‘Mais do que propriamente atribuível ao Partido Social Democrata em si mesmo, a causa funda-se na estrutura da própria sociedade portuguesa’

A [verdadeira] razão da vitória de Rio e da derrota de Rangel

A [verdadeira] razão da vitória de Rio e da derrota de Rangel

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A meu ver, a [verdadeira] razão da vitória de Rio e da derrota de Rangel nas eleições primárias do PSD que culminaram com a vitória de Rui Rio, o atual presidente do Partido Social Democrata (PSD) e a derrota do seu adversário, ainda não se encontra devidamente explicada.

Nesse caso, porquê dar-me ao trabalho de escrever mais um texto sobre a vitória de Rui Rio e a derrota de Paulo Rangel quando tudo parece estar já dito, redito, mexido e remoído mais de uma semana depois do ato eleitoral e Rio aparenta ter ficado e continuar satisfeito, embora, até ao momento, tenha para oferecer ao país pouco mais do que uma mão cheia de nada, como bem assinala António Fernandes, quando o assunto parece estar gasto e nada mais haver de novo a dizer sobre ele?

É que, no meu entender, mais do propriamente atribuível ao Partido Social Democrata em si mesmo, a razão desta vitória funda-se na estrutura da própria sociedade portuguesa.

Eleição esteve na mão de Rangel

Tendo lido e ouvido os mais diversos comentadores sobre o assunto, a verdade é que não creio que os comentadores se tenham pronunciado sobre aquela que creio ser a razão essencial da derrota de Paulo Rangel nestas eleições internas. De facto, naquele que foi talvez o texto mais claro e incisivo de entre os vários que li sobre os resultados das eleições primárias do PSD, ‘as estruturas não responderam como se esperava e os militantes-base não falharam a Rio, que também teve os seus caciques. Rangel teve vários erros de cálculo e perdeu onde tinha obrigação de ganhar’, sintetizava Rui Pedro Antunes, num texto publicado no Observador intitulado As três falhas que levaram Rangel a perder uma eleição que tinha na mão.

Se a eleição estava na mão de Rangel, não o estavam os eleitores, tal como Rio afirmou, e com isso terá conseguido alguns votos. Mas, apesar de tudo, a principal diferença que terá feito pender a balança a favor de Rui Rio terá sido a sua tendência de rigorismo centrista com sabor social-democrata.

Sendo certo que foi a governação socialista de José Sócrates que lhe esteve na origem, os portugueses estão ainda demasiado queimados pela governação de Pedro Passos Coelho. Foram por demais humilhantes as políticas de mentira em relação ao paraíso prometido com a chegada da troika e de desdém e terra queimada para com as pessoas que então viviam enormes dificuldades. Não lhes perdoo!, disse, a esse propósito e de forma clara, Francisco Seixas Costa, embaixador e um dos homens sempre avisado deste país, num texto publicado no dia em que António Costa tomou posse como primeiro-ministro do XXI Governo Constitucional.

Boa parte dos políticos dessa ala neoliberal continua ainda hoje com algumas réstias pouco fundadas de chegar ao poder nos próximos anos, mas esquece que a maioria dos portugueses são apenas pobres ou remediados, pelo que precisam de um Estado Social forte e solidário para conseguirem sair da pobreza ou minimizar a miséria em que vivem, mesmo quando trabalham, e que mesmo aqueles que o não são continuam a viver à sombra do Estado e das suas extensões; outra parte, tendo perdido a vergonha que antes os impedia de mostrar a sua verdadeira face, porque entendem que a atual liderança é frouxa, dá agora a cara em partidos ainda mais à Direita política e ainda menos respeitadores das linhas gerais do bom senso e do sistema democrático.

Vitória eleitoral ficou na mão de Rio

Nestas eleições primárias do Partido Social Democrata, essa fatia de portugueses – que também ocupa lugar de relevo entre os simpatizantes e militantes do PSD – deu nova resposta a esse grupo de políticos dizendo-lhes claramente que não são bem-vindos à frente dos destinos do nosso país, mesmo quando simpatiza ou é militante do PSD, porque preferem uma tendência governativa de rigorismo centrista com sabor social-democrata, e tal tendência, para o bem e para o mal, encontra-se na facção de Rui Rio, no PSD, e no PS, que deverá continuar liderado por António Costa. Pelo menos por ora, mas também provavelmente, nem tão cedo a quererá. Por essa razão, sempre acreditei na vitória de Rui Rio. A vitória de Carlos Moedas, com várias explicações possíveis para ter acontecido, foi apenas a exceção que confirma a regra e não o embalo em que alguns parecem ter acreditado.

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Categorias: Editorial

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Pedro Costa

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