‘Para que a verdade seja um facto, o acordo à esquerda só foi combinado para o mandato de 2015 a 2019, encarregando-se a História de registar que tudo o mais que se diga não corresponde à verdade’

A Geringonça

A Geringonça

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A Geringonça, assim foi rotulado o acordo – disse bem, o acordo – , a que o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e o Partido Ecologista ‘Os Verdes’ chegaram, pelo então presidente do CDS Paulo Portas e após o Governo proposto por Passos Coelho, presidente de PSD, partido que tinha ganho as eleições legislativas ter sido reprovado pela Assembleia da República aonde os partidos de esquerda detinham uma maioria de deputados eleitos após as Eleições Legislativas do ano de 2015.

Nascimento da Geringonça em 2015

Na sequência das políticas neoliberais do  Governo anterior – de 2011 a 2015 –, o País vivia um clima de recessão:

– O empobrecimento das populações crescia;

– O desemprego aumentava, ao ponto de o líder do maior partido de então, Pedro Passos Coelho, anterior Primeiro-Ministro, ter a ousadia de aconselhar a juventude Portuguesa e os demais trabalhadores desempregados a emigrar para encontrarem trabalho porque em Portugal não o conseguiriam;

– As carreiras na função pública foram congeladas;

– As pensões e reformas estagnaram, tendo sido reduzidas deduzido os subsídios de férias e o de Natal, e não havia solução previsível;

– Os subsídios de férias e de Natal foram suprimidos;

– A inflação tornou-se galopante face ao poder de compra;

– Os preços dos bens essenciais subiam;

– As taxas de juro da dívida pública aumentavam para patamares insuportáveis  hipotecando a independência nacional;

– O Serviço Nacional de Saúde estava ser desmoronado para poder ser um negócio da doença em mãos da iniciativa privada;

– O setor bancário já  era um bluff com a receita em divida mal parada e negócio em paraísos fiscais;

– As insolvências encontravam-se em crescimento;

– A justiça carregava casos obscuros cujos contornos e efeitos só seriam constatáveis posteriormente;

– A educação atravessava uma deriva cultural de entrosamento do pensamento de direita;

– Houve dias de feriado nacional que foram abolidos da grelha dos dias de descanso;

– E o mais que aqui não cabe sob pena de o rol se tornar infindável;

A palavra de ordem era :

– Austeridade!

– Austeridade!

– Austeridade!

É perante esta conjuntura social, económica e financeira, que a esquerda celebra o acima citado acordo que permite ao Partido Socialista formar Governo sem qualquer outra exigência que não fosse a do cumprimento desse acordo. Aí constavam linhas de orientação política nacionais com  medidas transversais, mas também de especialidade, e que redundaram na inversão da trajetória política então seguida pelo centro-direita neoliberal.

O acordo foi celebrado após as eleições legislativas do ano de 2015 e, em resultado desse acordo que durou até 2019, o Governo do PS  conseguiu:

– Acabar com a austeridade;

– Realinhar as taxas de juro da dívida externa soberana e assim equilibrar as contas públicas – de onde vem o célebre chavão: “Contas Certas”;

– Implementar políticas estruturais e estruturantes de recuperação do prestígio internacional no domínio das finanças para o mercado externo e de estabilidade económica e social para o mercado interno;

– Aumentar o emprego;

– Diminuir a precariedade laboral;

– Aumentar o salário mínimo negociado em sede de  concertação social;

– Aumentar as pensões e reformas;

– Retomar políticas de  progressão nas carreiras profissionais;

– Muitas outras medidas sociais que colocaram a solução política Portuguesa como sendo um exemplo para a Europa e o Mundo de que o modelo político, social e económico de uma Europa Social tem futuro e que os defensores do Liberalismo a ser protagonizado pelo centro-direita mais não é do que a ponta de um iceberg aonde se acantona a falência do modelo capitalista.

Contra este modelo político e económico sem soluções de futuro para a Humanidade, acresce a vontade política do PS em cumprir a sua matriz de identidade sociológica.

Realismo parlamentar conduz ao fim da Geringonça em 2019

Em 2019, a Geringonça acabou o seu trajeto político e cada partido remeteu-se ao seu espaço social.

O Partido Socialista entendeu que poderia alcançar nas eleições legislativas desse ano um resultado eleitoral com maioria absoluta.

Como não o conseguiu, pressionado pelo seu segmento de representação de uma corrente do pensamento político de centro-direita, avançou com uma solução de Governo de convergência à esquerda nas políticas sociais mas com a possibilidade de negociar com o centro e a direita medidas pontuais de convergência política e estratégica, que foi o que aconteceu.

No entanto, para conseguir governar, necessitava do apoio Parlamentar para que o seu Orçamento Geral do Estado (OGE) fosse aprovado.

Pese ter feito aprovar propostas de Lei em votação conjunta com a direita em diplomas cruciais para a esquerda, o OGE para os anos de 2020 e 2021 foram aprovados com o voto a favor do PCP e do PEV.

O OGE para o ano económico de 2022 foi reprovado por estes dois partidos, a que se juntou o BE, antigos parceiros da citada geringonça.

No entanto, e para que a verdade seja um facto, a Geringonça só foi acordada para o mandato de 2015 a 2019.

Tudo o mais que se diga não corresponde à verdade e a História se encarrega de registar.

Eleições não previstas ditarão condições de vida nos próximos anos

Temos assim um outro ciclo eleitoral em que o PS vai voltar a tentar a maioria absoluta sabendo de antemão que o PSD não está disponível para o aprovar – pelo menos é o que dizem o seu líder e o seu candidato a líder –, que também assumem querer conseguir uma maioria eleitoral no seu espaço político.

Haverá eleições independentemente de todas as vicissitudes e outros atos rocambolescos.

Do seu resultado sairá um novo Governo que ditará quais as condições de vida dos Portugueses nos próximos anos.

O Orçamento de Estado e a classe média desaparecida

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Categorias: Crónica, Política

Acerca do Autor

António Fernandes

António da Silva Fernandes nasceu em 1954, em S. José de S. Lázaro e reside atualmente em S. Mamede de Este, em Braga. É chefe de serviços da Alcatel. Como dirigente associativo, esteve e/ou está envolvido com: ACARE; GETA; Academia Salgado Zenha; Academia Sénior Dr. Egas; Associação de Pais da Escola Dr. Francisco Sanches; APD - Associação Portuguesa de Deficientes; Associação de Solidariedade Social de Este S. Mamede. Ao longo da sua vida, desenvolveu atividade política no MDP/CDE; JCP; PCP; LIESM-Lista Independente de Este S. Mamede; Comissão Política do Partido Socialista - Secção de Braga; Clube Político do Partido Socialista - Secção de Braga. Na política autárquica, desempenhou funções na Assembleia de Freguesia e no Executivo da Junta de Freguesia de Este S. Mamede. Desenvolve atividade na escrita: Poesia em antologias nacionais e plataformas digitais; Artigos de Opinião em Órgãos de Comunicação Social local e nacional, em suporte de papel e digital quer em blogues quer em Órgãos da Comunicação Social escrita. Colaborador na Rádio: R.T.M. (Solidariedade); Antena Minho (Cumplicidades).

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