‘Dão os sinos no silêncio as badaladas. / Meu amor, é madrugada, / estão os melros a acordar.’

Abre-lhe a porta, meu amor

Abre-lhe a porta, meu amor

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1.

Dão os sinos no silêncio as badaladas.

Meu amor, é madrugada,

estão os melros a acordar.

 

2.

Já chegou o melro branco, meu amor,

irrequieto, que saltita às corridinhas

entre as filas do vinhedo.

 

3.

De repente pára, e não é nada,

escuta e olha,

e esgravata uma minhoca.

 

4.

Numa hipotenusa do perigo em fuga,

abriga-se no vértice do poste,

a dois metros de altura.

 

5.

Olha atento a minhoca lá em baixo,

e no silvado miam os gatos ameaças

e, quando tenta, hesita, e não a apanha.

 

6.

Uma gargalhada cantada de desprezo

rasga a vinha sarcástica contra os gatos

e continua, ladino, nos prazeres da vida.

 

7.

É o melro preto, entre parras preso,

abre-lhe a porta, meu amor, e que brinque contente, e nós com ele.

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Categorias: Cultura, Literatura, Poesia

Acerca do Autor

António Mota

Professor. Braga.

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