‘Num país de analfabetos políticos e culturais, num país onde se promove o lixo da mediocridade, não queriam que passasse pelas redes sociais o aroma do esgoto?’

Há tanta tontice por aí espalhada que até invadiu as universidades

Há tanta tontice por aí espalhada que até invadiu as universidades

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1.

Não me venham para aqui dizer mal das redes sociais feitos meninos de coro, ou feitos fascistas, vestidos com a máscara de ferro da esquerda que nunca o foi. Até porque hoje não há esquerda nenhuma. Não sei se há direita, mas se há, ou não gosto dela, ou não sabe o que quer, ou, então, é burra, ou sabe o que não quer, mas abre as pernas, e borra-se toda de medo, não vá esta esquerdazinha de meia tigela chamar-lhe fascista. Curioso: há uma camada debaixo do guarda-chuva da esquerda que acha que a esquerda é um penacho que lhe dá brilho, mas que faz questão de fazer sempre ponte com alguém de direita, para dizer que, enfim, até é democrata. E vice-versa. Mas, isso é, de parte a parte, ridículo, deixando a todos no limbo do oportunismo.

2.

Eu peço desculpa, mas eu sou assim. Eu quero dar-me, e dou-me bem com pessoas sinceras e honestas, que não andem a brincar ao esconde esconde, com o que é, e com o que não é. O Pacheco Pereira que diga mal das redes sociais à vontade. E que o sigam, como guru, os agarrados à droga exaltante da esquerda ou da direita. O Pacheco é um homem culto que decidiu fazer uma a carreira a solo, pretensamente a solo. Mas nunca recusa, antes procura, aquela linha central em que recebe a bengala, ora da esquerda, ora da direita. Foi sempre assim, desde os tempos longínquos em que concorri com ele à direcção do Sindicato dos Professores da Zona Norte, ele para Presidente da Assembleia, e eu para Presidente da Direcção. Eu era novito, mas era atrevido.

3.

As redes sociais são um instrumento. E, como instrumento, são uma maravilha. Eu nunca teria publicado um texto sem elas. E em toda a minha vida de intervenção nunca cheguei a tanto lado como agora, embora não chegue praticamente a lado nenhum. E permitiu-me conhecer pessoas excelentes, através das quais vale a pena não desistir e continuar. Há sempre alguém que lê, deita para o lixo, ou dá a atenção ao que acha que a merece. Quem diz mal, então, das redes sociais? Ora, os Pachecos, que não precisam delas. Têm lugar cativo para a crítica benévola ao sistema fraudulento e antidemocrático que nos governa, cinicamente, invocando Abril. E também dizem mal aqueles merdinhas pseudo-intelectuais, só porque acham que é fino criticar a fauna que por cá passa. E quem queriam eles que passasse? Num país de analfabetos políticos e culturais, num país onde se promove o lixo da mediocridade, não queriam que passasse por aqui o aroma do esgoto? Mas deixem-no passar. Ocupem-se antes de quem é responsável pela baixeza que por aqui anda. Mas deixem-nos falar. Fica mais claro o retrato do país.

4.

Os Pachecos, os Medinas, os Costas, os Sócrates, os Varas, os Constâncios, os Guterres, os Barrosos, os Soares, sim, o Cavaco, que é que fizeram para tentarem travar a situação degradante em que estamos? E o Centeno? E os Ricardos, e o Parlamento que leis aprovou? Apetece-me cantar aqui, mas não canto, uma canção popular americana com a letra adaptada assim: ” No Faroeste anda tudo nu / uns com uma pena de galinha na pinha / outros com uma pena de peru no cu”. Isto é, o 25 de Abril, acabou, sim, com uma ditadura, que nem tossiu nem mugiu, e ninguém, até hoje, se interrogou porquê. E, concomitantemente, abriu as portas ao saque, que começou logo na primeira semana. Lembro-me muito bem dos assaltos feitos à documentação da PIDE, da Mocidade Portuguesa, da Legião. É a questão de sempre: quem tem a informação, tem o poder. Para não falar já do assalto às câmaras e às escolas, aos institutos, às universidades, às armas. Enfim.

5.

E, para terminar, o senhor Medina, um exemplar bem característico da fauna do PS.. Uma ilustre senhora escreveu hoje que o senhor Jerónimo de Sousa criticou ou, ao menos, discordou do bufo abjecto, que é o Medina, de Lisboa, e do PS, por ter ele, qual PIDE de undécima categoria, entregue informação ao senhor Putin. Ora, muito me admiro. E porquê? Porque o senhor Jerónimo, metalúrgico, evidentemente, é do tempo em que o PCP canalizou montanhas de informação para o KGB da ex- URSS. E mais, é do tempo em que o PCP recolhia informações e fichava os activistas mais críticos da ex-União Soviética. Muitos foram presos. Eu lembro-me. Hoje posso falar disto sem problemas. Mas não me esqueço.

Aditamento (esclarecimento):

Estas coisas não me incomodam, mas não me esqueço. Era preciso recuar a 1975, ao antes e ao depois da Assembleia constituinte, a que eu concorri numa lista, e acabei por ser detido durante sete dias porque o meu nome apareceu num jornal.

Durante o processo para as eleições foram presas algumas pessoas, curiosamente que sempre foram contra a política que já então lá se praticava, a qual, como se viu, implodiu por si própria pouco depois. A seguir à constituinte, e durante o período conturbado do Verão Quente, centenas (432) pessoas foram presas numa só noite, sem mandato algum, sem acusação alguma, foram ofendidos, humilhados e torturados, como no tempo da PIDE. Foram escolhidos a dedo, e a decisão veio, sabe-se agora, da V Divisão (do famoso Varela), da Comissão principal do MFA, e do Governo (Vasco Gonçalves). Se não tem memória viva desses acontecimentos, de que a televisão nunca fala, basta-lhe consultar os jornais da época. O executor foi o COPCON, a nova PIDE. Mas o melhor ainda é falar ou consultar a própria documentação do próprio PCP.

Os tempos agora são outros. Mas, quem viveu a história do 25 de Abril comprometidamente por dentro sabe muito bem que há muita coisa empolada e muita coisa omitida. Eu fui uma dessas pessoas. Mas isso agora não tem interesse nenhum.

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Imagens: M EPS

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