‘Nestes tempos de ignomínia e de incerteza, muito teme o muito amor e muito dói. E as crianças, senhor?’

Todo o amor tem o seu tempo

Todo o amor tem o seu tempo

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1.

Todo o amor tem o seu tempo, mesmo quando é amor para sempre. Todo o mar, mesmo de rosas, se agita e tem marés, e marés vivas. De tudo o tempo é senhor e tudo move. Nas encruzilhadas da vida e dos caminhos, temos sempre o melhor e o pior. Nestes tempos de ignomínia e de incerteza, muito teme o muito amor e muito dói. E as crianças, senhor?

2.

Têm os avós dos filhos as saudades dos netos e, muitas vezes, não o sabem. E os filhos não entendem, porque nem se apercebem. E depois dizem que os avós amam seus netos mais que seus próprios filhos. São coisas de dizer. E as coisas de dizer são as coisas que se dizem por dizer, e adiante, que não é preciso perder tempo a pensar nisso.

3.

Pela sombra das paredes penduradas, em caixilhos vidrados, dormem as fotografias dos filhos meninos. Param os avós o olhar nelas, e não acreditam na distância do tempo num instante. Presos na saudade, perdem a idade, e pegam com os olhos na fotografia dos meninos seus ao colo. Eles não vêm, porque ainda não entendem.

4.

Há coisas que são tão íntimas, tão inexplicavelmente indistintas na sua simultânea, una e múltipla fraccionalidade, pessoais e intransmissíveis. É nesse mesmo incontido amor aos netos que os avós mais amam sem imites os seus filhos. Andam sempre os mais velhos com seus filhos na cabeça e com os netos, e ao colo, mesmo quando vão embora.

5.

Todo o amor tem o seu tempo, mesmo quando é amor para sempre. Todo o mar, mesmo de rosas, se agita e tem marés, e marés vivas. De tudo o tempo é senhor e tudo move. Nas encruzilhadas da vida e dos caminhos, temos sempre o melhor e o pior. Nestes tempos de ignomínia e de incerteza, muito teme o muito amor e muito dói. E as crianças, senhor?

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