Vila do Conde, Lisboa, Baião e Ermesinde acolhem a nova exposição polinuclear da artista plástica entre 24 de junho e 31 de outubro.

Cristina Rodrigues inaugura instalação artística em Vila do Conde

Cristina Rodrigues inaugura instalação artística em Vila do Conde

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Esta quinta-feira, 24 de junho, no Cais da Alfândega, em Vila do Conde, foi inaugurada  a instalação artística da autoria da artista plástica Cristina Rodrigues, concebida no âmbito da exposição ‘Clamor da Maré Cheia’, constituída por 12 esculturas de barcos em ferro e redes de pesca, representando o Homem como explorador que criou um objeto capaz de atravessar o mar rumo ao desconhecido.

Na cerimónia inaugural, na qual marcaram presença diversos elementos do Executivo Municipal e José Pinho Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Baião, entre outras entidades, Elisa Ferraz, a presidente da Câmara Municipal vilacondense, felicitou Cristina Rodrigues pela excelência do seu trabalho e agradeceu o empenho de todos os envolvidos, destacando o maior encanto da zona ribeirinha que, assim, ficou ainda mais bonita.

Para além de Vila do Conde e Baião, Lisboa e Ermesinde irão receber obras da artista compondo a totalidade da exposição ‘Clamor da Maré Cheia’, uma mostra concebida em sintonia com o lugar de exibição.

‘Clamor da Maré Cheia’ exalta a odisseia humana

O Cais da Alfândega, situado na frente ribeirinha de Vila do Conde, foi o local escolhido por Cristina Rodrigues para apresentar ao público a sua exposição polinuclear ‘Clamor da Maré Cheia’. O Jardim do Museu Nacional de Arqueologia – Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, no dia 15 de julho, o Mosteiro de Santo André de Ancede, em Baião, a 25 de julho, e o exterior do Fórum Cultural de Ermesinde, a 31 de julho, receberão as restantes instalações que compõem esta exposição.

‘Clamor da Maré Cheia’ é uma exposição polinuclear, composta por quatro instalações de arte contemporânea, concebidas em sintonia com o lugar de exibição. A narrativa inscrita nesta obra exalta o Homem como um ser curioso e trabalhador, capaz de enfrentar grandes adversidades por caminhos desconhecidos. As esculturas que integram a obra – quase cinco dezenas de peças que utilizam o ferro e redes de pesca como matéria de trabalho – são fruto de uma reflexão da autora sobre a odisseia humana.

Vila do Conde, cidade conhecida pelos seus estaleiros navais; Belém, lugar de onde os portugueses partiram à descoberta do mundo; o Mosteiro de Santo André de Ancede, Baião, um local onde sempre se celebrou o culto do espírito; e Ermesinde, fundada essencialmente para ser uma cidade de trabalho, enquadram esta narrativa de Cristina Rodrigues.

O mar, segundo Sophia, no centro da perspetiva de Cristina Rodrigues

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Concerto de Carla Caramujo & Quarteto de Cordas complementa instalação artística

Em complemento, às 21h30, no Teatro Municipal de Vila do Conde, uma das mais conceituadas vozes do canto lírico nacional – a soprano Carla Caramujo – interpretou obras de Hahn, Fauré, Lacerda Puccini e Bizet, no que foi acompanhada em concerto por um quarteto de cordas composto por Álvaro Pereira e Evandra Gonçalves, nos Violinos, Luís Norberto, na Viola d’Arco, e Michal Kiska, no Violoncelo.

A soprano construiu o programa do concerto, também intitulado ‘Clamor da Maré Cheia’, com peças de compositores que, tal como Cristina Rodrigues, se inspiraram no mar para criar. O mar transporta o labor, o sustento e a espiritualidade e estes autores interpretam-no de forma singular. “A sua beleza onírica, o seu ruído, ora ameaçador, ora nostálgico, a sua influência na vida das populações, transporta-nos para um universo de emoções, similares em qualquer latitude”, afirma Carla Caramujo, sobre o mar.

Este concerto repetir-se-á aquando da inauguração dos polos de Baião e Ermesinde novamente.

Quem é Cristina Rodrigues?

Nascida em 1980, com trabalho artístico apresentado na Europa, Ásia e América do Sul em diversas exposições a solo, Artista plástica e arquiteta portuense, Cristina Rodrigues é uma das artistas plásticas portuguesas mais importantes da sua geração. Várias das suas obras integram coleções de museus e entidades públicas, entre as quais a Catedral de Manchester, no Reino Unido.

O seu perfil multidisciplinar fala por si, tendo Cristina já colaborado com marcas de referência, protagonizando coleções ímpares. Com a FLY London, desenhou a Urban Dwellers, uma linha de sapatos e botas de senhora. Com a Licor Beirão, construiu a Fonte da Felicidade, estrutura forjada em ferro que suporta “taças de magia”. Criou uma coleção de tapeçarias para a Ferreira de Sá, que contou ainda com a presença de autores como Siza Vieira e Fátima Lopes. E, para a Alma de Luce, marca de mobiliário de luxo, construiu um contador único, a que deu o nome de “The Angel of Columbus”.

O ecletismo que emana das suas obras exprime as suas paixões e formação académica. Toda a sua obra é regida por uma estética simples que liga a etnografia social, a antropologia e a sustentabilidade ao desenho, à pintura, à instalação e à escultura. Devido ao grande sentido do global/universal, as suas instalações exprimem um trabalho aprofundado, desenvolvido em torno de permanentes contrastes entre o tradicional e o contemporâneo; um diálogo fluido entre o tradicional de inspiração popular e uma cultura de raiz mais «erudita».

Característica primordial em Cristina Rodrigues é o método através do qual procede à conservação, através da arte, de um conhecimento popular, de uma tradição, um idioma ou dialeto, uma técnica de artesanato, enquanto elementos que integram a cultura e a identidade de um local. Desta forma, não apenas os «regista» como tal, mas também os leva a percorrer mundo, integrando as suas obras e exposições.

A artista elabora as suas peças com minúcia, levando à descoberta da identidade artística de objetos obsoletos, transformando-os em relíquias escultóricas que realçam o seu percurso e o conjunto da sua obra. Com as suas criações, Cristina Rodrigues cria narrativas imaginárias que ligam a sua história pessoal, enquanto mulher portuguesa num contexto global, a um fantástico mundo de simbolismos. A artista conduz o espectador contemporâneo através de um percurso transcultural e transtemporal, em que são visíveis as preocupações com a dimensão humana, centrando-se de forma incisiva nos direitos humanos.

Em termos académicos, Cristina Rodrigues, em 2004, conclui a licenciatura em Arquitetura pela Universidade Lusíada, tendo posteriormente obtido um mestrado em História Medieval e do Renascimento pela Universidade do Porto. Na prestigiada Manchester School of Art, em 2016, concluiu um doutoramento em Arte e Design.

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Imagens: M VNF

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