Morrer: eutanásia e sofrimento

Morrer: eutanásia e sofrimento

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Para morrer, se possível, com um sorriso nos lábios, com uma despedida suave de todos aqueles que nos são mais queridos e próximos, voltemos a Ana Cláudia Quintana Arantes e ao seu livro A morte é um dia que vale a pena viver. A escritora lembra que, na morte, é imprescindível não haver sofrimento nem dor, bastando o sofrimento e a dor de nos irmos embora, de deixarmos este mundo bonito e todos aqueles que amamos e ‘mergulharmos’ no desconhecido e no incerto.

Só sei uma coisa: é que morte com dor associada deve ser imensamente tenebroso e por muito ou pouco aguda que seja, por mais suave que seja, dor é sempre dor e sofrimento é sempre sofrimento.

Quem diz que não tem medo da morte é um mentiroso insensato. A morte são as trevas e a escuridão, é o nunca mais ver a luz do sol, é não mais sentir a água a escorrer pelo corpo, é deixarmos para sempre e para a eternidade aquilo de que gostamos e aquilo que amamos.

Por mais que nos “preguem” o contrário, a morte é triste e é obrigação de todos transformá-la num “dia que vale a pena viver”. Pode ser um dia muito curto, pode ser um dia muito fugaz, pode ser um dia de poucos segundos, mas se fizermos que esses momentos finais não sejam momentos de dor e de sofrimento, julgo que ganhamos a batalha contra a morte.

Penso que foram Marx e Engels que escreveram esta frase: “Se o homem é formado pelas circunstâncias, é necessário formar as circunstâncias humanamente”.

Para a morte ser, afinal, o tal “dia que vale a pena viver”, é necessário que as circunstâncias da morte sejam humanas e sejam humanizadas, que não se assemelhem a uma selvajaria absoluta, que não representem um suplício para quem vai morrer, que não se pareçam minimamente com um filme de terror.

A eutanásia tem, na formação destas circunstâncias, um papel decisivo.

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Acerca do Autor

Mário Martins

Nasci na casa dos meus pais, em 1951, em Arnoso Santa Eulália, e por lá me fiz adolescente, jovem e homem. Da minha infância, guardo na memória as longas jornadas da escola primária, para onde íamos muitas vezes descalços e com frio, a professora Beatriz, tirana e hostil para as crianças que nunca fomos, os dias sem fim a guardar ovelhas que pastavam nos montes… No fim da “instrução primária”, fui para o seminário, a “via de recurso” para quem não tinha “posses” para estudar no ensino oficial. Por lá andei cinco anos, dois em Viana do Castelo e três em Braga, nos seminários da Congregação do Espírito Santo. Foram tempos felizes: rezava-se muito, estudava-se muito, jogava-se muito “à bola” e havia boa comida! Com muitos sacrifícios dos meus pais, “fiz” o 7º ano (hoje 12º), no Liceu Sá de Miranda, em Braga. No fim deste “ciclo” fui operário na Grundig, em Ferreiros, também do Concelho de Braga, durante um ano. Entretanto, com uma bolsa de estudo da Fundação Gulbenkian, entrei na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ao fim de três anos, em janeiro de 74, fui para a “tropa”, primeiro em Mafra, depois em Lamego, nos “comandos”. Eu era pequenino e franzino, mas os campos e os montes de Arnoso Santa Eulália, tinham-me feito forte, ágil e robusto! Depois fui professor, a minha profissão, carreira que foi acontecendo, enquanto completava a licenciatura, interrompida pela “tropa”. Fui Chefe de Divisão da Educação e Ação Social e Diretor de Serviços (adjunto do presidente), na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, na Presidência de Agostinho Fernandes, “no tempo em que tudo aconteceu”. Fui também Diretor do Centro de Emprego, num tempo difícil, em que a “casa” estava sempre cheia de desempregados, e vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, primeiro eleito pelo MAF (Movimento Agostinho Fernandes) e depois pelo PS. Hoje sou bom marido, pai e avô. A vida já vai longa, mas continua a trazer com ela a necessidade de construir, pensar e fazer…

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