidental da Península Ibérica prata, ouro e sabres japoneses, entre outros produtos. As vetustas relações comerciais entre as duas nações, estão na base de um conjunto expressivo de vocábulos de origem portuguesa que entraram na língua japonesa, como por exemplo, “pan” (pão), “koppu” (copo), “botan” (botão), “tabako” (tabaco) ou “shabon” (sabão).

Uma evocação histórica da expansão portuguesa na Terra do Sol Nascente

A presença lusa no isolado Japão quinhentista e seiscentista teve igualmente uma conhecida dimensão missionária e evangelizadora, que redundou em ferozes perseguições movidas pelos xoguns aos missionários portugueses, receosos de uma eventual invasão por parte dos “bárbaros do sul” e temerosos da influência dos jesuítas nos nipónicos.

Ainda hoje uma das principais atrações do Festival Kunchi, celebrado todos os outonos desde o séc. XVI, com a exceção dos últimos anos marcados pela COVID-19, e que depois também se tornou uma denúncia dos chamados cristãos-escondidos, é a “Nau Portuguesa”, apenas apresentada cada sete anos, e que constitui uma evocação histórica da expansão portuguesa até ao Japão.

Festival Kunchi evidencia história e cultura universal portuguesa

Conquanto as autoridades japonesas tenham optado este ano por um formato de celebrações minimalistas e simbólicas, assente essencialmente em danças e exposições, o Festival Kunchi evidencia a importância da história e cultura universal portuguesa, um ativo estratégico para a afirmação do nosso país num mundo marcado pelos desafios da globalização, diversidade cultural e desenvolvimento.

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Categorias: Crónica, Cultura, Diáspora

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