Conjunto de trabalhos únicos deste artesão, todos ele de caráter manual e amplamente marcados pela expressividade, bem como pelo uso de tons da natureza onde predominam cores pastel, patente em Barcelos

‘Memórias’ de Fernando Morgado ‘nascidas do barro’ no Museu de Olaria

‘Memórias’ de Fernando Morgado ‘nascidas do barro’ no Museu de Olaria

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As ‘memórias’ de Fernando Morgado ‘nascidas do barro’ encontram-se à vista de todos os interessados numa mostra produzida pelo Museu de Olaria de Barcelos. A exposição Memórias Nascidas do Barro, também publicada em formato digital, está patente, desde 5 de fevereiro,  na Sala da Capela do Museu de Olaria e pode ser visitada até 3 de abril. O artesão barcelense é um dos mais antigos ceramistas ainda vivos da região famosa em todo o mundo pela arte popular de cerâmica, sobretudo em figurado, mas também em olaria.

As origens de Fernando Morgado, nascido em Barcelos em data bem recuada no tempo – 15 de outubro de 1927 -, ainda a localidade era apenas uma vila, foram o motor para que, desde a sua meninice, o barro se tenha tornado uma presença constante na sua vida. A longa história do barrista, filho de Américo Morgado e Ana de Jesus Correia de Abreu, ambos mestres artesãos nas artes de moldar o barro, conta hoje com 94 anos plenos de aventuras e está bem presente nesta mostra das suas ‘Memórias’. A exposição Memórias Nascidas do Barro evidencia a qualidade única do seu ofício, todo ele de caráter manual e amplamente marcado pela expressividade que transmite, assim como pela utilização de tons da natureza onde predominam cores pastel.

Nascido no barro, Fernando Morgado no barro há de morrer

Em sua casa, situada ali mesmo ao lado daquela onde nasceu, lá longe no início do século XX, Fernando Morgado preserva centenas de criações que refletem as duas últimas décadas, altura em que o barro, nas suas mãos, passou a contar histórias das suas memórias, que são do mais puro Figurado de Barcelos.

No dealbar de 2022, com 94 anos, Fernando Morgado, que nasceu com o barro e dele fez a sua forma de vida, já não produz o seu tão amado figurado, que de resto deixou de produzir em 2019, quando as mãos cederam às vontades da idade. Porém, a criatividade, somada às inopinadas memórias e resiliência, permanece absolutamente intacta. Há ainda não muito tempo, segundo assinala o Município de Barcelos, no decurso de uma entrevista terá referido sobre o que melhor o caracterizava enquanto homem ligado à olaria: “Nós nascemos do barro e com certeza morremos no barro’.

A ruralidade do mundo e tradições minhotas encontra-se bem presente no trabalho do artesão, conforme refere o barcelense Francisco Loureiro. ‘Apesar da idade avançada, Fernando Morgado é uma pessoa muito inteligente e que sempre dedicou grande parte da sua vida à arte, através da cerâmica numa primeira fase, e depois mais tarde, do artesanato. Nas suas criações, está retratada em pormenor uma das suas grandes paixões: o folclore. Em 1977, foi mesmo um dos fundadores do Grupo Folclórico Juvenil de Galegos Santa Maria’.

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Da pintura ‘à peça’ de figurado em Barcelos à Cerâmica Artística e Regional no Brasil

O percurso de Fernando Morgado no barro começa aos 12 anos, para ajudar a família. Assim, vai trabalhar por conta de dois irmãos mais velhos, na pintura de peças de figurado e louças que seriam vendidas em feiras. Somou experiência e, pouco tempo depois, começa a ser chamado por outros barristas da região para pintar artigo, ganhando à peça. Foi nesta fase da sua vida que, não raras vezes, pintou galos de Barcelos para Domingos Coto, conhecido mestre do artesanato de Barcelos e, muito provavelmente, o primeiro a fazer o Galo de Barcelos na roda de oleiro.

Aos 24 anos, corria o ano de 1952, emigrou para o Brasil, onde se junta a um irmão, com quem vai trabalhar numa fábrica de cerâmica no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Neste local, mais precisamente em 1954, pouco antes de se estabelecer por conta própria, fez a sua primeira peça de figurado – o busto de seu pai. Todavia, até que volte a produzir figurado irão passar várias décadas. Foi ainda neste ano que fundou com o seu irmão a empresa de decoração Cerâmica Artística e Regional, dedicando-se à produção de filtros para água, vasos e outras cerâmicas decorativas. O falecimento do seu pai, em 1962, precipitou o seu regresso a Portugal no ano seguinte, não o tendo feito, porém, sem antes casar com Palmira Duarte Silva, também ela portuguesa, de Viseu, e emigrada no Brasil.

Decorações Canta Galo marcam regresso a Barcelos e Figurado o fim da carreira de Fernando Morgado

De regresso a Barcelos, foi novamente o barro que concedeu a Fernando Morgado meios para sustentar a sua família e criar 5 filhos, através da fundação da empresa Decorações Canta Galo, que laborou entre 1963 e 1990, na produção de louças e cerâmica decorativa. O fim da sua atividade empresarial, no exigente ramo da cerâmica, foi ditado por motivos de saúde. Assim, passou à condição de reformado. No entanto, não perdeu o gosto pelo barro, antes pelo contrário, e passou a dedicar-se em exclusivo ao Figurado, a sua arte de coração, passando a criar peças que retratam o mundo que o rodeia. Assim surgem representações do folclore, profissões, cenas do mundo rural, motivos religiosos e diversas outras tradições. Há mesmo quem afirme ser Fernando Morgado um dos artesãos de Barcelos que melhor retrata a temática das tradições e do mundo rural no Minho. Trabalho único, o ofício de Fernando Morgado, amplamente marcado pela expressividade que transmite, assim como pela utilização de tons da natureza onde predominam cores pastel, foi todo ele produzido à mão, depois cozido e, por fim, pintado à mão.

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