‘Estes que assim procedem são os mesmos que, em Portugal, nunca se importaram com os crimes da ditadura’

Fernando Medina, o ‘007’ de Moscovo

Fernando Medina, o ‘007’ de Moscovo

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E, de repente, muitos daqueles que nunca se interessaram por direitos humanos, que têm vivido a vida indiferentes à tirania e à opressão dos povos e das pessoas, “armaram-se” em defensores acérrimos dos dissidentes russos que se manifestaram contra Putin, em Lisboa. Chegaram ao cúmulo de “indiciarem” Fernando Medina, Presidente da Câmara da Lisboa, de “agente infiltrado” da Rússia.

Putin, o Presidente da Rússia, é um ditador, já todos sabemos isso. Daí até “indiciar” Fernando Medina como cooperante de uma ditadura, vão milhares e milhares de “quilómetros-luz”, ou seja, é sob todos os pontos de vista por que quisermos analisar o problema, uma barbaridade de que até Conan, “o bárbaro”, teria vergonha!…

Estes que assim procedem são os mesmos que, em Portugal, nunca se importaram com os crimes da ditadura, que não sofreram, em África, durante a Guerra Colonial, com as crianças assassinadas, que nunca levantaram a voz contra os ditadores, sejam eles russos, chineses ou cubanos, que nunca se ergueram contra as violações dos Direitos Humanos, que patuaram toda a vida com as injustiças, os desmandos e a crueldade dos homens e dos poderosos.

John le Carré (falecido em 2020), arrasta-nos no seu livro, “A Casa da Rússia”, para o mundo secreto da espionagem internacional que passa por Moscovo, Londres, Leninegrado e Lisboa e onde a CIA, agência de espionagem americana, não podia deixar de ter o seu papel de alguma relevância. É um livro que retrata muito do que pode acontecer em espionagem e contraespionagem entre o Ocidente e a Antiga União Soviética. Não estamos nesse tempo!

Um procedimento meramente administrativo, aliás previsto na lei, que obriga a comunicar a todos os intervenientes as manifestações que uma ou várias organizações pretendem promover (no caso presente, ativistas russos), serviu de pretexto, à direita e à esquerda, para atacar o Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, como se ele fosse o tal espião ao serviço de Moscovo. Houve até um que exigiu a demissão de Fernando Medina (refiro-me a Carlos Moedas, do PSD).

Certamente perplexo e confuso (não sei porquê) com as sondagens que lhe “dão” uma estrondosa derrota no confronto com Fernando Medina, não viu melhor do que chamar-lhe o “007” de Moscovo”!

Triste figura! …

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Imagem: FM

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Categorias: Crónica, Política

About Author

Mário Martins

Nasci na casa dos meus pais, em 1951, em Arnoso Santa Eulália, e por lá me fiz adolescente, jovem e homem. Da minha infância, guardo na memória as longas jornadas da escola primária, para onde íamos muitas vezes descalços e com frio, a professora Beatriz, tirana e hostil para as crianças que nunca fomos, os dias sem fim a guardar ovelhas que pastavam nos montes… No fim da “instrução primária”, fui para o seminário, a “via de recurso” para quem não tinha “posses” para estudar no ensino oficial. Por lá andei cinco anos, dois em Viana do Castelo e três em Braga, nos seminários da Congregação do Espírito Santo. Foram tempos felizes: rezava-se muito, estudava-se muito, jogava-se muito “à bola” e havia boa comida! Com muitos sacrifícios dos meus pais, “fiz” o 7º ano (hoje 12º), no Liceu Sá de Miranda, em Braga. No fim deste “ciclo” fui operário na Grundig, em Ferreiros, também do Concelho de Braga, durante um ano. Entretanto, com uma bolsa de estudo da Fundação Gulbenkian, entrei na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ao fim de três anos, em janeiro de 74, fui para a “tropa”, primeiro em Mafra, depois em Lamego, nos “comandos”. Eu era pequenino e franzino, mas os campos e os montes de Arnoso Santa Eulália, tinham-me feito forte, ágil e robusto! Depois fui professor, a minha profissão, carreira que foi acontecendo, enquanto completava a licenciatura, interrompida pela “tropa”. Fui Chefe de Divisão da Educação e Ação Social e Diretor de Serviços (adjunto do presidente), na Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, na Presidência de Agostinho Fernandes, “no tempo em que tudo aconteceu”. Fui também Diretor do Centro de Emprego, num tempo difícil, em que a “casa” estava sempre cheia de desempregados, e vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, primeiro eleito pelo MAF (Movimento Agostinho Fernandes) e depois pelo PS. Hoje sou bom marido, pai e avô. A vida já vai longa, mas continua a trazer com ela a necessidade de construir, pensar e fazer…

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