‘Algumas espécies apresentam copas altíssimas, sombreando as florestas, enquanto outras têm ramos antigos e nodosos que pouco abrigo oferecem nas paisagens áridas’

As mais altas, as mais largas, as maiores e as mais velhas

As mais altas, as mais largas, as maiores e as mais velhas

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De que(m) falamos afinal quando referimos ‘as mais altas, as mais largas, as maiores e as mais velhas’?

Partindo do desafio do conhecimento mais fundamental da sua morfologia, perguntamos: conhece as mais altas, as mais grossas, as maiores e as mais velhas ÁRVORES do mundo? Algumas espécies de árvores apresentam copas altíssimas, sombreando as florestas, enquanto outras têm ramos antigos e nodosos, que pouco abrigo oferecem nas paisagens áridas. Muitas destas árvores tornaram-se presas do abate madeireiro intensivo e da invasão humana. Algumas, contudo, persistem. Conheçamos então as “mais”, dentro dos parâmetros de altura, diâmetro, volume e idade.

As mais altas

As árvores mais altas do planeta são as sequoias sempre-verdes (Sequoia sempervirens) da costa norte-americana do Pacífico. A mais alta, à qual foi posto o nome de Hyperion, (estes nomes personificam as árvores e assim ajudam a fomentar o apoio à sua contínua proteção) foi descoberta em 2006, no Parque Natural das Sequoias, na Califórnia. Com 115,6 metros de altura, é uma das espantosas 180 sequoias conhecidas com mais de 107 metros. O eucalipto da Tasmânia, a mais alta planta angiospérmica do mundo, é endémica de dois estados australianos, Victoria e Tasmânia. Em 2008, descobriu-se um exemplar de eucalipto “o Centurion”, da espécie (Eucalyptus regnans), que atingiu novo recorde, com 99,6 metros de altura. O Centurion é não só o eucalipto mais alto do mundo mas também a angiospérmica mais alta do mundo.

As mais grossas

Necessitando de água, o taxódio-de-montezuma pode nunca atingir grandes alturas como os concorrentes, mas esta espécie pode atingir grandes dimensões em diâmetro ou circunferência. A árvore de Tule ou cipreste de Montezuma ou ahuehuete (o homem velho da água), como é conhecida, é a árvore de tronco único mais grossa do mundo e localiza-se em Santa Maria del Tule, no estado mexicano de Oxaca. Trata-se de um exemplar de taxódio (Taxodium mucronatum) com 11,62 metros de diâmetro, o que corresponde a 36,2 metros de circunferência (medição de 2005). Estima-se que tenha entre 1200 e 3000 anos.

As maiores

Quando falamos em maiores, referimos as maiores em volume, as mais majestosas. A sequoia-gigante “General Sherman” é a maior árvore de tronco único em termos de volume total de madeira. No Parque Nacional das Sequoias, um monstro com 83,8 metros de altura deteve o recorde de tamanho durante quase 8 décadas – atualmente tem 1487 metros cúbicos só no tronco principal. As sequoias-gigantes têm uma casca grossa e rugosa (pode ter 90 centímetros de espessura na base do tronco) que ajuda a protegê-las dos incêndios florestais; as pinhas abertas pelo calor de um incêndio podem espalhar milhões de sementes numa área equivalente a meio campo de futebol.

As mais velhas

Os pinheiros da espécie Pinus longaeva são as árvores mais velhas. Um espécime da Califórnia, a quem foi dado o nome de Matusalém, é considerado o mais antigo organismo não clonado que se conhece, tendo sobrevivido 4800 anos. As raízes superficiais destas coníferas, permitem-lhes absorver água, enquanto as agulhas ajudam a reter humidade. Em ambientes extremos, este pinheiro não mede mais do que 9 metros, mas o tronco robusto continua a ganhar peso.

Com frequência, tiras estreitas de caule sustentam a folhagem em troncos maioritariamente mortos. As espécies coníferas são as mais antigas. É o caso dos pinheiros californianos Pinus longaeva e das sequoias. No entanto, uma das árvores mais velhas (se considerarmos os clones, na medida em que resultam da propagação vegetativa do pé original) localiza-se na ilha australiana da Tasmânia, na reserva florestal do monte Real, situada a uma altitude de cerca de 1000 metros. Este fóssil vivo, Lagarostrobos franklinni, é uma conífera com uma idade estimada de 10 mil anos. Este exemplar foi capaz de estender os seus ramos por duas eras geológicas. Quando a sua semente germinou, ainda o Homem andava a pintar as gravuras de Foz Coa. Um outro exemplar bastante mais velho, igualmente um clone, mas de Populus tremuloides, está referenciado no Utah, USA, com estimativas de idade entre 80 mil anos e 1 milhão de anos.

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Obs: artigo previamente publicado no âmbito do projeto Ciência@Bragança tendo sofrido ligeiras adequações editoriais na presente edição.

Imagem: VdM

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Categorias: Crónica, Flora, Natureza

About Author

Ivone Fachada

Diretora Executiva do Centro Ciência Viva de Bragança. Pós-graduação em História da Ciência e Educação em Ciências pela Universidade de Aveiro e Universidade de Coimbra (frequência de um doutoramento interdisciplinar). Mestre em Gestão e Conservação da Natureza pela Universidade dos Açores. Licenciada em Engenharia Florestal pelo Instituto Politécnico de Bragança. Membro da ScicomPt - National Science Communicators Network, fazendo parte da Direcção desta Associação entre outubro de 2017 e maio de 2020. Formadora de professores, credenciada pelo Conselho Científico e Pedagógico de Educação Continuada nos domínios: “A64- Ciências Ambientais” e “D08 - Educação Ambiental”. Autor ou co-autor de mais de trinta artigos em jornais, conferências e capítulos de livros.

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