Jovem músico é uma referência no tango dos dias de hoje e um dos mais requisitados bandoneonistas europeus

Lysandre Donoso apresenta Piazzola e Ginastera na Gulbenkian

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Astor Piazzolla foi o grande nome da renovação do tango, tendo criado um novo estilo que acolheu elementos do jazz e da música erudita. Através do seu bandoneón, o tango de inspiração popular afirmou-se como música de alcance mais exigente. O concerto para bandoneón e orquestra Aconcagua foi estreado em 1981, em Washington, com o próprio Piazzolla no lugar de solista. No Auditório da Gulbenkian, em Lisboa, nos próximos dias 16 e 17 deste mês de junho, o seu lugar será ocupado pelo jovem Lysandre Donoso, hoje em dia uma referência no tango e um dos mais requisitados bandoneonistas europeus, fazendo-se também ouvir a música de Ginastera. O jovem músico será acompanhado pela Orquestra Gulbenkian sob a direção de Leonardo García Alarcón.

Lysandre Donoso, um bandeonista de eleição

Filho de pai chileno e mãe francesa, Lysandre Donoso iniciou os seus estudos musicais, com 6 anos apenas, no Conservatório de Lyon. Graças ao bandoneón que herdou de seu avô, rapidamente começou a apaixonar-se pelo tango e pela música argentina.

Em 2010, Lysandre Donoso decidiu interromper os estudos de engenheiro e dedicar-se à música. Ingressou, então, no Codarts, o Conservatório de Rotterdão. Em paralelo aos estudos tem vindo a multiplicar as experiências profissionais, nomeadamente com a Orquesta Silbando, o Quinteto Emedea, o conjunto Sónico, a Grande Orquestra de Tango de Juan José Mosalini, entre outros.

Lysandre Donoso tem ainda acompanhado muitas obras teatrais e óperas, por exemplo, a Orchestre du Capitole de Toulouse e é solista na Orchestre National de France e em vários projetos europeus. Para lá disso, o bandeononista apresentou-se já em algumas das salas de espetáculos mais conceituadas da Europa como o Royal Albert Hall, em Londres, a Salle Pleyel, em Paris, o Bozar (Bruxelas), o Berlin Konzerthaus ou o Elbphilharmonie, em Hamburgo.

Tanguedia para nosotros

“O presente concerto apresenta perspetivas contrastantes da música argentina do século XX, integrando obras orquestrais que adaptam géneros tradicionais e populares do país sul-americano à sala de concertos, como o bandoneón, instrumento semelhante à concertina, assumindo um lugar central”, destaca João Silva na homepage da Casa da Música. Desenvolvido na Alemanha no século XIX, atravessou o Atlântico na bagagem dos europeus que se fixaram na Argentina aquando das vagas de imigração e ocupou um lugar central na música popular desse país.

“Apesar das diferenças de perspetiva sobre a Argentina que dividem Ginastera e Piazzolla, há uma ligação muito forte entre eles. Na década de 1940, o jovem Astor Piazzolla foi um dos primeiros alunos de Alberto Ginastera. Dessa forma, a visão do professor que colocava o espírito nacional da Argentina nas estancias gaúchas (propriedades dedicadas à criação de gado bovino) é contraposta aos tangos escritos pelo aluno, ligados aos bairros populares de Buenos Aires”.

Algumas das melhores composições de Piazzola e Ginastera integram espetáculo

“Aconcagua é um concerto para bandoneón e orquestra de cordas e percussão escrito por Piazzolla em 1979, numa altura em que a carreira internacional do músico estava em vias de relançamento, após várias experiências, nem sempre bem-sucedidas. A capacidade de metamorfose estilística contribuiu para a notoriedade de Piazzolla como um dos expoentes máximos do bandoneón e o desenvolvimento do circuito transnacional da world music catapultou as suas obras para a ribalta internacional, tornando-o presença assídua em festivais de jazz e de música erudita.

Adios Nonino é uma obra emblemática de Piazzolla. Escrita em 1959, durante um dos períodos mais negros da vida do compositor, após abandonar a Argentina e regressar a Nova Iorque. Nessa época, tentou desenvolver uma carreira que ligava o tango à improvisação do jazz. Foi num contexto quase improvisatório relacionado à morte do pai que se desenrolou a escrita de Adios Nonino, uma melodia que perdurou no tempo. Uma introdução percussiva e ritmicamente obstinada antecipa um dos momentos mais líricos da música da segunda metade do século XX. A longa melodia, apresentada sobre um fundo de cordas, evoca a nostalgia de infância, encarnando uma despedida sentida.

Oblivion é um tango lento que domina a banda sonora que Piazzolla escreveu para Henrique IV, filme de 1984 realizado por Marco Bellocchio e protagonizado por Marcello Mastroianni. A década de 80 marcou o regresso de Piazzolla ao circuito internacional de apresentações, após um período de relativo esquecimento, tendo a  sua fama sido promovida pelo cinema. Em Oblivion, a melodia sinuosa é complementada pelos contracantos da orquestra, revelando a escola neorromântica cultivada por Piazzolla.

Se Piazzolla encarna a renovação e legitimação da música urbana de Buenos Aires, processo que criou tensões entre respeitabilidade e autenticidade, o jovem Ginastera cultivou a música tradicional argentina. Assim, as pampas e os gaúchos inspiraram a escrita de obras que colocavam o substrato nacional da Argentina nas pampas. O bailado Estancia encarna essa síntese de nacionalismo e folclorismo. Baseado no poema oitocentista Martín Fierro, de José Hernández, Estancia recorre a formas poéticas associadas à tradição popular improvisada.

Inspirada na vida quotidiana dos gaúchos argentinos, a obra resultou de uma encomenda da companhia americana Ballet Caravan. Dissolvida antes da apresentação do bailado, a obra acabou por ser estreada em Buenos Aires no formato da Suite – Los trabajadores agricolas, Danza del trigo, Los peones de hacienda, Danza final: Malambo – a apresentar.

O concerto termina com quatro tangos escritos por Piazzolla em parceria. Três resultaram da colaboração com Horacio Ferrer (1933-2014), uma das referências da renovação do género. Este uruguaio divulgou as novas tendências do tango a partir da rádio e da promoção de concertos. Tendo conhecido Piazzolla depois do regresso do compositor após o período de formação em Paris, encetou uma relação criativa que originou tangos como Yo soy MariaBalada para un loco e Balada para mi muerte. Siempre se vuelve a Buenos Aires é, por sua vez, um tango escrito em parceria com a cantora, letrista e compositora Eladia Blázquez (1931-2005). Nele, assoma a nostalgia muito própria do tango, que evoca a identidade local numa espécie de ritual de eterno retorno, assombrado pelo tango, a uma cidade da qual nunca se chega a partir”.

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Imagens: Elsa Broclawski

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Categorias: Agenda, Lisboa, Música

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