‘Não se pode abusar da despolitização dos que vivem do trabalho e dar opções políticas como se fossem ciência económica objectiva: o salário deve ser sagrado e o lucro deve ser profanado, sob pena de termos um custo social insuportável ‘

Subir os salários não sobe necessariamente a inflação

Subir os salários não sobe necessariamente a inflação

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A frase “se subirmos o salário subimos a inflacção” de António Costa, apoiada e repetida em vários comentários públicos, e entre eles economistas, não tem qualquer valor científico-económico. Se subirmos o salário sem subir os preços não sobe a inflacção. O que se faz é usar e abusar da iliteracia económica da população.

O problema é os empresários reagirem à subida de salários com subida de preços, para manterem as taxas de lucro, e isso provoca a tal espiral inflaccionista. Mas se, como no passado em que houve lutas, se subirem os salários congelando preços, o que temos é uma recuperação do poder de compra de quem vive do trabalho.

O que o governo e quem apoia esta medida de congelar salários perante uma inflacção cada vez maior está a dizer é que são os trabalhadores a pagar os lucros, que se devem manter seguros.

PS segue linha Liberal da austeridade

Acresce a isto que, para evitar revoltas sociais (quanto a mim inevitáveis), o governo procura alargar os programas assistenciais pagos com perda de poder de compra, aumento de impostos e degradação dos serviços públicos, tudo suportado pela “classe média” que são trabalhadores – professores, enfermeiros, médicos, operários qualificados, que ganham 1500 ou 2000 euros em geral e só com horas extra. Toda a filosofia do orçamento do Partido Socialista segue assim a linha Liberal da “austeridade” – proletarizar os trabalhadores qualificados, destruir as reformas com o assistencialismo aos mais pobres (que precisam é de salários decentes e não medidas assistenciais), e deixar intocados os lucros. Isto num país onde, segundo o ISEG, 50% são pobres e este ano as grandes empresas anunciaram mais uma vez dezenas de milhões de euros de lucros.

Pode-se defender o PS e o liberalismo afirmando que os lucros são sagrados e o trabalho pode ser exercido em condições de simples reprodução. Eu penso justamente o contrário: o salário é sagrado e o lucro deve ser profanado – é um custo social insuportável. São posições ideológicas distintas. O que não se pode é abusar da despolitização dos que vivem do trabalho e dar opções políticas como se fossem ciência económica objectiva. São escolhas. O PS escolheu.

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Acerca do Autor

Raquel Varela

Raquel Varela é Historiadora, Investigadora e professora universitária/ Universidade Nova de Lisboa /IHC e Fellow do International Institute for Social History (Amsterdam). Foi Professora-visitante internacional da Universidade Federal Fluminense. É coordenadora do projeto internacional de história global do trabalho In The Same Boat? Shipbuilding industry, a global labour history no ISSH Amsterdam / Holanda. Autora e coordenadora de 25 livros sobre história do trabalho, do movimento operário, história global. Publicou como autora 51 artigos em revistas com arbitragem científica, na área da sociologia, história, serviço social e ciência política. Foi responsável científica das comemorações oficiais dos 40 anos do 25 de Abril (2014). Em 2013 recebeu o Santander Prize for Internationalization of Scientific Production. É editora convidada da Editora de História do Movimento Operário Pluto Press/London e comentadora residente do programa semanal de debate público O Último Apaga a Luz na RTP. Entre outros, autora do livro Breve História da Europa (Bertrand, 2018).

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