‘O novo paradigma de ser professor coloca enormes desafios na forma como comunica e interage com os estudantes, como os ensina a serem autónomos, flexíveis, competitivos, criativos e empreendedores e como os prepara para intervir numa sociedade em rede e hipersocial’

Ser professor na era da Indústria 4.0

Ser professor na era da Indústria 4.0

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A sociedade da informação e conhecimento na era da Indústria 4.0 tem vindo a sofrer diferentes desenvolvimentos e mudanças estando em constantes construções no que concerne às fontes e à capacidade de difusão. O desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) possibilitaram novos desafios no planeamento, (re)organização e desenvolvimento desta sociedade. Esta nova forma de ordem global pode trazer riscos ecológicos, tecnológicos, religiosos, económicos, sociais e democráticos decorrentes da globalização e do crescente capitalismo, tendo como consequências a pobreza em massa, fundamentalismos ideológicos, precariedade do emprego, aumento das desigualdades sociais e desequilíbrios acentuados na distribuição da riqueza. (Beck, 2007).

Os estudantes transportam para a escola imagens de um mundo real ou fictício que ultrapassa em muito os limites da família e da comunidade. As mensagens transmitidas pelos meios de comunicação social entram em concorrência ou em contradição com o que os estudantes aprendem na escola. A escola da atualidade tornou-se mais exigente face ao passado, a aprendizagem é mais abrangente, deixa-se de ensinar apenas a ler, escrever e calcular, para que os estudantes passem a aprender – aprender a aprender – recorrendo a metodologias motivadoras e flexíveis, onde se integrem diferentes recursos didáticos, conteúdos dinâmicos e interativos. Pretende-se ensinar aos estudantes a utilizarem e a interpretarem diversas formas de informação, mantendo uma atitude crítica e construtivista no seu processo de ensino-aprendizagem (Castells & Cardoso, 2005).

Os professores devem estabelecer uma forte relação com os estudantes para que o processo pedagógico adquira os quatro pilares da educação necessários na construção das bases de competências para o seu futuro. Nesta visão prospetiva ao longo de toda a vida serão exigidos a todos os indivíduos de uma sociedade em rede, que sejam capazes de aprender a conhecer, para adquirirem os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para autonomamente agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, no sentido de participar e cooperar ativamente em atividades e relações interpessoais; aprender a ser, via essencial que integra e engloba todas as aprendizagens supracitadas no caminho evolutivo do ser humano (Delores et al., 1999). De uma forma geral as escolas que foram intervencionadas recentemente pelo estado, estão bem apetrechadas tecnologicamente a nível de rede informática, internet, quadros interativos, entre outros. O trabalho do professor não consiste simplesmente em transmitir informações ou conhecimentos, assume um novo papel onde têm de aprender o que ensinar e como ensinar de forma a potenciar as novas tecnologias ao serviço da educação, com enormes responsabilidades em guiar as aprendizagens dos estudantes, para desenvolverem as suas capacidades e competências na utilização de tecnologias interativas que permitam privilegiar o seu ritmo de autoaprendizagem e a sua autonomia (Monteiro et al., 2015). Este novo paradigma de ser professor, que é visto como uma extensão da escola, coloca enormes desafios na forma como comunica e interage com os estudantes, como os ensina a serem autónomos, flexíveis, competitivos, criativos e empreendedores e como os prepara para intervir numa sociedade em rede, hipersocial, em que as pessoas integram as tecnologias nas suas vidas, ligando a realidade com a virtualidade, nas diferentes formas tecnológicas de comunicação (Castells, 2002).

A postura do professor e do estudante devem ser proativas de forma a proporcionar ao processo de ensino–aprendizagem um sistema mais democrático e atrativo, para que quem dele necessite possa obter neste formato uma maior flexibilidade que lhe permita alcançar os objetivos a que de outra forma estavam condicionados.

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Imagem: Headway/Unsplash

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BIBLIOGRAFIA

§ Beck, Ulrich, 2007. Las políticas públicas y la sociedad de riesgo

§ Castells, Manuel, 2002. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura.

§ Castells, Manuel & Cardoso, Gustavo, 2005. A Sociedade em Rede: Do Conhecimento à Ação Política.

§ Delores, Jacques et al., 1999. Educação, um tesouro a descobrir: Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional Sobre Educação para o Século XXI.

§ Monteiro, Angélica, Moreira, J. António & Lencastre, José Alberto, 2015. Blended (e) Learning na Sociedade Digital.

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Categorias: Ensino

About Author

Carlos Brandão

Professor de Informática e Eletrónica desde 2001. Mestre em Ciências da Educação – Administração e Organização Escolar (2017). Mestre em Eletrónica Industrial no Ramo Automação e Robótica (2007). Licenciatura em Engenharia de Eletrónica e Informática (2001).

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