‘De que AFECTOS somos feitos? Que linhas de tempos, que devires nos atravessam?’

O Amor

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” O AMOR não se programa, experimenta-se sem formas, é um movimento intensivo. Só há uma saída para o AMOR: amar na mutabilidade e com forças da impermanência! O durável está no instante que nos atravessa, haja prudência e muita experimentação!

SIM o amor é um cuidar que se ganha em se perder (Camões). “Encontrar um ritornelo no amor, que não seja eterno, mas infinito enquanto durar” porque a ética continua a dançar nas geografias dos afectos! Sim, entregar o pensamento e o corpo a tudo que eles podem, fugindo dos ideais, dos julgamentos, defrontando ameaças, máquinas sociais e imposições( contornar a rocha e surfar aberto ao encontro que é uma abertura ao infinito): vencer o niilismo, as forças reactivas, a conservação com os devires activos, com modos alegres, nómadas, SIM, deixar de ser escravo de seu tempo e de ídolos supersticiosos, basta de GURUS, de massificações, de uniformizações, de piedades, de vitimizações: haja o RETORNO da DIFERENÇA, vamos jogar sem esperar pelo resultado, catapultar afectos em transbordância: ritmos jazzísticos do cuidar de-si-mundo porque amamos uma correnteza que atravessa a mulher que nos fortalece, nos diferencia, sim, viver junto é respeitar as distâncias fora das intencionalidades, o distante é uma composição singular, é um modo afirmativo de composição que assimila o acontecimento, a mudança.

A atracção intensiva pela MULHER, vem antes do sexo, é uma força inventiva infindável, um desejo-mundo, uma loucura estética, sim, é uma absorção marítima antes do mergulho-azul, é produzir tempo antes das horas! Não é o olhar que age, mas o corpo que traça um mapa com uma infinidade de feixes, um mapa com novas geografias sem passado, sem futuro, sem história (acontecer no deserto e povoarmo-nos).

Com a MULHER sentimos a experiência da problematização do mundo, por isso aprendemos ininterruptamnete___com a MULHER faço da ÉTICA uma escolha que me intensifica, torno-me dançarino dentro de novas velocidades-lentas, com a mulher não existe carência, há sempre afirmações das diferenças, com a MULHER espiritualizo as coexistências da matéria, torno-me numa cartografia de forças inventivas, produzo tempo, cérebro, capturo ritmicidades enciclopédicas, extraio as qualidades intensivas do corpo, absorvo e experimento as singularidades da vida, SIM, com a MULHER detecto signos inesperados e me transformo intensivamente numa natureza autopoiética___afirmo a vida e estilizo a existência porque a MULHER é uma aventura tremendamente sintomatologista, é o vigor das sensações que dá voz às perspectivas no seu absoluto! Mutantes forças afectivas, composição indomável dos sentidos____ com a MULHER digo sim à VIDA, dilatando o tempo e as dádivas. No AMOR não existe culpas, nem finalidades, nem culpados, nem dívidas, mas plenitudes, sim, aqui a existência é absoluta e o desejo brota sempre da potência de um querer que liberta e transmuta, sim, desejar é acontecer, é FAZER VIVER!!

A ALMA do AMOR é um corpo anorgânico, a ALMA do AMOR “não é religiosa”, é uma força contemplativa, germinativa, uma potência geradora de tempo, uma multiplicidade produtiva de vida, uma aventura andarilha do inconsciente, uma miríade de almas amorosas nos atravessam, desaparecendo e ressurgindo, são AFECTOS que nos inventam, surgem novas geografias, novas linhas geodésicas: amor AMOR AMOR!.

Só AMO quando fico mais criativo, capaz de criar e de gerar tempo puro, sim, AMO quando me produzo, quando gero a minha vida para me fortalecer e ser dadivoso.

Com a MULHER transmutamos o acontecimento, afirmamos o pensamento pleno da diferença, esquecemos e colocamos a alma no futuro, praticamos a inocência, vivemos em estado de rascunho, com a MULHER estamos sempre em acontecimento compositivo, completamo-nos com afectos e desejos criadores de realidade não orgânica, não existem valores instantâneos, os valores se criam e nos fortalecem, com a MULHER existimos a partir do aglomerado de forças das potências que estão em nós, existimos por meio do desejo intensivo de uma vida libertária, um desejo sem objecto porque com a MULHER o AMOR é uma relação de forças, de pororoca de vontades, é feito de cartografias de tempos puros, é um lugar de passagem que materializa o silêncio do mundo. As expressões criativas do AMOR dão sentido ao corpo. O AMOR não tem uma vontade de poder, nem de tomar conta porque nosso corpo é feito de movimentos intensivos, não é uma organização, não é uma competência da razão, nem uma responsabilidade moral sobre a vida, mas sim, uma afirmação da plenitude das diferenças, o corpo é uma composição ética que afirma a diferença, evita modelos de identidade, com a MULHER o EU e suas dicotomias, suas verdades, suas justiças, suas utilidades e vitimizações desaparecem, as formações e as críticas com ressentimento descampam, com o AMOR destruímos o que fragiliza a vida, evitamos ser capturados pelo existido e pelo ideal, criamos eternidades na existência, com o AMOR fugimos das razões imaginativas geradoras de vinganças e de ressentimentos, não acusamos o outro nem nos acusamos, evitamos o modo humano demasiadamente humano de existir, com o AMOR encontramo-nos e não nos minorámos, nem nos amputamos afectivamente, nem usamos o prazer anestesiante e compulsório, no AMOR fazemos da dor um modo de existir em acto criativo, fazemos a diferença no tempo, criamos a distância no tempo, sim, o AMOR não é vontade de poder e de apropriação do outro, no AMOR a dor transmutadora é uma mestria, é uma aliança que gera intensidade do devir, uma dor que destrói a prisão do bem e do mal, uma DOR que nos afecta singularmente, cria novos modos de existir, fazendo afectar e resistir como criação, quanto mais mudamos por meio do AMOR mais nos mudaremos, com o AMOR suspendemos os aparelhos de julgamentos, vivemos no entre-tempos, com o AMOR o desejo não é capturado, ele é livre e se completa por meio da duração dos instantes, de vazios inventivos, de variantes movimentos enérgicos, sim, nos faz compor novas forças. Com o AMOR o devir activo se põe em processo de coexistências em nós, não precisa de identidade porque está sempre a reencontrar forças criativas, são os pontos de vista que singularizam a vida, são aprendizagens dentro de nós-mesmos, sim, o AMOR presentifica o acontecimento fora das formas e das estratificações, o AMOR é uma zona de passagem de confianças afectivas que nos fazem mergulhar no mundo, é uma potência que se efectua, uma linha de singularização, de coesão afectiva e incontrolável porque não há transmissão de informações, há ritmos moventes molecularizados, é a força do acósmico, do indiscernível, do fabulatório onde as fronteiras se desfazem, movimentando os afectos, é uma desconstrução crítica, é a alegria da multiplicidade porque amamos várias mulheres na mesma mulher, é a adjacência do comum onde nos tornamos singulares, é uma membrana entre o dentro e o fora, uma relação corpo a corpo com as forças do mundo que se desviaram da interpretação significativa, sim, o AMOR experimenta forças, religa as forças das sensações que nada têm a ver com a obsessão da segurança patrimonial, o AMOR É uma membrana que se alia ao fora ampliando-o para se intensificar por dentro, um encontro multissígnico que aumenta a nossa potência, não entender, mas abrir os poros do corpo e entrar em variação, é apreensão da matéria sonora, é experimentação contínua, é uma presença contígua, é a zona de passagem do movimento, é o agora e o que está por vir entre o antes e o depois, é criar encontros, é vida que gera vida, é a abstracção do real, é um mergulho rumo ao desconhecido no mundo dos pensamentos, das sensações, construindo ritmos intrusos, contraditórios, paradoxais, incomensuráveis, SIM, é a linha espessa da singularidade, com o AMOR acontecemos por meio do múltiplo e jamais parcializados, mantemos a plenitude na potência de acontecer, fazemos da distância intensiva uma capacidade de afirmação, de composição, sim, é a distância que nos faz compor e diferenciar, as distâncias refazem o tempo das co-existências, tempos puros, assim, assimilaremos um mundo de impermanências, jogaremos nos caos, sentiremos musicalidades simultâneas e variadas onde os alicerces sígnicos se descentralizam insondavelmente! Entraremos na experimentação crítica para explorar zonas ignoradas, sim, a distância não disjunta mas compõe porque dor do AMOR é uma força criativa da distância, é o TEMPO como duração, como invenção, como produção do novo. O AMOR é uma ÉTICA que não exclui porque ESCOLHE, é o profundo e o excesso que se manifestam nas zonas de passagens das superfícies em transmutação e é nas superfícies extremas que a eternidade se fabrica, o tempo inédito se produz, colocando a duração nos AFECTOS, nos movimentos, sim, nos encontros com o AMOR ganhamos velocidade, ficámos vibráteis sem sair do lugar porque somos sensíveis ao que nos atravessa, apuramos as percepções, fortalecemos as sensações, no AMOR não há energia negativa, toda a força é tragicidade alegre, é a força dos corpos que se constituem por meio de multiplicidades, tudo é multiplicidade, nada é simples no AMOR, tudo é múltiplo, as potências do AMOR são as tendências da vida, são as forças construtoras da vida, a nossa vontade intensifica-se por meio de potências do AMOR que nos fazem superar a nós-mesmos, captamos coexistências e tornámo-nos dançarinos, problematizamos porque a existência exige campos problemáticos, o AMOR é a força do comum porque é singular, não é o publico nem o privado, nem a lei, é o comum onde amo a MULHER construindo duas linhas infinitas, uma bifurcação onde passado e o futuro não existem, mas insistem e contaminam, o tempo aqui não passa, é coexistente, bifurca loucamente porque compõe forças afirmadoras da diferença, é uma zona de acontecimento, fonte de criação de realidade, AMO uma loucura que atravessa a MULHER que faz amar a loucura em mim, AMO a loucura em mim que contagia a mulher, é o jorro do tempo, eu não amo a MULHER, AMO SIM, a loucura criativa que acontece na MULHER e me faz acontecer, é uma força que surge sem formas prévias, eu sou amado pela mulher porque uma loucura nos faz acontecer juntamente, uma loucura que liga, conecta, conjuga, compõe, produz corpos, movimentos, pensamentos: uma loucura que cria relação em nós e entre-nós, são planos compositivos superiores da vida porque mergulham no tempo que partiu suas correntes, o tempo puro, anorgânico! O AMOR é afirmativo e activo, não tem função utilitária, é obsessivo, é artista, é criador, é avassalador, é conquistador, é monádico, é pluralista, heterodoxo, ontológico, ético, trágico, imanente, é desapossado, não designa, não classifica, é uma linha de fuga, com o AMOR não acredito na culpa metafísica, na falta de existência, não acredito na dívida incomensurável porque a existência é absoluta, o pensamento é pleno, com o AMOR não quero ficar empoderado, nem ficar preso às finalidades porque o AMOR é uma autonomia que nos diferencia, nos mistura, nos abre para a vida, desfaz o aprisionamento do corpo e da mente, com o AMOR não busco o nirvana inconvulso, nem o prazer anestesiante, nem fujo da dor porque o AMOR é uma erva caleidoscópica, é um RITMO multidireccional, caleidoscópico, um rizoma, é uma potência de criar e nos faz auscultar as mudanças ininterrupta dentro de nós, nos faz inventar linhas conexivas de desejo que potencializam a vida, nos faz redobrar a intuição, nos faz reaver o acontecimento que nos revigora, plenificando sempre o desejo, sim, nos faz demudar, transmutar e usar o corpo como linguagem fora das significações, fora das marcas, evitando correntezas encarceradas, todo o acto do AMOR é um acontecimento da alegria da dor criativa, é a potência de viver.

Com a MULHER somos afectados pelo mundo indecifrável, atravessados, percorridos pelas forças afectivas-expressionistas, defrontamos as afectologias, as sintomalogias com a onda e não “sobre a onda”, o AMOR FORTALECE-SE pelos afectos que é capaz de captar, pelas experimentações, sim, o AMOR é correnteza, uma relação de forças afectivas que deslizam em composição permanente, absorvendo a vastidão do fora por meio de multiplicidades irredutíveis! O AMOR é um planador do espirito dionisíaco, um dançarino da durarabilidade das forças afectivas, é uma composição indomável dos sentidos, de forças afectivas que criam laçadas, densidades e expandem limites e quanto mais se afecta, quanto mais se relaciona, mais se fortalece, mais se potencializa, quanto mais forças, quanto mais intensidades, mais sensações atravessarão o AMOR e o potencializarão no enfrentamento com o mundo, exigindo, experimentando criativamente o real, vida desabaladamente pulsional: experimentar intensamente e prudentemente, sim, são as forças afectivas, a alegria dos encontros que o FORTALECEM, fazendo-o viver dos acasos dos encontros, ser atravessado pela realidade e pela natureza, cada superfície do AMOR é um campo de batalha, cada superfície do AMOR exige agir e não ser agida! Quando o AMOR aumenta a sua capacidade de agir sobre o mundo, ele aumenta a potência de seleccionar os encontros, se abre ao impossível produzindo um plano de imanência, SIM, produz novos tipos de relações, modifica a relação com a vida, gera linhas de vida, CAMPOS AFECTIVOS, foge do culto das mortes e dos fantasmas, produz encontros, são as cirandas dos encontros que giram e evitam as paixões tristes, os maus afectos, evitam os factores externos moralizadores, porque estes nos constrangem, nos restringem, nos reduzem, nos desvigora, nos faz ter decoro, pudicícia, vergonha da vida, debilita-nos tremendamente, por isso, há que produzir um AMOR sem sensos comuns, sem julgamentos-déspotas. Criar um AMOR experimentador e com capacidade de escolher, um AMOR-de-tessituras-criativas adentro do impensado intensificador das forças da e de vida! O AMOR desloca o eixo da terra para relacionar potências de vontades, sim, descobrir agenciamentos estéticos-éticos nos limites ilimitados dos afectos que produzem estímulos ao descerem à zona dos silêncios e do invisível! porque conhecer é atravessar o mundo, sim, o AMOR intensivo está no improvável, no inesperado, no imprevisível, por isso o CORPO tem que se ser estimulado permanentemente dentro do indiscernível, do indecifrável: o AMOR vive em campos problemáticos, hesitadores, e hesitação não é dúvida é vida criativa! O AMOR estende-se, estica-se, ultrapassa-se, atravessa-se, transmuta-se num lugar de nenhuns lugares, numa paisagem que não é paisagem, contorce os poros, convulsiona-se, aglomera-se, escoa-se, vasculha-se, sobrevoa, tatua-se, escarifica-se numa tremenda inseparabilidade, numa cosmicidade fascinante, BRUXULEANTE, compondo superfícies sem delimitações, sem transcendências____ estas paradoxalidades vibratórias atravessam os orifícios, transbordando e afirmando vida: dançar o espaço com toda a invisibilidade do sensível! Suplantar-se____ o passar-se___ são os planos de imanência!

O AMOR é uma composição de forças atravessadas por sentidos, sim, capturamos os sentidos quando quando sentimos as forças a penetrarem nas coisas, o acontecimento é todo este campo do saber-vibrátil-variável. O AMOR é uma força ética, é um fluxo ético-ressonante, é um complexo de possíveis, é uma matéria espiritual das expressões das expressões, é constituído por potências afectivas que vêm da vastidão do fora! O AMOR a cada instante entra em crise, suas expressões se desvanecem entre-instantes, é perfurado, esculpido por uma miríade de estimulações! O AMOR acontece na emancipação, na cosmovisão, na experimentação de tudo aquilo que pode, produz, cria, vibra em todos os limites( volteaduras-ritornelos-diagramas)____ o AMOR não pensa mas força o pensamento a pensar, o AMOR não é pensado pelas existências mas como um campo de problematizações, uma correnteza de sensações, de paradoxalidades, de expressões incontroladas e inamanipuláveis: uma percepção-imperceptível tremendamente estranha que faz emergir, sobressair criações em potência inesperada, inesperável! O AMOR reactualiza-se através do passado-presentificado e do futuro-presentificável, coexistindo-se em tempos diferentemente ininterruptos e imóveis, mergulhando nas matérias e reconstruindo uma linha de intensidades de forças variáveis: são os planos de imanência que são “planos vazios de tempo” onde AMOR e o espirito se sincronizam, se misturam, tudo se transforma a uma velocidade infinita, tudo se remove, se movimenta a uma lentidão incomensurável: O AMOR é a força do sensível que foge à correnteza do orgânico, à dominação do mundo percepcionado, tem necessidade das transbordâncias expressionistas, químicas, biológicas, sociais, politicas, geológicas, geodésicas, cosmogónicas, epifânicas, espirituais…! SIM, suas forças tensionadas, intersectadas, trazendo o mundo paradoxal para as voltagens em formação molecular aberta, são instabilidades moleculares a atraírem por meio das superfícies profundas outros ritmos matéricos que se desmancham ininterruptamente porque se intensificam com o desejo, com as multiplicidades do real inesgotável em reconstrução, regerminação, dissipação____ é o acontecimento, CONTUDO, continuamos a perder o AMOR pela incapacidade de acontecer, de fazer composições na tragicidade em jubilação, interiorizamos a negação e o empoderamento, destruímos a afirmação e a potência, porque vivemos de ideais, fantasias, sonhos, esperanças, compaixões, identidades egóicas, organizações vitimizadoras, vivemos de joelhos a venerar mundos para lá deste mundo, colocamos nossa vida nos projectos, nas finalidades, nas referências, nas significações! O pânico e expectativa sempre coexistiram, se entrelaçam tremendamente! O homem continua a fazer parte da bricolage da natureza, a natureza inventou o homem, sendo completamente insensível ao seu desaparecimento! Afastamo-nos de nós-mesmos, afastamo-nos do saber do AMOR, nos desconhecemos, focamo-nos na vida dos outros, não absorvemos o devir, contaminamos o intensivo com intencionalidades, desmoronando o singular porque vivemos da natureza-natural!

Arrestamos O AMOR e o colocamos ao serviço de um projecto, ao serviço de uma finalidade. Desaproveitámos a capacidade de criar o AMOR porque nos preenchemos de significações, desperdiçamos o inédito do que a existência nos oferece a cada momento. Vamos nos transformando em sujeitos ou legisladores vigiados por um modo de “DEVER-SER” que já se introjetou em nós, alimentamos niilismo reactivo, organizamos a política do ódio de acusar tudo aquilo que não tem finalidade, envenenámos a atmosfera do acontecimento! Colocamos o homem no lugar de Deus, o homem-julgador, inventou direitos universais para si, filiando-se ao ressentimento. Inventou-se o homem e os valores do homem, o homem e os direitos do homem, o homem anestesiou-se com as organizações, com o prazer, com a felicidade, o homem substituiu a duração dos instantes pelo progresso-zumbi, não se subleva “porque tem democracias”! O AMOR é atravessado por diferenças por meio do DEVIR que nos faz afectar pelas forças imprevisíveis do tempo, assimilando o estranhamento, afirmando o DEVIR que são danças sígnicas em suspensão, feitas de movimentos de superfícies em choque, de encontros de acasos, de vastidões variáveis, de intermezzos esfíngicos turbilhonares. CONTUDO:

CONTINUAMOS a afastar-nos do acontecimento e da capacidade de exercer o criativo, o sublime, estamos afastados daquilo que podemos, desconhecemos o intensivo da vida afirmativa, o intensivo do AMOR, não afirmamos o pensamento fora das representações, das identidades e das finalidades mediadoras da consciência, nós confiscamos o AMOR por meio do organismo identitário, continuamos a usar a linguagem dentro das significações, afundamos o desejo na fossa enegrecida da privação incomensurável, nos ligamos artitificialmente ao poder por meio da invenção do espelho-neonarcísico-euístico, pela invenção das superfícies do reconhecimento, sim, fabricamos um rosto-déspota em nós por meio dos espelhos dominadores da sociedade, dos familismos, dos idealismos, das transcendências, de metafísicas que tomaram conta da nossa voz, das interpretações, da vida, destruindo a autonomia do corpo, do AMOR e do pensamento porque os subjugaram aos julgamentos inscritos em modelos, em deuses, em estados espirituais! SÓ DANÇA quem está no acontecimento, quem está em devir, só dança QUEM AMA, sim o AMOR é estilização da existência. O AMOR não é consciência, memória-passadista, reprodução, conservação, adaptação porque o AMOR não é reactivo, AMOR é vontade, é relação da força com outra força, é criação expressiva de novos valores, cria e doa, não o que a vontade quer, mas o que quer na vontade! O AMOR é desejo que atravessa o corpo e mente simultaneamente. O desejo não aprisiona. Ele liberta. O desejo é dadivoso. O desejo dá ao invés de tomar. Porque o desejo é criativo. É activo. É afirmação da singularidade. O desejo não tem objecto porque ele já parte de uma zona que é múltipla, quanto mais ele se desdobra, mais dobras ele cria em si. O desejo é auto-expansivo, seu fim não é exterior, o fim do desejo é ele mesmo. Um verbo intransitivo, sem objecto, que busca não apenas a sua auto-conservação mas também sua dilatação! AMAR é perceber o devir e aprender a seleccionar, a escolher, a fazer uso ético e estético daquilo que nos acontece e não acusar o outro, sim, o prazer da alegria é uma variação da capacidade de existir, da capacidade de fazer escolhas que nos potencializem.

O AMOR é a solidão activa e criadora, porque é povoada de ideias, de encontros e de forças, é a eternidade que se produz no devir! O AMOR cria seu tempo, suas geografias, elimina os encontros miserabilistas, compreende que a eternidade está nas forças do meio do acontecimento, no meio contíguo dos afectos, do pensamento e não da subjectivação! O AMOR criar espaços duráveis-variáveis de tempo que nos impulsionem a criar e a modificar a produção em nós-mesmos, é este o processo de fazer surgir a singularização, estimuladora da duração do acontecimento de nós-mesmos, revigorando a existência, a realidade, entrelaçando as sensações que se interpenetram em vários sentidos, dobrando, desdobrando, plasmando o corpo que defronta o desconchego, as estrangulações, a desesperação, a expectativa, a confiança, a profanação, o sarcasmo, dobra-se, sim, o AMOR CONTAGIA-SE, conecta-se, recolhe-se, devolve-se, envolve-se, transmuta-se por meio de feixes de intensidades e de possibilidades, POR ISSO, É URGENTE retirá-lo dos sistemas fechados, dos modelos encarceradores, do civilizatório tirocínio que avança tresloucadamente, calculisticamnete ao serviço da razão determinista, da consciência sentenciadora, das representações, das formas, das identidades, sim, continuamos aprisionar o AMOR à razão totalizadora para construirmos a moral, as hierarquias e as sentenças, a vitalidade do AMOR está nas fricções do impensável; mente, corpo e AMOR interrelacionam-se, entrecruzam-se e dançam no mesmo mundo sem metafísica, nem transcendência, mas com potências imanentes, não há corpo sem mente: o corpo é modo de extensão e o espirito modo de pensamento, tudo é corpo e espirito simultaneamente, acontecemos-corpos, não estamos isolados da natureza, somos parte dela, corpo-cérebro-espirito entrecruzam-se, fundem-se, como um holomovimento dançante da existência, se o corpo desaparece, desaparece simultaneamente a mente! O AMOR abre-se permanentemente ao mundo, cruzando signos e forças que o abrem ao espaço e o tornam espaço por meio de uma metamorfose completa. As forças do AMOR esboçam espaços-tempos, fazem entrecruzamentos imanentes onde o boomerangue da arte, reaparece por meio de composições afectivas e não paralisa, desterritorializando-se, porque se fez devir, se fez processo de excriptas, são múltiplos intervalos transformadores dos movimentos incessantes do corpo, sim, o acontecimento é todo este campo do saber-vibrátil-variável, fazendo do corpo um grande conjunto de vontades, de afectos, impulsos, sensações, é o movimento. O AMOR cruza-se em todos os limites: os limites não estão fora nem dentro estão entre, por isso há que actuar, realizar, fazer e não ser agido nem manobrado: há que perscrutar e ultrapassar fronteiras, intersectar, atravessar obstáculos, sentir a problematização do mundo, a complexidão do mundo. O AMOR é uma miríade de impulsos, é ritmo de multiplicidades de forças do mundo que produzem conceitos, pensamentos, SIM, o AMOR é o que somos, é campo inesgotável de INVENÇÃO sem separabilidades, o AMOR penetra ininterruptamente na existência:

O AMOR não aguenta mais aquilo que o constrange, coarcta por fora e por dentro, não aguenta as neuroses, os martírios, as leis negativas, as psicoses, provocadas pela imbecilização, pela disciplinarização, pelo assujeitamento da linguagem aliada à culpabilização, às significações, às representações-identitárias, à patologização do sofrimento( as culpabilidades nutrem a recusa e a negação da vida onde os carrascos e a serventia vivem em conivência). ESTAMOS PERANTE a disciplinarização fabricadora de corpos submissos, corpos subordinados que apenas se objectivam nos planos económicos, nos ideais, nas piedades, na banalidade, nos moralismos, nas venerações, nas hiperexcitações da ideologia do sucesso e da imagem! O homem inventa projectos, ídolos, Deuses para não enfrentar o absurdo. A revolta é AMOROSA porque escolhe EROS no lugar de Tanatos, a revolta é AMOROSA POQRUE nasce com afirmação do trágico da vida, com a absurdidade da vida porque as esperanças e os ideais, são insuportáveis disfarces!  O acontecimento AMOROSO não traz lugar, ele faz GEOGRAFIAS, é um criador de tensões, de voltagens que nascem nas dobras, nas superfícies transbordantes das translocalizações ritmáveis, activando as realidades do impossível para deslocá-las, atravessá-las com outras energias a-significantes, SIM, o sentido do AMOR não é significação, nem manifestação do sujeito, o sentido do AMOR é sempre o sentido do acontecimento de uma potência criadora de novos modos de existência, sim, existe sempre através de um movimento INTENSIVO. O AMOR se constitui com a imprevisibilidade, o inaudito: as hipóteses desconhecidas intensificam o AMOR, sim, são infinitas as possibilidades dos seus atravessamentos espirituais, criativos: o que pode o AMOR é sua capacidade de fazer, de construir, de se potencializar, de se transbordar pelo mundo: eis, o AMOR que se abre e se perde entre os fluxos imperceptíveis e as fronteiras pontilhadas, dançantes.

O AMOR da MULHER é uma geografia corporal-espiritual que se entrega ao incomensurável, é uma mistura completa de sensações, de pensamentos, de visões experimentadoras. O AMOR transmuta, é a sensação de estar em todos os lugares e em nenhum lugar ao mesmo tempo. O AMOR é atravessado pela vitalidade que desfaz a organização, produzindo vida não orgânica.

O AMOR é passagem, é CORRENTEZA da potência, é para desgastar, foi feito para isso, quem o deseja conservar, está completamente fodido, porque ele é incontrolável_. BASTA de engessamentos, de poses, de reflexos, de representações! O AMOR transforma-se numa fealdade quando o usamos por meio de formas miseráveis, o entupimos, o desclassificamos moralmente!

O AMOR é um composição de sentidos e de afectos.

Precisamos de novos dicionários afectivos.

A potência é o AFECTO da alegria.

De que AFECTOS somos feitos? Que linhas de tempos, que devires nos atravessam? ”

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Escola Profissional CIOR - Ligação a 'O Amor' por Luís Serguilha

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Obs: publicação original em Albedo/Segredo/Nigredo – Eudemonia Literária, tendo sofrido ligeiras adequações na presente edição.

Imagem: Felix Gonzalez-Torres

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About Author

Luís Serguilha

Luís de Serguilha nasceu em Portugal e, nos últimos anos percorreu algumas geografias da América do Sul. É poeta, ensaísta e curador de arte ibero afro americana. Kalahari, Plantar rosas na barbárie, Falar é morder uma epidemia, os esgrimistas dos Á-peiron e a ACTRIZ a ACTRIZ – o palco do esquecimento e do vazio são os títulos dos seus livros mais recentes. Os seus ensaios-criativos envolvem os atractores estranhos que atravessam corpo-arte-pensamento-poesia. Radicado no Recife, criou a estética baptizada como Laharsismo, estudada em Universidades. Recebeu o prémio Hermilo Borba Filho de Literatura.

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